RELIGIÃO

São Roque retorna a santuário de cidade mineira após sumiço de 30 anos

Recuperada pelo Ministério Público, peça sacra furtada em 1996 será devolvida nesta quinta-feira a templo de Catas Altas da Noruega

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Dia festivo para receber uma peça sacra desaparecida há 30 anos. Moradores de Catas Altas da Noruega, na Região Central de Minas, celebram, nesta quinta-feira (23/4), às 10h, o retorno da imagem de São Roque, do século 18, levada por ladrões em 17 de abril de 1996 da Igreja Matriz São Gonçalo do Amarante.

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A devolução à comunidade será feita pelos representantes do Ministério Público de Minas Gerais, via Coordenadoria de Defesa das Promotorias de Justiça do Patrimônio Cultural e Turístico (CPPC/MPMG). Juntamente com o bem espiritual e cultural, foram também furtadas na época, e ainda não localizadas, as imagens de Santana, São Francisco e Nossa Senhora do Rosário.

A imagem do santo, que foi encontrada sem as vestes, e o cachorrinho de madeira,essencial para identificação da peça sacra
A imagem do santo, que foi encontrada sem as vestes, e o cachorrinho de madeira,essencial para identificação da peça sacra Raquel Ameno/Divulgação

A peça voltará ao altar de origem, durante ato solene, pelas mãos do padre João Luiz da Silva, titular da Paróquia São Gonçalo do Amarante e reitor do Santuário Arquidiocesano Nossa Senhora das Graças. “Este é um dia de muita alegria para toda a comunidade, e temos esperança de que as demais imagens desaparecidas sejam devolvidas. O retorno de São Roque ocorre no momento em que iniciamos as comemorações do tricentenário da igreja, cujo ponto alto será em janeiro de 2027”, diz o pároco.

Altar da Igreja Matriz São Gonçalo do Amarante, antes do furto, que ocorreu em 17 de abril de 1996
Altar da Igreja Matriz São Gonçalo do Amarante, antes do furto, que ocorreu em 17 de abril de 1996 Sondar/MPMG/Divulgação

De acordo com a CPPC/MPMG, que tem à frente o promotor de Justiça Marcelo Maffra, a coordenadoria recebeu, em agosto de 2025, a denúncia de que uma imagem de São Roque, possivelmente de Catas Altas da Noruega, estava sendo divulgada em perfil no Instagram.


Em análise preliminar, o setor técnico verificou que, na publicação, não havia informações descritivas do bem ou sobre as dimensões e a datação. Também não foi informado o valor da peça. Para facilitar o trabalho e análises comparativas, a equipe se valeu da plataforma Sondar – Resgate de bens culturais, do MPMG, que tinha cadastro (com foto, dimensões e descrição das características) da imagem pertencente à Matriz São Gonçalo do Amarante.


Na análise preliminar, os técnicos notaram algumas diferenças entre a peça divulgada no Instagram e a cadastrada no Sondar – o bem inserido na plataforma estava vestido com roupas de tecido, assim como a policromia da túnica era de cor mais escura e contava com a presença da escultura de um cachorro, condizente com a hagiologia (estudo da vida dos santos) de São Roque.


Importante lembrar que vestes de tecido podem ser facilmente removidas, assim como as cores da policromia, modificadas. O cachorro, por sua vez, aparentava ser uma escultura à parte, o que também favoreceria sua remoção. Ao final, foram identificadas grandes semelhanças e feita a perícia.


O detentor da peça a entregou ao CPPC em 28 de agosto de 2025. Na sequência, o setor técnico fez fotografias, aferiu as dimensões e verificou as dimensões, com a elaboração do Laudo de Estado de Conservação e início do parecer de análise presencial do bem. Foram analisados aspectos materiais enquanto especialistas entravam em contato com a comunidade a fim de obter maiores informações sobre o extravio e fazer o reconhecimento do objeto de fé.


CÃOZINHO SALVADOR

Para identificação da imagem, foi fundamental o cachorrinho de madeira que acompanha tradicionalmente São Roque. “Na fuga, os ladrões não levaram essa parte da peça, que se soltou da escultura e ficou guardada na igreja”, conta padre João Luiz. Para ocupar seu espaço no altar, a peça, que teve as mãos arrancadas, receberá uma veste como a que portava antes do furto.


O FURTO

Em 19 de abril de 1996, o Estado de Minas publicou uma matéria informando que, na época, os ladrões arrombaram a igreja, restaurada havia apenas uma semana, usando, possivelmente, pé de cabra. Eis um trecho da reportagem: “A igreja teve a porta lateral arrombada, na madrugada de ontem, provavelmente com um pé de cabra ou uma barra de ferro. Os ladrões levaram as imagens entalhadas em madeira de Santana, São Francisco, São Roque e Nossa Senhora do Rosário. O roubo foi descoberto pelo sacristão Vicente Henrique dos Santos ao reabrir a igreja pela manhã. As imagens do século 18 foram transferidas para a igreja após a morte do padre Luiz Gonzaga, há oito meses. Todas têm cerca de 50 cm de altura”. 

Conheça o santo

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São Roque nasceu no ano de 1295, em Montpellier, na França, em uma família nobre. Segundo texto publicado no site da Arquidiocese Metropolitana de Belo Horizonte, ele ficou órfão na adolescência e distribuiu toda a sua herança aos pobres. Depois disso, viveu como peregrino, percorrendo a França com destino a Roma. No final do século 13 e início do14 , quando a peste negra devastou a Europa, São Roque cuidou dos enfermos e ganhou fama de santidade. Depois peregrinou por toda a Itália, onde encontrou um vasto campo de ação junto aos doentes incuráveis. De volta a Montpellier, que na ocasião estava em guerra, foi tido como espião. Durante cinco anos de cárcere, continuou praticando a caridade e pregando a palavra de Cristo, convertendo muitos prisioneiros e aliviando suas aflições. Morreu na prisão em 16 de agosto de 1327, completa o texto.

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