A engenheira Ana Lúcia Moreira Yoda, da Tractebel Engineering, responsável pela assinatura de laudos de estabilidade da barragem B1 da Vale, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, prestou depoimento nesta segunda-feira (13/4), durante audiência de instrução no Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6). A estrutura se rompeu em 25 de janeiro de 2019 e causou a morte de 272 pessoas.
O TRF6 não revelou informações sobre o teor do depoimento de Yoda. Pablo Martins, advogado da equipe de litígios e direitos humanos do Instituto Cordilheira, organização não governamental com sede em Belo Horizonte que participou da oitiva, afirmou que a audiência foi "bem importante para a análise desses aspectos e trouxe elementos muito contundentes, que serão devidamente apreciados pelo juízo competente no momento da prolação da sentença".
Yoda assinou laudos de estabilidade da barragem de Brumadinho entre 2017 e 2018, meses antes da tragédia. Em abril de 2019, quando participou de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado que investigou o rompimento da estrutura, a engenheira afirmou que, enquanto atuou na mina, não havia nenhum indicativo de risco iminente. De acordo com ela, à época, os indicadores estavam "dentro das leituras históricas".
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Ela esclareceu que, após uma reclassificação pela Tractebel do fator de segurança da barragem, em junho de 2018, o gestor da Vale, responsável pelo contrato da Mina de Brumadinho, Washington Pirete, achou melhor deixar a análise sob a responsabilidade da alemã TÜV Süd, que atestou por último a estabilidade da estrutura da barragem que se rompeu.
Ainda segundo Yoda, a justificativa para a troca de empresas dada pelo gestor foi de que a alemã teria estrutura melhor para avaliar a barragem. "A Tractebel decidiu não trabalhar mais com declarações de segurança de estruturas de barragens", afirmou aos senadores.
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Sobre o que teria causado o rompimento da estrutura em Brumadinho, a engenheira disse à CPI que não sabia responder. "Muito difícil (saber o que aconteceu). A coisa que está mais perturbando a comunidade técnica é essa pergunta. Eu não saberia dizer com os elementos que eu tenho. A gente tem tentado estudar, mas eu não saberia dizer, tenho medo de ser leviana", concluiu.
