Famílias separadas há anos estão bem perto de se reencontrarem. A boa nova veio nesta sexta-feira (17/4) com a chegada de mais um voo de haitianos ao Brasil. O desembarque, realizado pela manhã no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, na região metropolitana, reuniu 146 passageiros – 35 crianças e adolescentes, 52 mulheres e 59 homens – que vieram ao encontro de parentes já estabelecidos no país.
Segundo Fernanda Becker, coordenadora de Promoção dos Direitos das Pessoas Migrantes, Refugiadas e Apátridas do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, o fluxo atual é resultado de um movimento iniciado ainda no começo da migração haitiana para o Brasil.
“Primeiro vieram, em sua maioria, homens solteiros. Com o tempo, eles se estabeleceram e passaram a chamar seus familiares. Isso aumentou muito a demanda por reunião familiar”, explica Fernanda.
De acordo com a coordenadora, o acúmulo de pedidos gerou uma fila que chegou a cerca de oito anos no Ministério da Justiça. Para tentar resolver o problema, uma portaria publicada no fim do ano passado ampliou o prazo para análise dos processos e deu início a uma força-tarefa para acelerar os atendimentos.
A expectativa é de que, até meados deste ano, o número de chegadas continue elevado. “Tem vindo uma média de dois a três voos por mês, com cerca de 100 a 150 pessoas em cada”, afirma a representante da pasta.
Viagem cara e sem apoio governamental
Apesar da dimensão humanitária do processo, a vinda ao Brasil não conta com financiamento público. Os próprios migrantes arcam com os custos, que segundo a coordenadora, costumam ser altos.
Atualmente, não há voos comerciais diretos entre o Haiti e o Brasil. As viagens são realizadas por meio de fretamentos organizados por grupos de migrantes, muitas vezes articulados em redes sociais. “Eles pagam muito caro para vir. Não há custeio do governo brasileiro nem do haitiano”, ressalta Fernanda.
Embora o desembarque tenha ocorrido em Confins, Minas Gerais não deve ser o destino final da maioria dos passageiros. De acordo com a coordenadora, os aeroportos são utilizados apenas como porta de entrada no país. “A grande maioria segue para o Sul (do país) ou para São Paulo, onde já têm familiares e redes de apoio”, diz.
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Recepção e documentação
Diferentemente das chegadas anteriores, o desembarque desta sexta-feira contou com uma operação estruturada de acolhimento. A ação reuniu órgãos do governo federal, organismos internacionais e entidades da sociedade civil.
Participaram da recepção equipes da Organização Internacional para as Migrações (OIM), além de representantes do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome e tradutores vinculados a redes de apoio a migrantes.
No local, os recém-chegados receberam orientações básicas, apoio para pré-documentação e informações sobre acesso a serviços públicos no Brasil. “É um primeiro acolhimento. A gente orienta sobre direitos, transporte e encaminha para os serviços disponíveis”, explica Fernanda.
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*Estagirária sob supervisão da subeditora Regina Werneck
