TRAGÉDIAS EM SÉRIE

Rodovias federais registram ao menos 67 mortes neste mês

Maioria das vítimas viajava em ônibus que se envolveram em desastres como os de ontem, no Paraná, e de domingo, no Rio. Dados da PF apontam elevação nesse tipo de sinistro

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Coletivo envolvido em acidente com 10 mortes no domingo, na BR-040: quatro dias depois, batida no Sul do país matou outras 23 pessoas
Coletivo envolvido em acidente com 10 mortes no domingo, na BR-040: quatro dias depois, batida no Sul do país matou outras 23 pessoas CBMRJ/Divulgação
Uma batida entre um micro-ônibus e um caminhão matou 23 pessoas e deixou outras cinco feridas no BR-373, Km 209, no município de Imbituva (PR) na madrugada de ontem. No domingo (16/8), também de madrugada, acidente com um ônibus que partiu de Belo Horizonte rumo ao Rio de Janeiro, no Km 91 da BR-040, em Petrópolis (RJ), provocou 10 mortes e deixou mais de 20 feridos. Registradas num intervalo de quatro dias, as duas tragédias, escancaram o perigo e a frequência de ocorrências fatais com múltiplas vítimas nas rodovias federais brasileiras. Neste mês de agosto, até ontem, pelo menos 67 vidas foram perdidas e 69 pessoas ficaram feridas em 16 sinistros nas BRs, conforme levantamento do Estado de Minas com base em ocorrências de destaque na imprensa nacional. Do total, 37 óbitos ocorreram em cinco sinistros envolvendo ônibus, que deixaram ainda 56 pessoas feridas.

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O quadro do perigo atinge em cheio em Minas Gerais, o estado com maior malha rodoviária federal do país e não é exclusivo deste mês de agosto. As últimas estatísticas oficiais disponibilizadas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) revelam um aumento significativo dos números de mortos e feridos nos acidentes nas BRs, com alta também nas ocorrências envolvendo ônibus e micro-ônibus, tanto no Brasil quanto em Minas Gerais, entre janeiro e maio deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado.


De acordo com o levantamento da PRF, houve 852 acidentes com transporte coletivo nas rodovias federais de todo o país nos primeiros cinco meses deste ano, o que representa uma alta de 4,41% em relação aos 816 do mesmo período de 2025. As mortes nesses sinistros chegaram a 101, contra 43 de janeiro a maio de 2025 (elevação de 134,8% ). O total de feridos somou 1.313, contra 882 (+48,6%) na em relação aos 882 na mesma base de comparação.


Em Minas Gerais, segundo os dados da PRF, entre janeiro e maio de 2026, foram contabilizados 103 acidentes envolvendo ônibus e micro-ônibus, com acréscimo de 7,2% em relação aos 96 registros de igual período de 2025. Esses sinistros resultaram em 26 mortes, contra 12 em 2025 (+116,6%). E deixaram 281 feridos, contra 140 (+102,14%) nos mesmos intervalos de tempo.


Na conta dos graves acidentes com veículos do transporte de passageiros registrados nos primeiros cinco meses deste ano entra a batida entre um ônibus e um caminhão carregado de rodas de carros, que deixou nove mortos e outras 10 pessoas feridas, no Km 236 da BR-251 – estrada em processo de concessão à iniciativa privada –, em Santa Cruz de Salinas, no Norte de Minas, na madrugada de 24 de maio. O ônibus seguia de São Bernardo do Campo (SP).Após o choque, os dois veículos pegaram fogo e todos os mortos na tragédia tiveram os corpos carbonizados, sendo identificados por meio de exame de DNA em laboratório do Instituto Médico-Legal (IML) de Belo Horizonte.


O ônibus saiu de São Bernardo do Campo, em São Paulo, com destino a Aracaju, em Sergipe. Já a carreta, carregada com sucata e peças automotivas, fazia o trajeto entre Fortaleza e Piracicaba. Em junho, após a conclusão do inquérito, a Polícia Civil de Minas Gerais indiciou o motorista do ônibus por homicídio culposo na direção do veículo – quando não há intenção de matar. Ontem, o Sindicato das Empresas do Transporte de Passageiros no Estado de Minas Gerais (Sindpas) lamentou o acidente com o ônibus que provocou 23 mortes, no Paraná, e destacou a importância do cuidado com o transporte de passageiros para preservar vidas. “Esse cuidado deve estar presente antes, durante e depois de cada viagem, por meio da prevenção, da manutenção, do cumprimento das normas, da fiscalização e, em caso de acidente, da assistência efetiva às vítimas e às suas famílias”, diz o texto.

“É justamente por isso que o Sindicato defende o sistema regular de transporte, que opera em linhas e horários definidos, a partir de terminais e pontos autorizados. Nesse sistema, as empresas são identificadas, fiscalizadas e responsáveis pela segurança da operação e pelo atendimento aos passageiros”, destaca a entidade, que ainda chamou atenção para a necessidade de melhoria das condições das estradas.


Por meio de nota, a Agência Nacional de Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) também lamentou os acidentes ocorridos nas rodovias federais e afirmou que, dentro de suas atribuições, “mantém fiscalização permanente do transporte rodoviário interestadual e internacional de passageiros” e, nas rodovias federais concedidas, verifica “o cumprimento das obrigações das concessionárias relacionadas à conservação do pavimento, sinalização, dispositivos de segurança, atendimento ao usuário e execução de obras”. Segundo o texto, no caso do acidente de ontem no Paraná, “as informações disponíveis indicam que se tratava de viagem intermunicipal promovida por prefeitura, em veículo próprio e sem cobrança dos passageiros, portanto fora da competência regulatória da ANTT”.


MÚLTIPLOS FATORES

Para o professor Roderson Queiroz Hilário, docente do Departamento de Engenharia de Transportes e Geotecnia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), independente do tipo de veículo, seja ônibus, carreta ou carro, as tragédias nas estradas podem envolver falhas mecânicas, causas humanas, como a imprudência, ou problemas estruturais das vias. “Não existe um fator apenas. São diversas variáveis. As nossas rodovias, muitas vezes, não têm a qualidade de pavimento adequada, com má conservação. Ou não têm uma geometria que forneça ao usuário conforto e desempenho. (O problema) passa também pela imprudência dos motoristas”, avalia.

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Por outro lado, ressalta o professor, as consequências dos sinistros com veículos de passageiros são maiores. “Os impactos com dos acidentes, neste caso, são maiores. Um ônibus tem uma capacidade de transportar no mínimo 40 pessoas, o que leva a uma tendência de maior número de vítimas”, pontua o especialista. 

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