A integração das populações consumidoras das águas da transposição do Rio São Francisco com os esforços de revitalização de toda a rede de rios que forma o Velho Chico e a atualização do plano de bacia desde Minas Gerais até a foz, entre Alagoas e Sergipe. Estes são os dois esforços considerados como os mais desafiadores - e necessários - para se revitalizar o rio, segundo a diretoria do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF).

Os rumos indicados estão entre as ações para proteção do Rio da Integração Nacional, lançados nesta quarta-feira (6/5) dentro da campanha “Eu viro carranca para defender o Velho Chico”, na Fundação Casa de Jorge Amado, em Salvador. 

“Estamos iniciando a atualização do nosso Plano Integrado de Recursos Hídricos da Bacia, que vai ser realizado com a colaboração das bacias de todos os estados. Esse é talvez o nosso maior desafio. Um plano que reflita as realidades dos estados (Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe)”, destacou o presidente do CBHSF, Cláudio Ademar da Silva.

 

Por meio do plano se terá um diagnóstico mais preciso das bacias e se articularão as ações de preservação, as atividades existentes, os consumos da água, o tratamento e despejo de efluentes bem como todo o planejamento para as águas da bacia hidrográfica interestadual.

“O plano só refletirá a realidade da bacia se estiver representado pelos estados e comunidades. Nosso plano vai ser forte se for participativo”, afirma Silva, que destaca ser essa uma iniciativa financiado pelo CBHSF, mas de propriedade da bacia.

“Temos divergências e convergências na bacia, entre os estados, mas a nossa principal convergência é que precisamos de água de qualidade e em boa quantidade. E o plano é uma ferramenta para isso”, definiu o presidente do CBHSF.

Outro ponto de importância destacado é a inserção das comunidades e representações dos 12 milhões de pessoas que não estão na Bacia do Rio São Francisco, mas que recebem a água da transposição.

“Com isso, totalizamos 30 milhões de brasileiros dentro da bacia. E são então todos eles responsáveis e interessados em revitalizar e cuidar das águas que os abastece”, aponta Silva.

O presidente informou, ainda, que uma expedição pelos canais e redes de distribuição das águas da transposição do Rio São Francisco vai ser lançada justamente dentro desse esforço pela adesão de todos os consumidores.

O lema da campanha “Eu viro carranca para defender o Velho Chico” de 2026 é “Velho Chico um rio, muitas mãos”.

A campanha será realizada com ações que envolvem toda a bacia nos cinco estados e campanhas presenciais em quatro municípios que representam realidades diferentes da bacia: Paracatu (MG), no Noroeste de Minas; Érico Cardozo (BA), Juazeiro (BA) e Canindé do São Francisco (SE).

“O lema traduz aquilo que acreditamos: o Rio São Francisco é um só. Mas ele atravessa diferentes realidades. Para cuidar dele precisamos de muitas mãos. (Precisamos) Dos comitês de afluentes, governo, comunidades, academia, iniciativa privada e da sociedade como um todo”, afirma o presidente do CBHSF.

A iniciativa celebra os 25 anos de atuação do CBHSF. A iniciativa busca influenciar a gestão dos recursos hídricos e promover o uso sustentável da água, afetando diretamente comunidades ribeirinhas, setores da agropecuária e a geração de energia elétrica. 

A secretária-executiva do CBHSF, Rosa Cecília, destacou a importância da participação das mulheres. “Quero deixar um chamamento para as mulheres e é uma campanha para uma vida toda. A mensagem chegar a todos e a defesa chegue a quem depende do rio e reside na bacia, para que proteja as nascentes e as águas que chegam aos rios”, defendeu.

É uma grande felicidade e estamos no caminho certo nestes 25 anos de comitê. Vejo uma união da bacia em prol do fortalecimento do nosso rio e isso tem uma simbologia muito grande para o país, pois é o Rio da Integração Nacional e a revitalização é o que buscamos em comum”, definiu o coordenador da Câmara Consultiva Regional (CCR) do submédio São Francisco, Elias Silva.

“Com a campanha unificamos as vozes. Não é contra ninguém. É para levantar a voz em defesa do rio dos ribeirinhos. O comitê quer conclamar neste dia a população brasileira e especialmente da bacia para virar carrancas para defender o Velho Chico”, disse Maciel Oliveira, coordenador da Câmara Consultiva Regional (CCR) do baixo São Francisco.

Desde a sua fundação em 2001, o comitê desempenha um papel central na articulação de investimentos e políticas voltadas para a bacia. 

A proposta deste ano é ampliar o diálogo entre gestores públicos e usuários da água para a construção colaborativa do Plano Integrado de Recursos Hídricos, fortalecendo a participação dos comitês de bacias afluentes.

A campanha “Eu Viro Carranca” foi concebida em 2014 e, ao longo de mais de uma década, tornou-se uma das maiores referências em mobilização social no Brasil. 

Em 2021, o projeto conquistou o primeiro lugar no Prêmio ANA, reconhecimento concedido pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, devido à sua eficácia em sensibilizar a sociedade civil e instituições privadas sobre a importância da preservação ambiental.

Um dos detalhes mais relevantes da mobilização é a realização de eventos simultâneos em 3 de junho, instituído como o Dia Nacional em Defesa do Velho Chico. Este ano, as cidades de Paracatu (MG), Érico Cardoso (BA), Juazeiro (BA) e Canindé de São Francisco (SE) foram selecionadas para representar as diferentes regiões fisiográficas da bacia. 

A escolha dessas localidades reforça a necessidade de proteger não apenas o leito principal do rio, mas também as áreas que dependem diretamente de seus afluentes.

A campanha também dedica atenção especial à educação ambiental voltada para o público jovem. Por meio de exposições, jogos interativos e cartilhas educativas, o CBHSF busca conscientizar as novas gerações sobre a preservação hídrica. 

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A programação detalhada de cada município será divulgada em breve, com o objetivo de formar cidadãos mais responsáveis quanto ao manejo da água e à proteção dos ecossistemas locais.

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