Um documentário sobre um dos episódios mais traumáticos da história da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) estreia nesta terça-feira, (17/3), às 19h, no auditório da Reitoria, no campus Pampulha. A entrada é gratuita e aberta ao público. “Esperança equilibrista”, produção da TV UFMG com 90 minutos de duração, revisita a operação da Polícia Federal que, em 6 de dezembro de 2017, conduziu coercitivamente o então reitor Jaime Ramírez, a vice-reitora Sandra Goulart Almeida e outros gestores da universidade para depor na sede da PF em Belo Horizonte, sob o pretexto de investigar supostas irregularidades na execução do Projeto Memorial da Anistia Política do Brasil. 

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O nome do documentário é o mesmo dado pelos agentes à operação e foi retirado de trecho da música “O bêbado e a equilibrista”, de João Bosco e Aldir Blanc, considerada o hino da anistia política no Brasil. A referência gerou protesto público do compositor. “Não autorizo, politicamente, o uso dessa canção por quem trai seu desejo fundamental”, escreveu João Bosco em nota de repúdio à época. No documentário, o músico lê pessoalmente a nota em sua casa, no Rio de Janeiro, em um dos momentos mais marcantes do filme, que tem direção e produção dos jornalistas Olívia Resende e Tiago de Holanda.

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A operação mobilizou dezenas de policiais federais, além de auditores da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Tribunal de Contas da União (TCU). Foram cumpridos mandados de busca e apreensão na Reitoria da UFMG e em outros endereços. Para juristas e cientistas políticos ouvidos no documentário, a ação foi ilegal e arbitrária. “Nenhuma das pessoas conduzidas oferecia risco de fuga. Não havia indício de qualquer tipo de tentativa de obstrução no processo de investigação. Elas não se recusaram a colaborar com a investigação até porque não foram convidadas anteriormente”, afirma a professora Marjorie Marona, do Departamento de Estudos Políticos da UniRio e coordenadora do Observatório da Justiça no Brasil e na América Latina. “Nada do que a lei previa, do ponto de vista da mobilização desse instrumento processual, estava presente ali”, acrescenta.

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O professor Fernando Jayme, da Faculdade de Direito da UFMG, também critica o uso do aparato estatal. “Montar um aparato dessa grandeza, com dezenas de policiais militares, com inúmeras viaturas, significa desperdício de recurso, é jogar dinheiro público no lixo”, diz no filme.

Em junho de 2020, o Ministério Público Federal (MPF) em Minas Gerais concluiu que a PF não havia comprovado a prática de crimes e pediu o arquivamento da investigação. A decisão foi posteriormente homologada pela 5ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF, que também arquivou o inquérito civil sobre o Memorial da Anistia. “Foi um alívio fenomenal”, declarou Sandra Goulart Almeida, reitora da UFMG desde 2018, sobre o desfecho. Jaime Ramírez, por sua vez, disse que sempre esperou pelo arquivamento: “As acusações iriam cair como cartas de baralho se você soprasse; elas eram tão malfeitas e tão infundadas que o processo não parava de pé.”

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O documentário situa o episódio da UFMG não como um caso isolado, mas como parte de um padrão de ações policiais contra universidades federais ao longo da segunda década deste século. Entre os entrevistados estão ainda Acioli Cancellier de Olivo, irmão do ex-reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Luiz Carlos Cancellier – que se suicidou após ser alvo de outra operação da PF, a Ouvidos moucos, e o ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello. 

Lançamento do documentário Esperança equilibrista

Data: Terça-feira, 17 de março de 2026

Horário: 19h

Local: Auditório da Reitoria - Campus Pampulha

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