Delegada investigada por emprestar viatura ao marido tem licença renovada
Wanessa Santana é investigada por peculato após marido ser flagrado dirigindo viatura descaracterizada da Polícia Civil em BH
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A delegada da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) Wanessa Santana Martins Vieira, de 38 anos, investigada por emprestar uma viatura descaracterizada ao marido, Renan Rachid, também de 38, teve a licença para tratamento de saúde renovada por mais 120 dias. A decisão foi publicada na edição desta terça-feira (25/8) do Diário Oficial de Minas Gerais e tem validade desde a última quarta-feira (19/8).
O casal foi preso depois que Renan foi parado em uma blitz no dia 10 de março, na Avenida Presidente Antônio Carlos, na Região da Pampulha, em Belo Horizonte, enquanto dirigia a viatura da Polícia Civil. Em 15 de abril, o primeiro afastamento da delegada por licença para tratamento de saúde foi publicado pelo Hospital da Polícia Civil no Diário Oficial do Estado.
Procurada pela reportagem, a PCMG informou, em nota, que “a renovação de licença para tratamento de saúde de servidores ocorre regularmente, conforme previsão legal e mediante avaliação médica competente, observados os procedimentos administrativos aplicáveis”.
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Em relação à investigação envolvendo a delegada, a corporação informou que as apurações continuam sob responsabilidade das unidades competentes para esclarecer os fatos. “Outras informações não serão divulgadas no momento para não comprometer o andamento das investigações”, concluiu.
Justiça negou sigilo
Ainda em abril, a Justiça negou um pedido da defesa de Renan para que o inquérito por peculato tramitasse sob sigilo.
Na solicitação, os advogados alegaram a necessidade de proteção da imagem dos investigados, além da presença de receituários médicos nos autos. Os argumentos, no entanto, não foram considerados suficientes para determinar o sigilo.
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) também se manifestou contra o pedido, sustentando que o caso envolve um suposto desvio de patrimônio público, uma viatura policial, para utilização particular, o que reforçaria o interesse público na investigação.
Para o Ministério Público, a preservação da imagem e da reputação profissional dos investigados não seria suficiente para afastar o princípio constitucional da publicidade.
Relembre o caso
O advogado Renan Rachid foi preso em flagrante em 10 de março depois de ser encontrado dirigindo uma viatura descaracterizada da Polícia Civil na Avenida Presidente Antônio Carlos.
Segundo a Polícia Civil, a fiscalização foi planejada após denúncias anônimas encaminhadas à Corregedoria da corporação e à Ouvidoria do Estado em fevereiro. As informações apontavam que o advogado utilizava o veículo da instituição para ir ao trabalho.
Durante a abordagem, Renan se identificou como advogado e apresentou a carteira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Após confirmarem que o carro pertencia à frota da Polícia Civil e que o motorista não era servidor público, os agentes o encaminharam à Corregedoria. A viatura foi apreendida e levada para perícia.
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Outra equipe foi até a residência da delegada responsável pelo veículo. Wanessa foi levada para prestar esclarecimentos e também teve a prisão em flagrante confirmada. Posteriormente, os dois foram indiciados por peculato.