Fonte da Praça Diogo de Vasconcelos, bem no coração do Savassi: proposta inclui projeto urbanístico envolvendo a área e quarteirões fechados no entorno

Jair Amaral/EM/D.A Press

Ofertas de lojas para aluguel, às vezes por muito tempo, são vistas como sinal de debandada que precisa ser revertida

Jair Amaral/EM/D.A Press
Moradores da Savassi se reúnem hoje para lançar o projeto Pacto pela Savassi, com o objetivo de discutir soluções para a população em situação de rua e a requalificação urbana da região. O evento, à 19h, no Colégio Santo Antônio, é promovido pela Associação de Moradores da Savassi (Amosavassi), e deve mobilizar representantes do poder público, iniciativa privada e da sociedade civil em busca de soluções para as questões em pauta.


De acordo com os organizadores, o pacto representa o lançamento de um movimento permanente de cooperação entre instituições públicas e privadas, voltado à construção de políticas e ações integradas capazes de tornar a Savassi uma região mais segura, humana, organizada e valorizada.


Durante o evento, também será apresentado o documento oficial do Pacto pela Savassi, que reúne diretrizes, propostas e projetos voltados ao fortalecimento das políticas públicas, da participação cidadã e das parcerias entre o poder público e a iniciativa privada.


O presidente da Amosavassi, Helênio Soares Júnior, explica que o projeto é dividido em três programas: Rede Solidária, Caminhos da Esperança e Coração da Savassi. O Rede Solidária nasceu da vontade dos moradores em ajudar. “As pessoas querem ajudar de alguma forma. Doam cobertores, alimentos, dinheiro, compram produtos. Elas querem fazer o bem, mas isso não está organizado.”


O objetivo, segundo Júnior, é organizar e humanizar a rede de solidariedade. Ainda de acordo com ele, o cadastramento das pessoas em situação de rua no bairro já está sendo feito, e o programa deve fazer com que essa população receba alimentação e tenha condições de higiene de uma maneira mais organizada. No Caminhos da Esperança, as pessoas em situação de rua serão cadastradas e encaminhadas para um acolhimento e moradias temporárias.


O objetivo do terceiro programa é melhorar a convivência urbana. “Vamos construir a convivência urbana, com apresentação de um projeto urbanístico de revitalização e requalificação da Praça da Savassi e dos quarteirões fechados do entorno”, afirma o presidente da associação.


PARTICIPAÇÕES

O debate contará com a presença do secretário municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, André Reis, a procuradora do Ministério Público de Minas Gerais Cláudia Amaral Xavier, a presidente da Pastoral de Rua de Belo Horizonte, irmã Cristina e do cientista político Kaká Menezes.


Segundo Júnior, ainda não há uma data para que os programas sejam implementados. “Precisamos da participação da sociedade civil, empresários e do poder público para começarmos as primeiras reuniões, definir datas e metas”, frisa.


O movimento conta com o apoio do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), do Sindicato do Comércio Lojista de Belo Horizonte (Sindilojas BH e Região), da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Minas Gerais (Abrasel-MG) e da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Minas Gerais (ABIH-MG).


Para o presidente da Amosavassi, o momento exige que diferentes setores da sociedade deixem de atuar isoladamente. "A população em situação de rua é um desafio complexo, que exige soluções igualmente complexas. O Pacto pela Savassi nasce para unir esforços, integrar instituições e construir caminhos concretos para uma cidade mais humana, organizada e segura. Nossa proposta é transformar o diálogo em ações permanentes."

DESAFIOS

O Estado de Minas ouviu comerciantes e moradores para saber quais são os desafios enfrentados por quem vive e trabalha no bairro. Bruna Carvalho é dona de um restaurante localizado na Rua Tomé de Souza há três anos. Ela diz que os moradores em situação de rua causam transtornos aos clientes. “Infelizmente, eles aproveitam o horário do almoço para pedir. Isso acaba incomodando os clientes. Apesar de me comover com a situação dessas pessoas”, frisa.


A empresária conta que o restaurante não armazena alimentos no final do dia. Por isso, sempre que alguém pede comida, os funcionários fazem uma marmita e oferecem a pessoa em vulnerabilidade.


“A população em situação de rua cresceu nos últimos anos e parece que aqui na Savassi há uma concentração maior e acaba atrapalhando”, pontua.


Outro ponto levantado pela empresária é a segurança no bairro. Segundo ela, há cerca de três meses, o estabelecimento foi arrombado durante a madrugada. “Levaram televisão, notebook, dinheiro e outros itens.” Bruna ressalta que no mesmo dia outras lojas do entorno também foram alvo de arrombamento.
Ela reclama da falta de patrulhamento de policiais na região. Um terceiro ponto seria a limpeza urbana. “O caminhão com jato de água vem só depois do carnaval”, afirma. “A Savassi ficou um pouco abandonada, o movimento diminuiu muito. Muitas lojas fechando, outras para alugar”, completa.


A segurança também é motivo de preocupação para Jorge Miguel, gerente de uma loja de calçados na Praça da Savassi. “Eles (moradores em situação de rua) dominam a praça. Tem uma base de polícia do outro lado (no quarteirão fechado dos bares e restaurantes) e poderia ter aqui. Não existe patrulhamento com frequência. É raro algum Guarda Municipal vir aqui perguntar se está tudo bem. Acontece, geralmente, quando algum cliente é intimidado ou tem o celular roubado.”


Para o gerente, um patrulhamento traria uma sensação maior de segurança. Segundo ele, alguns moradores em situação de rua intimidam os clientes. “Mas, quando os policiais estão aqui, eles somem”, observa.
Dalva Goretti, de 63 anos, mora na Savassi há 28 anos e também cita a segurança e a conservação das calçadas como problemas mais relevantes. Ela diz que tem medo de sair à noite para bares e restaurantes e reclama ainda das abordagens constantes de vendedores ambulantes quando os estabelecimentos ficam nas calçadas. “Isso tudo leva as pessoas a irem para os shoppings. Com isso, vemos muitas lojas fechadas, outras para alugar há muito tempo.”


A moradora lembra que o bairro não ostenta o glamour dos áureos tempos, mas acredita que ele ainda oferece muitas vantagens e atrativos. “É um lugar que oferece cultura, com salas de cinema, museus, teatro. Há muitas opções gratuitas. A própria Praça da Liberdade e todo o circuito ao redor. A Savassi tem um potencial enorme. Mas se não houver cuidado, as pessoas vão deixando de aproveitar a parte boa”, conclui.


O QUE DIZ A PBH

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) informou, em nota, que a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos mantém atuação contínua no atendimento à população em situação de rua, com ações intersetoriais de assistência social, saúde, acolhimento, moradia, qualificação profissional e inserção produtiva.


“As equipes do Serviço Especializado em Abordagem Social (Seas) realizam abordagens diárias em todas as regionais da cidade, nos turnos da manhã, tarde e noite, com atendimento humanizado, construção de vínculo e articulação com a rede de proteção social”, diz o texto.


No atendimento, as equipes realizam acolhimento e escuta qualificada, orientação para regularização de documentação civil, encaminhamento para abrigos, alimentação e demais serviços, além de orientações para acesso a benefícios sociais, cita. “Importante mencionar que o serviço não realiza a remoção forçada das pessoas, desobstrução dos espaços públicos ou internações. Todo o processo considera a autonomia dos cidadãos e a garantia de seus direitos”, frisa.


A PBH destaca ainda que a situação de rua é um fenômeno complexo e demanda respostas em diferentes frentes. O Executivo Municipal ressalta que oferece serviços de saúde, com Consultório na Rua e Centros de Referência em Saúde Mental; assistência social, com Centros Pop, unidades de acolhimento e acesso ao CadÚnico e a benefícios sociais, como programas de transferência de renda; concessão de passagens para pessoas com vínculos familiares em outros municípios; programas de qualificação e inserção no trabalho, como Acessuas Trabalho, PMQER e Estamos Juntos; segurança alimentar, com acesso gratuito aos Restaurantes Populares; e moradia, por meio do Programa Bolsa Moradia.


Desde 2024, a PBH conta com a Diretoria de Políticas para População em Situação de Rua, Migrantes e Refugiados e, desde dezembro de 2025, executa o projeto Viver de Novo, voltado à ampliação e qualificação do atendimento, com foco em acolhimento, moradia, saúde, atendimento e emprego, reforçando a centralidade da pauta na atuação do município, informa o Executivo.


PATRULHAMENTO PREVENTIVO

Sobre a questão da segurança, a Guarda Civil Municipal de Belo Horizonte (GCMBH) destaca que exerce suas funções conforme a Lei Federal 13.022/2014, com foco no patrulhamento preventivo da cidade, para garantir a proteção e a segurança da população. De acordo com o órgão, as ações de patrulhamento preventivo, com rondas periódicas 24 horas, são feitas em toda a cidade, em atuação conjunta com as demais forças de segurança pública.


Em locais com maior demanda, caso da Praça da Savassi, o patrulhamento é intensificado, segundo a Guarda. No local, as equipes atuam por meio de policiamento a pé, patrulhamento com viaturas de quatro rodas e motocicletas, além do monitoramento pelo Centro Integrado de Operações (COP-BH).
“A população pode auxiliar com as denúncias pelos canais: telefone 153 (Guarda Civil Municipal), Portal de Serviços da Prefeitura e aplicativo BH SIM, e 190 da Polícia Militar”, diz a nota.


LIMPEZA

Em relação à limpeza, a SLU informa que mantém diálogo frequente com a Associação de Moradores da região. A coleta domiciliar de resíduos na Savassi é feita diariamente, de segunda a sábado, no período noturno. Já a coleta seletiva acontece uma vez por semana.


“A varrição é realizada de segunda a sábado, pela manhã e pela noite e, no domingo, pela manhã. A lavagem de vias é realizada diariamente, de segunda a sábado. A capina é realizada oito vezes por ano. O recolhimento das deposições clandestinas de resíduos é realizado de segunda a sábado, três vezes ao dia. A remoção de pichações é realizada uma vez por mês e a limpeza dos postes, com a retirada de cartazes e adesivos, é feita quinzenalmente”, ressalta o órgão.

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A SLU solicita ainda que moradores e comerciantes respeitem o horário da coleta domiciliar de resíduos e contribuam para a manutenção da limpeza. “O correto é colocar o lixo no passeio para o recolhimento a partir de 19h, já que a coleta é noturna”, conclui. 

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