Registro do Paraibuna pede ajuda urgente
Simão Pereira, na Zona da Mata, busca recursos para salvar da ruína a mais importante alfândega do Brasil Colônia. Restauro custará cerca de R$ 6,5 milhões
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Este mês tem tudo para ser decisivo na história do Registro do Paraibuna, a mais importante alfândega do Brasil Colônia e construção emblemática da Estrada Real – o legendário caminho aberto nos séculos 17 e 18, pela Coroa portuguesa, para levar ouro e diamantes, via porto do Rio de Janeiro (RJ), a Portugal. Localizado às margens da Estrada União e Indústria, em Simão Pereira, na Zona da Mata de Minas, o monumento bicentenário poderá, finalmente, receber investimentos para se manter de pé, e, assim, guardar a memória de outros tempos, com serventia às novas gerações.
“O Registro não é só de Minas. É do Brasil!”, diz o secretário Municipal de Turismo, Geraldo Francisco do Nascimento, explicando que serão necessários em torno de R$ 6,5 milhões para restaurar a edificação com estrutura de pedra. “Já estamos em busca de recursos para a obra”, complementa. No futuro, o casarão deverá abrigar o Centro de Pesquisa da Estrada Real e uma série de serviços para receber moradores e visitantes.
Desapropriado pela Prefeitura de Simão Pereira e tombado pelo Iepha-MG e município, o Registro do Paraibuna tem, agora, caminho livre para captação de recursos por meio das leis federal (Rouanet) e estadual de incentivo à cultura, já estando com todos os projetos (arquitetônico, estrutural e os complementares) aprovados nas duas instâncias. Até chegar aí, conta o secretário, foram muitos anos de trabalho e expectativa.
“Em 2024, em reunião com o Iepha-MG, tivemos a esperança de conseguir recursos, via governo estadual, o que não se concretizou. Então, partimos para outras frentes. Em parceria com o Instituto Artes, Cultura e Serviços, conseguimos aprovação na lei de incentivo estadual. No entanto, não foi possível a captação, porque o estado atingira, naquele ano, o teto de renúncia fiscal. Dessa forma, ficou para este mês”, afirma o secretário.
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Se a esperança renasceu com a aprovação na Lei Rouanet (Programa Nacional de Apoio à Cultura/Pronac nº 258840) para restauro, conservação e requalificação, veio um desafio: “conseguir empresas que queiram entrar para história salvando da ruína o último representante de fiscalização do quinto do ouro ainda existente no país”.
ESTRUTURA
Antes propriedade particular – está vazio há exatos 40 anos, sendo o último uso um criatório de frangos – o Registro do Paraibuna “não se encontra abandonado”, ressalta Geraldo, lembrando que, em 2007, foi assinado um termo de ajustamento de conduta com o Ministério Público de Minas Gerais para conservação do prédio. “E todos os pontos foram cumpridos”, observa o secretário. Informa ainda que “a estrutura de pedras tem resistido ao tempo, embora se encontre em situação precária, necessitando de intervenções urgentes. Hoje, o Registro de Paraibuna pede socorro. A prefeitura tem trabalhado para preservação do nosso patrimônio, e bons exemplos estão no restauro da Igreja Nossa Senhora da Glória e de duas estações ferroviárias”.
LEMBRANÇAS
A coluna torce para que o casarão seja restaurado e muito bem aproveitado pelos mineiros e demais brasileiros. Eu, particularmente, tenho na minha memória afetiva um ponto de conexão com o Registro do Paraibuna. Na infância, quando viajava de férias para o Rio, meu pai sempre passava pela Estrada União e Indústria, a primeira via pavimentada do Brasil. Era um espetáculo admirar também a Pedra do Paraibuna Portanto, história é que não falta às margens do Rio Paraibuna – e nada mais importante do que começar este ano no bom caminho.
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ATÉ QUANDO OS MONUMENTOS...
Já passou de vandalismo: são atos de violência urbana. Foi duro ver a estátua de bronze do escritor e jornalista Roberto Drummond (1933-2002) caída na Praça da Savassi, em BH. Também em dezembro, uma mulher foi flagrada pichando as palavras “Brasil Terra Indígena” na base do “Monumento à Terra Mineira”, símbolo da Praça Rui Barbosa, mas conhecida por Praça da Estação. Nesse caso, ainda teve gente defendendo e alegando se tratar de “manifestação política e simbólica”. Ora, com todo respeito pelos povos originários, isso é inadmissível! Se ela queria protestar, e tem todo o direito, que escrevesse suas ideias num cartaz e levantasse bem alto para que todos vissem. E fotografassem. Ou vociferasse nas redes sociais. Mas jamais pichar um bem público, que precisa, obviamente, de serviço de limpeza pago com o dinheiro dos nossos impostos.
...SERÃO ‘VIOLENTADOS’ EM BH?
Há pessoas que não respeitam bens públicos ou privados, religiosos ou históricos, enfim, tudo o que representa um alvo perfeito para sua sede de degradação. No Santuário Arquidiocesano da Santíssima Eucaristia (Igreja Boa Viagem), também na Região Centro-Sul de BH, ainda se encontram as marcas dos golpes que atingiram, na Semana Santa, os vitrais do centenário templo. Tombada pelo Iepha-MG e município, a igreja guarda elementos artísticos (imagem, altar, pia, chafariz e outras peças do século 18 dos tempos de Curral del-Rei) protegidos pelo Iphan. Então, fica aqui mais um alerta às autoridades e um pedido de “tenham consciência” à população para que, em vez de destruir, preserve sua história.
PAREDE DA MEMÓRIA
A imagem de hoje está “fresquinha” na memória. Nas celebrações do ciclo natalino, encerrado ontem em Diamantina, o grupo Foliaças – Folia de Reis da Vila Operária visitou presépios, igrejas e fez um cortejo pelo Centro Histórico da cidade, saudando moradores e visitantes em restaurantes e comércio. Fundado há 20 anos e formado apenas por mulheres, Foliaças tem à frente a “mestra” Sandra Guedes, fundadora e compositora das duas músicas entoadas ao som de sanfona, violão e instrumentos de percussão. O adeus aos festejos natalinos na cidade ocorreu no VI Encontro de Folias e Pastorinhas, integrando o Projeto Viva Santos Reis – Cortejos de Fé.
PATRIMÔNIO CULTURAL
O distrito de Lobo Leite, em Congonhas, ganha um podcast para registrar memórias e histórias da comunidade. Em sete episódios, “Vozes de Lobo Leite” reúne alunos do terceiro e quarto ano da Escola Municipal Amynthas Jacques de Moraes (foto) e moradores. Na preparação da turma, a cargo do jornalista e professor de locução Leo Cardoso, houve aulas de locução, aquecimento vocal, trava-línguas e técnicas de edição de áudio. A série apresenta a origem do distrito, as mudanças de nome ao longo do tempo, a contribuição dos diferentes povos que ocuparam e formaram o território e os bens culturais como a Capela Nossa Senhora da Soledade, a estação ferroviária e outros. Disponível no Spotify, Deezer, YouTube Music e também no portal da Associação Mineira de Rádio e Televisão (Amirt).
“FÁBRICA DE PEDRAS”
Belo Horizonte tem ampla programação cultural neste mês. Até domingo (18), estará em cartaz, no Museu Mineiro, a mostra ”Fábrica de Pedras”, de Daniella Domingues e Victor Galvão. A dupla de artistas apresenta conjunto inédito de esculturas, desenhos, vídeos e instalações fotográficas desenvolvidos a partir de pesquisas de campo em regiões vulcânicas e de um processo colaborativo que atravessa diferentes materialidades. A mostra nasceu quando ambos descobriram, em suas práticas individuais, interesse comum pelos vulcões e processos geológicos como forças de criação, destruição e reorganização da matéria. A partir desse encontro, filmes, amostras, fotografias, rochas e anotações acumulados ao longo de anos foram editados em conjunto, dando origem a obras que tratam a ação geológica como gesto, metáfora e experimentação. O Museu Mineiro fica na Avenida João Pinheiro, 342, no Bairro Funcionários, na Região Centro-Sul de BH. Visitação de terça a sábado, das 10h às 17h. Entrada gratuita.
HISTÓRIA E ECONOMIA
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No dia 6, a Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas) completou 125 anos de história. Fundada em 1901, quando BH dava seus primeiros passos, a entidade se consolidou como um pilar fundamental na construção da identidade econômica e social da capital e do estado. Para 2026, a ACMinas prepara uma agenda especial de ações e projetos, reforçando seu papel como protagonista na construção de um ambiente de negócios mais moderno, ético e inclusivo.