Morte de menina engasgada: amiga da família cobra apoio escolar
Adriele Aguiar afirma que professora de apoio da criança faltou no dia da morte e não havia substituta
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A família da menina, de 7 anos, que morreu após se engasgar em uma escola municipal de Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, está em choque. Quem afirma é Adriele Aguiar, amiga da mãe da criança. Técnica de enfermagem e também mãe de uma criança atípica, ela afirma que a família questiona a ausência da professora de apoio que acompanhava a menina e a falta de uma substituta no dia do ocorrido. Para Adriele, o caso expõe a necessidade de garantir o acompanhamento adequado a estudantes com deficiência ou necessidades específicas no ambiente escolar.
A menina era aluna do 2º ano da Escola Municipal Bruna Diniz Patrocínio Alves, no Bairro Liberdade. O caso ocorreu na manhã desta quarta-feira (12/8). Segundo o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG), uma profissional da escola recebeu orientações por telefone sobre procedimentos para desobstrução das vias aéreas. Uma médica da unidade de saúde, que fica ao lado da escola, também participou do atendimento. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e bombeiros realizaram manobras de reanimação, mas a criança não resistiu.
De acordo com Adriele, a mãe da menina foi avisada pela própria escola. "Todo mundo está desolado, em choque, principalmente a mãe. Todo mundo sem acreditar no que aconteceu", afirmou.
Amiga da família há anos, Adriele preferiu preservar detalhes da rotina e da personalidade da criança diante da exposição provocada pela morte. Ela explicou que recebeu autorização da mãe para falar especificamente sobre a inclusão escolar, tema que considera central para compreender os questionamentos da família.
Segundo ela, a menina tinha diagnóstico de autismo e contava com uma professora de apoio durante as aulas. No entanto, a profissional não estava na escola no momento em que ocorreu o engasgo. Adriele afirma que a família ainda não sabe por que a professora faltou, mas questiona a ausência de uma substituta.
"Ela tem essa professora que acompanha ela durante as aulas. No momento, a professora precisou faltar, não sabemos o porquê, e não teve uma substituta", relatou. "Se ela tem esse direito, eles tinham que substituir."
A Prefeitura de Ribeirão das Neves informou que os profissionais da escola prestaram os primeiros socorros e iniciaram as manobras de atendimento enquanto o Samu era acionado. Segundo o Executivo municipal, profissionais da Estratégia de Saúde da Família (ESF) Liberdade, unidade localizada ao lado da escola, também participaram do socorro.
O Samu chegou em aproximadamente 15 min, e as tentativas de reanimação duraram cerca de 40 min.
A versão apresentada pela prefeitura é contestada por Adriele em relação à forma como o atendimento ocorreu. Segundo ela, profissionais da escola precisaram buscar ajuda na unidade de saúde próxima. A amiga da família ressalta que não pretende responsabilizar individualmente os trabalhadores que estavam na escola, mas questiona a estrutura disponível para situações de emergência.
"A gente não está julgando os profissionais. A gente está falando sobre a prefeitura passar uma informação que não é verdadeira, porque os profissionais precisaram buscar ajuda no posto", disse.
O Corpo de Bombeiros informou que recebeu o chamado e orientou, por telefone, uma profissional da escola sobre como proceder diante de uma obstrução das vias aéreas. Conforme a corporação, essa profissional relatou que havia uma médica da UBS Liberdade realizando ressuscitação cardiopulmonar na criança. Quando os bombeiros chegaram, uma equipe de suporte avançado do Samu já estava no local.
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Inclusão
A conhecida também contesta a avaliação de que a criança não necessitaria de acompanhamento próximo por apresentar, segundo declaração da secretária municipal de Educação, uma condição considerada leve. Para a amiga da mãe, a classificação do nível de suporte necessário é uma questão médica e não deveria ser utilizada pela administração pública para justificar a ausência do profissional previsto para acompanhar a estudante.
"O autismo é dividido em três níveis de suporte, e quem faz isso é o médico, o psiquiatra, o neuropediatra. A prefeitura não está apta para poder falar isso", afirmou.
"Manu tinha o laudo, Manu foi diagnosticada. Manu tem o direito, assim como todas as crianças atípicas, de terem a professora, independente do grau, independente do nível de suporte do autismo", falou.
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A prefeitura não informou, até o momento, a dinâmica exata do engasgo. Também não há, segundo as informações divulgadas, conclusão sobre eventual responsabilidade pela morte. O Executivo municipal determinou a abertura de uma sindicância para apurar as circunstâncias administrativas do caso.