A virada do Brasil sobre o Japão na Copa do Mundo levou torcedores do sofrimento à euforia, na tarde desta segunda-feira (29/6), nos bares da Rua Antônio de Albuquerque, na Savassi, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Em pleno horário comercial, a partida começou às 14h (horário de Brasília) e reuniu centenas de pessoas que foram liberadas mais cedo do trabalho para acompanhar o jogo. Depois de sair atrás no placar ainda no primeiro tempo, o Brasil empatou logo no início do segundo tempo e garantiu a classificação com o gol da vitória nos últimos minutos dos acréscimos.
Antes de a bola rolar, os bares estavam lotados e a expectativa era grande entre os torcedores. O estudante Pedro Lages, de 19 anos, apostava em uma vitória tranquila da Seleção e no protagonismo de Vinícius Júnior. "Bora, Brasil, ganhar essa Copa. Eu acredito. Vamos unir a galera toda. Vai dar Brasil. O destaque hoje, de novo, vai ser o Vini Júnior. Vai ser 3 a 1 hoje. Rumo ao hexa!".
O gol do japonês Kaishu Sano, aos 29 minutos do primeiro tempo, trouxe apreensão e silêncio momentâneo entre os torcedores, que seguiram confiando na reação brasileira.
Morando nos Estados Unidos, a empresária Samylla Gonçalves, de 35 anos, viajou ao Brasil com o marido, Liniker, e os quatro filhos — Clara de 10, Francisco de 9, Filipe de 7 e Catarina de 5 —, que nasceram em solo estadunidense, especialmente para acompanhar a Copa do Mundo.
"Viemos para o Brasil para mostrar para as crianças a experiência de como ser brasileiros e vivenciar a Copa do Mundo aqui no Brasil com o fanatismo do futebol. A gente tenta mostrar muito da nossa cultura brasileira para as crianças. Todos eles amam o futebol e torcem para o Brasil."
O engenheiro civil Sávio Aguiar, de 26, manteve a esperança na virada mesmo depois do gol japonês. "Desde a última Copa eu venho com a família e amigos assistir aos jogos na Savassi. Com o Japão na frente, a expectativa é que agora Ancelotti coloque o Neymar e o Endrick para a gente fazer a virada, 3 a 1, se Deus quiser."
Aos 64 anos, o técnico em telecomunicações Edilio Marques Moreira já viu o Brasil ganhar três mundiais e se manteve confiante mesmo com os japoneses na frente do placar. "Gosto sempre de acompanhar os jogos com meus amigos, mas infelizmente hoje não estou com eles porque o trânsito estava muito complicado e atrasei. Tenho certeza que o Brasil vai virar e aposto que o Endrick vai entrar e fazer um gol. Vai dar 3 a 1 para o Brasil."
O empate de Casemiro, aos 11 minutos do segundo tempo, devolveu a esperança aos torcedores. Já nos acréscimos, o gol de Gabriel Martinelli fez os torcedores explodirem em comemoração, com abraços, gritos e muita festa.
Depois da classificação, o empreendedor Rafael Loque, de 23, resumiu o sentimento da torcida. "Achei o jogo tenso demais, mais do que a gente gostaria, mas no fim deu certo. Esse ano será o último que a gente vai ter as cinco estrelas e nós vamos buscar a sexta." Para a próxima fase, ele demonstrou confiança. "Acho que vamos pegar a Noruega, mas vem tranquilo. Haaland vai estar no bolso da zaga."
O gerente de exames Edmilson Mendonça, de 50, foi ao bar com a esposa, Daniela, as filhas Manuela, de 13, e Camila, de 9, além de amigos. "Vim assistir ao jogo com a minha família e amigos logo depois de buscar as minhas filhas na escola para dar um suporte para a nossa Seleção."
Segundo ele, a classificação teve a cara da Seleção Brasileira. "Brasil é sempre na emoção. É sempre ali no último minuto. Mas valeu a festa e valeu muito a pena estar aqui com a minha família e meus amigos." Sobre a próxima fase, manteve o otimismo: "Agora, dia 5, vamos arrebentar. Sendo a Noruega ou a Costa do Marfim, vamos passar por cima."
Classificado, o Brasil volta a campo no próximo domingo (5/7), na Filadélfia, para enfrentar o vencedor do duelo entre Noruega e Costa do Marfim pelas oitavas de final da Copa do Mundo.
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*Estagiária sob supervisão da subeditora Regina Werneck
