Nova União – A passagem eventual de carroças levando leite, ônibus rurais transportando alunos, outros veículos sem pressa e até travessias de boiadas acabam contrastando com um fluxo crescente de visitantes por vias que cortam plantações e propriedades na zona rural pelo interior de Minas. Turistas buscando cachoeiras, hospedagens rurais e gastronomia típica, sobretudo em feriados prolongados, cada vez mais procuram esses caminhos, que escondem problemas bem diferentes dos encontrados em corredores de tráfego intenso.

Como a reportagem do Estado de Minas mostrou na última edição, sinistros de trânsito em vias estaduais e locais nos arredores de Belo Horizonte aumentaram de 2024 para 2025, servindo de alerta para viajantes, especialmente em feriados e fins de semana. Para ajudar no planejamento desses deslocamentos, relativamente curtos, mas com seus próprios riscos, o EM selecionou 10 destinos que abrigam atrativos disputados em um raio de aproximadamente 100 quilômetros da capital, por estradas que, diferentemente das rodovias federais mais movimentadas, como as BRs 381, 040 e 116, não são tão conhecidas dos viajantes.


Nesse mapeamento entraram vias estaduais e locais para Altamira (Nova União); Bação (Itabirito); Casa Branca (Brumadinho); Esmeraldas e Vianópolis (Betim); Ipoema (Itabira); Lavras Novas (Ouro Preto); Macacos/São Sebastião das Águas Claras (Nova Lima); Moeda e Belo Vale; Piedade do Paraopeba, Retiro do Chalé e Aranha (Brumadinho); Santa Luzia, Taquaraçu de Minas e São José da Serra (Jaboticatubas); e Serra dos Alves (Itabira).


O que dizem os números?

No total, os caminhos até esses destinos somaram 1.240 sinistros, 18 mortes e 339 pessoas feridas entre 2022 e 2025, segundo informações da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). A média é de 310 ocorrências, cinco óbitos e 58 lesionados por ano nesses circuitos.


São desastres associados a riscos difíceis de ser percebidos em locais como a estrada rural de terra para Altamira (Nova União), destino de busca crescente para sítios, turismo rural, cachoeiras, pousadas e gastronomia típica. Nas franjas da Serra do Cipó, o povoado pode ter as condições de tráfego prejudicadas devido à época de chuva.


Pertencente a Nova União, na Grande BH, o lugarejo bucólico fica a 76 quilômetros de Belo Horizonte e é caminho para cachoeiras, além de ter festas regionais concorridas como a da Banana. Encanta também pelo ritmo lento do interior, pela produção de frutas, doces e cachaça, pelo conforto das pousadas e pelo visual estonteante das montanhas.


Contudo, chegar até lá inspira cuidados. Entre 2022 e 2025, foram 54 sinistros, duas mortes e 10 pessoas feridas pelo caminho. A partir do trevo da BR-381, no distrito de Nova Aparecida, a estrada segue até a área urbana de Nova União, justamente o trecho estreito e sinuoso que registrou os dois casos fatais.


Cuidado: risco de animais na pista

Depois da sede, entre imensas plantações de banana em curvas que contornam morros, as condições do pavimento pioram gradualmente, com buracos e trincas. Na altura de Conceição, o asfalto dá lugar a bloquetes de concreto e paralelepípedos, mas do fim do povoado em diante, a estrada é de terra.


Um dos riscos ao tráfego crescente é representado por animais circulando livres. De repente, ao fim de uma curva, vacas no meio da pista ou cavalos cruzando de um lado ao outro podem surgir sem aviso. No trecho sem pavimentação, com a chuva, a lama se acumula em atoleiros e torna também as subidas escorregadias. Isso obriga muitos motoristas a acelerar, levando a outros riscos.


A Rua Geraldo de Arcanjo/Estrada do Carmo, registrou 11 ocorrências e três pessoas feridas entre 2022 e 2025. Uma das curvas mais perigosas, sobre o Córrego da Cozinheira, ocorre justamente entre duas descidas opostas, onde muitos veículos costumam acelerar para conseguir embalar e vencer a forte subida que se segue, sem visibilidade, podendo se expor a colisão com animais ou outros veículos.


O alerta de quem conhece o local

O agricultor Aurélio Firmino Magalhães, de 77 anos, diz que o aumento do tráfego é notável em Altamira, e alerta para as condições sob chuva. “Vem muita gente de fora nos fins de semana, por causa das águas que são muito boas, muitos poços e cachoeiras. Tem dia que a estrada está boa, mas quando chove fica ruim. Dá barro, tem lugar que carro não sobe nem desce, mas acaba que as pessoas passam. Se pudessem fazer mais calçamentos, seria melhor”, disse.


O agricultor conta que muitos já morreram nas estradas da região ao longo de muitos anos, inclusive seu avô. Uma cruz fincada entre Altamira de Baixo e Altamira de Cima, na Rua Geraldo de Arcanjo, na encruzilhada para a Cachoeira Mutuca, lembra a todos dos riscos escondidos naquelas curvas.

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Por telefone, a Prefeitura de Nova União informou que faz manutenções e melhorias regulares em estradas rurais como a de Altamira, inclusive implementando calçamento nos trechos de morros mais acentuados.

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