Como fica o clima em julho?
Previsão indica chuvas raras, temperaturas acima da média, maior amplitude térmica e umidade crítica a partir da segunda quinzena
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Depois de um junho marcado por sucessivas ondas de frio, os mineiros devem encontrar um cenário diferente em julho. A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indica que o estado terá calor acima da média durante as tardes, umidade do ar cada vez mais baixa e menos episódios de frio ao longo do mês. Ainda assim, massas de ar frio podem provocar geadas no Sul do estado.
Julho faz parte do trimestre mais seco do ano em Minas, junto com os meses de junho e agosto. Segundo a meteorologista do Inmet, Anete Fernandes, a ocorrência de chuva nesse período é considerada rara e, quando acontece, normalmente está associada à passagem de frentes frias pelo continente.
Esses sistemas podem provocar precipitações principalmente no Sul e na faixa Leste do estado. Em muitos casos, porém, as frentes frias seguem pelo oceano, limitando a chegada da umidade no continente. Nessas situações, as chuvas costumam ocorrer apenas de forma isolada, com baixo volume, podendo se manifestar como chuviscos ou chuva fraca.
Mesmo com pouca chuva prevista, a meteorologista alerta que episódios isolados podem ocorrer acompanhados de granizo, principalmente nas regiões Sul e da Zona da Mata. "No entanto, esse tipo de ocorrência só pode ser confirmado com maior antecedência quando os sistemas meteorológicos estiverem mais próximos", afirmou Anete.
Outra característica marcante do mês será a grande amplitude térmica. Isso significa que os mineiros devem continuar enfrentando manhãs frias, com sensação de frio nas primeiras horas do dia, e tardes mais quentes, com temperaturas elevadas em praticamente todas as regiões do estado.
De acordo com Anete, esse comportamento já é esperado. "A grande amplitude térmica diurna é uma característica do nosso inverno, que coincide com o período seco no estado, então são esperadas temperaturas mais amenas pela manhã e mais elevadas à tarde."
Segundo o ClimaTempo, a previsão para o mês indica temperaturas variando entre 14°C e 25°C na Grande BH. No Sul de Minas, os termômetros devem marcar entre 11°C e 23°C. Já no Triângulo Mineiro, a previsão é de temperaturas entre 14°C e 27°C. No Norte de Minas, os valores devem oscilar entre 14°C e 28°C, enquanto no Leste de Minas a expectativa é de temperaturas entre 15°C e 28°C.
No entanto isso não significa ausência de frio. " As massas de ar frio ainda chegam no estado com intensidade suficiente para provocar o que nós chamamos de episódios frios, que é declínio da temperatura de um dia para o outro e permanência de temperaturas mais ou menos por dias consecutivos, como nós tivemos aí no decorrer do mês de junho", afirmou Anete.
A principal diferença é que esses episódios devem ser menos frequentes do que o habitual. Durante essas incursões de ar frio, permanece a possibilidade de formação de geada no Sul de Minas, região que tradicionalmente registra as menores temperaturas do estado durante o inverno.
A previsão de temperaturas acima da média também está relacionada ao início da influência do fenômeno El Niño. Conforme explica a meteorologista, o fenômeno começou a se estabelecer em junho e já pode exercer impacto sobre as temperaturas durante julho.
Porém, a expectativa é de que seus efeitos sejam mais perceptíveis a partir de agosto e setembro, quando a tendência de temperaturas mais elevadas costuma se intensificar em diversas regiões do país.
Outro fator que exige atenção ao longo de julho é a queda da umidade relativa do ar. "Os índices críticos de umidade, abaixo de 30%, normalmente, se tornam frequentes a partir de meados de julho, mas podem acontecer antes. Costumam começar no Triângulo Mineiro, Oeste, Sul, Noroeste e Norte, se espalhando para todas as regiões mineiras a partir de fim de julho e durante agosto", explica Anete.
A combinação de calor durante as tardes, baixa umidade e ausência de chuva também aumenta o risco de queimadas. Embora os incêndios florestais sejam provocados, na maioria das vezes, pela ação humana, as condições meteorológicas favorecem a rápida propagação do fogo, dificultando o controle das chamas.
Dados divulgados pelo Corpo de Bombeiros mostram que Minas Gerais registrou 3.560 ocorrências de queimadas só em julho de 2025, uma média de cerca de 115 casos por dia. Apesar do número elevado, o volume ficou abaixo do recorde dos últimos cinco anos, registrado em 2024, quando houve 4.540 ocorrências no mesmo mês. Em 2023, foram contabilizados 3.074 focos; em 2022, 3.822; e, em 2021, 4.517.
Além dos impactos ambientais, o ar seco também pode provocar desconforto à população, agravando problemas respiratórios, irritação nos olhos, nariz e garganta, além de aumentar a necessidade de hidratação ao longo do dia.
Diante desse cenário, para reduzir os impactos do tempo seco, a Defesa Civil orienta que a população:
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- Hidrate-se durante o dia;
- Prefira alimentos leves e frescos, como saladas, frutas, carnes grelhadas;
- Evite frituras;
- Durma em local arejado e umedecido por aparelhos umidificadores, ou ainda coloque uma bacia com água no quarto;
- Evite atividades físicas ao ar livre e exposição ao sol entre as 10 e 17 horas;
- Evite banhos com água muito quente para não potencializar o ressecamento da pele. Se necessário use hidratante;
- Em caso de problemas respiratórios procure um especialista;
- Não provoque queimadas em lotes vagos, matas ou florestas. Em caso de incêndio avise imediatamente, ao Corpo de Bombeiros (193), Defesa Civil (199) ou Polícia Militar (190).
*Estagiária sob supervisão da subeditora Juliana Lima