Causador de acidente na BR 251 é enterrado em um dia e exumado no outro
Tragédia teve sete mortes. Corpo de motorista que usava tornozeleira eletrônica foi traslado para Fortaleza. Polícia continua investigando o caso
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O corpo de Pedro Yan Linhares Guimarães foi enterrado em um dia e exumado no outro. O motorista é apontado como o causador da batida frontal entre um Fiat Cronos e um Astra, na tarde de sábado (8/8), no km 304 da BR 251, em Salinas, no Norte de Minas. Sete pessoas, incluindo ele próprio, morreram. Uma outra vítima ficou gravemente ferida.
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Pedro Yan dirigia o Fiat Cronos e provocou o acidente ao tentar fugir depois de desobedecer a uma ordem de parada de policiais na rodovia. Segundo a polícia, ele usava tornozeleira eletrônica “em razão de medida cautelar de prisão, possuindo ainda passagem anterior pelo crime de tráfico de drogas”. O homem não tinha habilitação, e no carro foram encontrados 137 quilos de maconha divididos em 164 tabletes.
Os corpos das sete vítimas mortas no acidente foram levados para o Instituto Médico Legal (IML) de Taiobeiras (a 50 km de Salinas) para serem necropsiados e liberados para as famílias ainda no sábado (8/8).
Na segunda-feira (10/8), o corpo de Pedro Yan foi enterrado em “cova rasa”, no Cemitério de Taiobeiras, "provisoriamente”. Na manhã desta terça-feira (11/8), o corpo dele foi exumado. Logo em seguida, foi traslado em um carro de uma funerária, em direção a Fortaleza, terra da sua família, para ser sepultado em definitivo.
O delegado regional de Taiobeiras, Douglas Ferraz Veloso, explicou que o IML da cidade, inaugurado há um ano, ainda não tem refrigeração para manter os corpos por mais tempo. Por essa razão, sempre que ocorre um caso de morte violenta, sem o reconhecimento e a retirada imediata do corpo do IML por algum parente, a instituição faz o enterro “provisório” no cemitério local em “cova rasa” ou “gaveta” e aguarda o comparecimento da família para exumação, traslado e o sepultamento definitivo.
Pedro Yan respondia processo criminal na Justiça de Aracati, sua terra natal. Conhecido por abrigar a praia de Canoa Quebrada, o município registra disputa entre grupos criminosos envolvidos com o tráfico de drogas, entre eles o Comando Vermelho. As autoridades ainda não sabem se o condutor tinha vínculos com a facção criminosa. A origem e o destino da droga também serão investigados.
O acidente
A colisão frontal entre o Fiat Cronos e o Astra aconteceu no Km 304 da BR 251, no trecho da rodovia entre Salinas e a BR 116/Rio-Bahia. Conforme a PRF, o motorista do Cronos, que viajava no sentido Salinas/BR 116, desobedeceu a uma ordem de parada no km 314 e fugiu.
Durante a perseguição, ele teria feito manobras arriscadas e, em uma curva, invadido a contramão ao tentar ultrapassar quatro veículos. O carro bateu de frente com um Astra que seguia no sentido contrário, a cerca de 10 km depois do ponto onde houve a abordagem.
Os quatro ocupantes do Astra morreram na hora: os irmãos aposentados Argemiro Machado da Silva, de 79, Valmir Machado da Silva, de 76, e os amigos deles, Alcides Silva Santos, de 77 e Gilmar Bispo dos Santos, de 46. Os quatro viajavam com destino a São Paulo e eram moradores de Ruy Barbosa (BA), na região da Chapada de Diamantina, onde foram sepultados na tarde de segunda-feira (10/8).
De acordo com a Polícia Civil, outros dois ocupantes do Fiat Cronos, a influencer Alana Alves da Silva, de 28, morreu no local do acidente e Ramon Silvério Nogueira, de 19, morreu no hospital de Salinas, assim como Pedro Yan.
Ainda segundo a PCMG, uma passageira do veículo, identificada como Letícia Freitas Braga, de 21, ficou gravemente ferida e segue internada. Ela sofreu traumatismo cranioencefálico e várias fraturas.
De acordo com a Polícia Civil, devido a apreensão dos 137 quilos de maconha foi instaurado inquérito pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico. A origem e o destino da droga será apurada pelas autoridades que ainda não têm informações onde seria entregue, uma vez que a única sobrevivente do Fiat Cronos continua internada em estado grave em Salinas. A investigação vai avaliar a possibilidade de que a droga pode ter entrado no Brasil pela fronteira com o Paraguai, informou uma fonte.
Após a conclusão dos procedimentos de praxe, o delegado responsável vai extinguir a punibilidade de Pedro Yan e dos outros dois mortos no acidente “em razão dos óbitos”.
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A investigação está sendo conduzida pelo delegado de Salinas, João Victor Santiago Lopes Petrone.