A comandante-geral da Polícia Militar (PMMG), coronel Cleide Barcelos, afirmou na tarde desta quarta-feira (22/7), durante o velório da capitã Michele Leão, em Belo Horizonte, que a morte da oficial "toca a alma" da corporação e reforça a necessidade de intensificar o combate à violência doméstica e familiar contra a mulher. A cerimônia ocorreu na Funerária Dom Bosco, no Bairro Lagoinha, na Região Noroeste, e reuniu familiares, amigos, colegas de farda e autoridades.

Em pronunciamento, a comandante destacou que, ao longo de quase três décadas de carreira na Polícia Militar, poucas situações foram tão marcantes quanto a perda de uma mulher em circunstâncias de violência.

"Nos meus 29 anos de polícia e aproximadamente dois meses no comando da instituição, eu aprendi uma coisa: não existe nada mais triste do que a perda de uma mulher. A morte da capitã Michele, assim como a de todas as outras mulheres vítimas da violência doméstica e familiar, nos toca a alma", declarou.

Segundo a comandante, crimes dessa natureza representam um desafio permanente para a sociedade e exigem atuação firme das forças de segurança. Ela classificou a violência doméstica como um "inimigo muitas vezes invisível", que atinge milhares de mulheres e famílias.

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"Toda a nossa sociedade pode continuar acreditando no firme propósito da nossa instituição de proteger todas as famílias e todas as mulheres do Estado de Minas Gerais. Esse é o nosso propósito, essa é a nossa missão. Nós não vamos recuar, mesmo diante dos maiores desafios e das maiores dificuldades. Continuem contando com a Polícia Militar", declarou.

Caso é investigado como feminicídio

A policial morreu na última segunda-feira (20/7), e o caso é investigado pela Polícia Civil. O marido dela, o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, foi preso em flagrante e é apontado como o principal suspeito.

A morte de Michele provocou grande comoção entre familiares, amigos e integrantes da corporação. A militar deixa um filho de 10 anos, chamado Guilherme, fruto de um casamento anterior.

Após Michele dar entrada no Hospital Metropolitano Odilon Behrens já sem sinais vitais e com múltiplas lesões pelo corpo, os médicos constataram ferimentos incompatíveis com a versão inicialmente apresentada pelo companheiro da vítima.

A Polícia Civil informou que a prisão em flagrante do sargento foi fundamentada, entre outros elementos, na gravidade e na diversidade das lesões encontradas no corpo da capitã, além de contradições nos relatos apresentados durante a investigação. A perícia e a análise de outras provas seguem em andamento.

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Segundo a versão apresentada pelo militar aos policiais, o casal teria participado de uma confraternização na residência e, após a saída dos convidados, mantido relações sexuais consensuais com práticas de dominação e agressões físicas. Ele também afirmou que Michele teria sofrido uma queda dentro da casa. A corporação, no entanto, informou que todas as circunstâncias da morte continuam sendo investigadas e aguarda a conclusão dos laudos periciais para esclarecer a dinâmica dos fatos.

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