CRM estuda medidas para combater casos de agressão a médicos
Com Minas entre os estados com mais casos de violência contra médicos, conselho busca fortalecer medidas de prevenção e proteção aos profissionais
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O Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM-MG) adota medidas de prevenção e combate à violência contra os médicos no ambiente de trabalho no estado. O assunto foi discutido em encontro realizado em Montes Claros, no Norte de Minas, nessa sexta-feira (24/7).
A reunião contou com a presença do presidente do CRM-MG, Ricardo Hernane Lacerda de Oliveira; do delegado regional do conselho em Montes Claros, Itagiba de Castro Filho; do secretário municipal de Segurança Integrada, Jarson Jansen; e de representantes da Secretaria de Saúde do Município e dos hospitais da cidade.
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O encontro foi motivado depois que, no fim de junho, uma médica foi agredida fisicamente pela mãe de um paciente internado dentro da Santa Casa de Montes Claros, maior hospital credenciado pelo Sistema Único de Saúde (Norte de Minas).
De acordo com o Conselho Federal de Medicina (CFM), os casos de violência contra os médicos em estabelecimentos de saúde aumentaram consideravelmente no país nos últimos anos. Segundo os números da entidade, 12 médicos (um a cada duas horas) são vítimas de algum tipo de violência no exercício da profissão no território nacional.
Conforme o CFM, em 2024 (o último levantamento disponível), foram registrados no Brasil 4.562 boletins de ocorrência em delegacias de Polícia Civil, envolvendo situações de agressão contra os profissionais de jaleco branco, incluindo lesão corporal, ameaça, injúria, difamação e outras formas de agressão e constrangimento.
Ranking de violência
Com 460 casos anuais, Minas Gerais aparece em terceiro lugar no país no ranking da violência contra médicos, atrás de São Paulo (832 casos) e do Paraná (560 casos).
O presidente do CRM-MG, Hernane Lacerda de Oliveira, salientou que os casos de violência contra os médicos vêm aumentando em todo o estado, situação que levou a entidade a debater as ações para garantir a segurança da categoria.
"Têm chegado ao conhecimento do conselho vários casos de violência contra médicos. Vamos estabelecer medidas sobre como exatamente proteger o médico, a equipe de saúde e, consequentemente, o paciente", assegurou Oliveira.
Ele disse que o Conselho Regional de Medicina avalia as condições de funcionamento das unidades de saúde e a segurança oferecida aos profissionais da área.
“Vamos tentar construir mecanismos para melhorar o atendimento e também para proteger o profissional e o paciente”, disse o presidente do CRM-MG.
Por sua vez, o delegado regional do CRM-MG, Itagiba de Castro Filho, destacou que o encontro em Montes Claros foi inserido dentro de uma agenda de uma série de reuniões que a entidade promove em diferentes locais do estado, para discutir e tomar providências a fim de garantir a segurança dos médicos, diante do aumento dos episódios de violência contra os profissionais.
"Será criada pelo conselho uma comissão para tratar de implementar medidas para assegurar um mínimo de segurança aos profissionais de saúde", anunciou Itagiba.
Canal de denúncias
O Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais criou um canal de denúncias para os profissionais de saúde vítimas de violência nos locais de trabalho. Por meio do seu site, a entidade publicou um passo a passo, orientando os médicos sobre como agir diante das agressões sofridas no exercício da atividade profissional.
A primeira recomendação é "pedir ajuda", devendo o médico "solicitar o comparecimento da Polícia Militar ou se deslocar à delegacia mais próxima para registrar um boletim de ocorrência. No caso de violência física, haverá a necessidade de exame de corpo de delito".
O conselho recomenda ainda que a vitima deve "apresentar os dados dos envolvidos na agressão e das testemunhas".
Outra orientação é "comunicar o fato imediatamente às diretorias clínica e técnica ou à chefia imediata da unidade de saúde para providenciar outro médico para assumir suas atividades", procedendo, em seguida o encaminhamento da denúncia do próprio CRM – MG.
Repúdio de entidades médicas contra a violência
A agressão contra a médica da Santa Casa de Montes Claros ocorreu em 23 de junho. As entidades médicas de Minas Gerais divulgaram uma nota conjunta, repudiando a violência sofrida pela profissional de saúde.
"O episódio marca mais um caso da crescente onda de violência contra médicos e profissionais da saúde no ambiente de trabalho, cenário que compromete a segurança dos profissionais de saúde e, consequentemente, a qualidade da assistência prestada à população", diz o comunicado.
A nota conjunta foi assinada pelo CRM-MG, a Academia Mineira de Medicina (AMM), a Associação Médica de Minas Gerais (AMMG) e o Sindicato dos Médicos de Minas Gerais.
Nota da Santa Casa
A Santa Casa de Montes Claros também divulgou nota, lamentando a agressão sofrida pela médica e prestando solidariedade à profissional, "que recebeu todo o apoio e acolhimento da instituição desde a ocorrência", garante a direção do hospital.
"Tão logo o fato foi registrado, a Santa Casa adotou todas as medidas necessárias para prestar assistência à médica e conduzir o caso, seguindo seus protocolos internos e tomando as providências cabíveis", diz a nota.
E prossegue: "O hospital reitera que a segurança de seus colaboradores é prioridade e mantém estrutura de vigilância, com equipe de segurança e sistema de monitoramento por câmeras, buscando garantir um ambiente seguro para profissionais, pacientes e acompanhantes.
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A instituição ressaltou ainda que a agressão à médica trata-se de "um episódio isolado, que, infelizmente, poderia ocorrer em qualquer serviço de saúde". "A Santa Casa Montes Claros reafirma seu compromisso com a promoção de um ambiente de trabalho seguro, humanizado e respeitoso, repudiando qualquer forma de violência contra seus colaboradores", conclui o comunicado.