Novas etapas da investigação sobre a morte de Cristiano Barbosa, empresário de 50 anos desaparecido desde 20 de abril, em Belo Horizonte, foram concluídas nesta segunda-feira (8/6) pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). Segundo a corporação, o caso, inicialmente tratado como desaparecimento, foi esclarecido como latrocínio praticado por três autores, até então amigos da vítima, já presos.

As apurações apontam ainda tortura, sequestro, ocultação de cadáver — localizado em área rural de Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte —, incêndio e fraude processual. Antes de ser morto, a vítima teve R$ 40 mil transferidos de suas contas bancárias.

As informações foram apresentadas pelo Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

O crime começou na madrugada de 20 de abril, no bairro São João Batista, região de Venda Nova, em Belo Horizonte. Cristiano era dono de uma hamburgueria ao lado de sua residência.

A polícia identificou desde o início indícios de que não se tratava de desaparecimento voluntário. Um dos fatores foi a quebra da rotina de guarda compartilhada da filha da vítima, de 9 anos. No mesmo dia, um dos suspeitos entregou a criança à mãe sem a presença do pai e sem os pertences pessoais.

Segundo o delegado Alexandre Oliveira, um dos autores, amigo da vítima, monitorou a rotina de Cristiano e, no dia anterior, esteve na hamburgueria observando a movimentação. Após a saída do último funcionário, chamou os demais envolvidos. A vítima foi surpreendida e dominada, e a filha também foi levada, permanecendo por horas no veículo com os criminosos.

O grupo circulou durante a madrugada e parte da manhã por cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte, incluindo Sabará, Santa Luzia, Esmeraldas e a região do Parque Estadual da Serra do Rola-Moça. A ocultação do corpo ocorreu em área rural de Sabará.

Durante o período em que esteve sob poder dos criminosos, Cristiano foi obrigado a fornecer acesso às contas bancárias. Com uso de aplicativos, foram feitas transferências de R$ 40 mil, depois divididas entre os envolvidos. Há indícios de que ele tenha sido torturado para fornecer senhas, inclusive com a filha sendo usada como forma de coação.

As investigações apontam motivação patrimonial e conflitos pessoais. Um dos suspeitos acreditava em um suposto relacionamento da vítima com sua companheira, hipótese não confirmada. Outro, empresário e amigo da vítima, teria acumulado ressentimento após ser citado por Cristiano em uma acusação de abuso sexual envolvendo uma enteada. Ele também havia contratado um seguro de vida em que figurava como beneficiário, utilizado pelos investigadores como possível parte do planejamento do crime.

“Não existe seguro de vida como garantia adequada de dívida. O seguro de vida serve para proteção dos beneficiários em caso de morte. Existem outros instrumentos legais para garantir uma dívida. Todos esses elementos demonstram que havia uma intenção patrimonial relacionada à morte da vítima”, explicou Alexandre Oliveira.

Após o desaparecimento, a polícia analisou imagens, dados de telefonia e monitoramento veicular. Um dos suspeitos deixou Minas Gerais e foi localizado em Brasília, após passar por Goiás e indicar intenção de fuga para o Paraguai. Ele colaborou parcialmente e indicou o local onde o corpo estava.

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Os três principais envolvidos foram presos e dois confessaram participação, embora tentassem minimizar o envolvimento. A investigação aponta ainda um quarto suspeito. O caso segue em apuração.

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