Corpos dos rapazes assassinados em SC aguardados em Guaranésia
Corpos foram liberados pelo IML de Santa Catarina na manhã deste domingo e deixarão Florianópolis na manhã desta segunda
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Os corpos de três mineiros e um paulista encontrados mortos em Biguaçu, na Grande Florianópolis (SC), foram liberados pelo Instituto Médico Legal (IML) daquele estado e vão ser levados para Guaranésia (MG), no sudoeste do estado, onde devem chegar nesta segunda-feira (5/1). São eles Bruno Máximo da Silva, de 28 anos; Guilherme Macedo de Almeida, de 20; Daniel Luiz da Silveira, de 28; e Pedro Henrique Prado de Oliveira, de 19 anos.
O traslado será feito com a ajuda da Prefeitura Municipal de Guaranésia, que colocou o setor de assistência social para cuidar do caso, segundo Sílvia Prado de Oliveira, mãe de Pedro.
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“A previsão é que os corpos saiam de Santa Catarina às 8h desta segunda-feira e cheguem aqui, em Guaranésia, no final da noite, início da madrugada. São 14h de viagem”, conta ela, que diz estar sofrendo muito.
“Não poderemos ver os corpos. Os caixão vão estar lacrados, pelo que nos informaram no IML catarinense, pois os meninos tiveram seus corpos bastante mutilados. Foram judiados”, lamenta.
A cidade de Guaranésia vive uma grande comoção. A vida de todos os moradores parece estar voltada para o velório e sepultamento dos quatro jovens, conhecidos por serem pessoas pacatas.
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O crime
Os rapazes estavam desaparecidos desde a madrugada de 28 de dezembro. Os corpos foram encontrados na manhã de ontem em uma área de mata na cidade de Biguaçu, que é conhecida por ser um cemitério clandestino de uma facção criminosa.
Desde que Guilherme, Bruno, Daniel e Pedro foram dados como desaparecidos, a Polícia Civil de Santa Catarina, responsável pelas investigações, não tinha informações sobre o paradeiro dos jovens.
Os corpos foram encontrados a partir de uma informação recebida pela Polícia Militar de Santa Catarina. A informação era de que quatro corpos estavam semi-enterrados em uma área de mata. No local, os militares do Batalhão de Choque encontraram as vítimas e identificaram se tratar dos quatro desaparecidos. Os corpos das vítimas estavam amarrados e aparentemente mutiladas.
Investigações
Devido ao local em que as vítimas foram encontradas, o inquérito, agora, ficará a cargo da Delegacia de Polícia da Comarca de Biguaçu. Os responsáveis pela investigação vão apurar as circunstâncias, autoria e motivação do crime. “A Polícia Civil aguarda a conclusão dos laudos dos exames de necropsia e dos procedimentos formais de identificação das vítimas”, diz nota da corporação.
Contatos
O contato mais recente do grupo com as respectivas famílias foi no último fim de semana de 2025. Roberta, mãe dos dois filhos de Bruno, de 1 e 3 anos, conta que a última conversa entre os dois foi na madrugada de 28 de dezembro. Às 1h28, ela perguntou se ele estava acordado, sendo respondida às 3h35 com um “acordei agora”. Na sequência, às 5h31, Roberta mandou um “bom dia”, mas a mensagem não foi recebida pelo rapaz.
“Todos nós estamos desesperados. Estamos muito preocupados. Não temos uma posição do que aconteceu ou do que pode estar acontecendo”, relatou na época.
Roberta conseguiu acessar as contas de Bruno nas redes sociais. Pelo Instagram, a mulher viu que o companheiro mandou uma última mensagem para uma desconhecida dizendo que estava indo para a praia ver o nascer do sol, pois “estava muito louco e não dava para ficar no apê (apartamento)”.
Antes disso, Bruno chamou um amigo para ir ao Centro. Pouco depois, uma câmera de segurança registrou o que seriam as últimas imagens deles. Na gravação, o jovem, acompanhado de Guilherme, aparece de camisa e boné brancos, falando ao telefone.
A filmagem foi feita em frente ao imóvel que o grupo morava, no Bairro Barreiros. Nas imagens também é possível ver que o mineiro gesticula ao falar no telefone, parecendo discutir com alguém. Na sequência eles param e voltam para o local em que estavam.
Já em relação a Guilherme Macedo de Almeida, as últimas mensagens recebidas foram na noite de 27 de dezembro. Na ocasião, ele disse à mãe que havia acabado de chegar a uma praia junto de Daniel. Desde então, a família não teve notícia do paradeiro dele.
Após o desaparecimento dos rapazes, surgiram na internet boatos de que que eles teriam sido mortos por uma organização criminosa. Contudo, a informação não foi confirmada pela Polícia Civil de Santa Catarina. Laís Almeida, irmã de Guilherme, relata que, ao receber as informações, a família dele ligou para a polícia catarinense questionando a relação do desaparecimento com o grupo criminoso. Na época, a jovem foi informada pelos policiais de que as informações não eram oficiais e que, até então, nenhum corpo havia sido encontrado.
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Sobre os comentários nas redes sociais de que o grupo teria sido morto devido a uma rixa com uma facção criminosa, Laís rebate dizendo que o irmão não era envolvido com o crime. “Muitos comentários em várias reportagens diziam que a ‘skin’ deles não era para trabalhar, era para outras coisas. Mas do meu irmão eu tenho certeza de que foi para trabalhar. Se não, ele não teria mandado para minha mãe a carta de aprovação da empresa. O meu irmão era honesto, trabalhador, sem passagens pela polícia. Em Guaranésia, todo mundo o conhecia; não fazia mal para ninguém”, desabafa.