Expansão

Ampliação do Complexo da Praça da Liberdade põe em xeque essência cultural

Prédios históricos no entorno foram concedidos em sua maioria ao poder judiciário, por meio de acordo de outorga

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O entorno da Praça da Liberdade é referência de complexo cultural na capital mineira. Atualmente, 33 instituições que abrangem diferentes aspectos artísticos compõem o chamado “Circuito Liberdade”. No entanto, a extensão desse polo cultural pode ser ainda maior com a ocupação de outros prédios históricos do perímetro, inclusive daqueles que um dia fizeram parte do circuito.


Diante dessa possibilidade de ampliação, o governo de Minas concedeu seis construções que estavam vazias havia anos para novos ocupantes, por meio de um edital. São elas o Palacete Solar Narbona; o Palacete Dantas; a Casa Azul; a Casa Amarela; o Prédio Verde e o Edifício Tancredo Neves, conhecido como “Rainha da Sucata”.


Os novos responsáveis por cinco das construções foram divulgados e eles são, majoritariamente, órgãos do Poder judiciário, o que poderia colocar em xeque a essência cultural do Circuito Liberdade.


Michele Arroyo, ex-superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Minas e ex-presidente do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha-MG), avalia essas concessões como positivas do ponto de vista emergencial para a recuperação, restauração e manutenção dos imóveis. Para ela, que também é historiadora, uma área de referência cultural e identitária de BH e Minas com edifícios históricos vazios é o pior cenário.


No entanto, Micehele Arroyo acredita que as ocupações devem ser acompanhadas de propostas culturais que viabilizem a democratização do acesso. “A ocupação desses edifícios pela iniciativa privada também é um pouco temerária, porque se não for feita da maneira adequada, pode também retirar o acesso amplo da sociedade a esses espaços”, comenta.


Para aproximar a cultura da sociedade civil, a ex-presidente do Iepha-MG sugere a cessão dos espaços para coletivos culturais, realização de projetos de formação e visitação de escolas.


Diante dos receios associados ao caráter dos concessionários, o titular da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas (Secult-MG), Leônidas Oliveira, afirma que a instalação de um espaço para cultura nos locais foi estabelecida como imprescindível durante o acordo de outorga das construções históricas.


De acordo com o secretário, “a destinação cultural e de formação é inerente ao Circuito Liberdade” e as construções não serão equipamentos administrativos.

Solar Narbona

Cedido ao TRF-6, o Solar Narbona receberá R$ 1,4 milhão em investimentos para restauração

Leandro Couri/EM/D.A Press

Solar Narbona

O Palacete Solar Narbona, localizado na Avenida Cristóvão Colombo, na Região Centro-Sul da capital mineira, que integra o conjunto arquitetônico da Praça da Liberade, foi cedido para o Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6).


O imponente palacete amarelo, construído no início do século 20 e desocupado desde março de 2010, vai sediar a Escola de Magistratura, a Revista do TRF, a biblioteca institucional e o Centro de Memória do órgão em Minas Gerais. “Estamos instalando a interface da Justiça Federal não apenas com o jurisdicionado, mas também com o povo mineiro”, pontuou Mônica Sifuentes, desembargadora federal e então presidente do TRF-6 à época do acordo de cessão.


O Solar Narbona, assim como o Palacete Dantas, será restaurado com recursos oriundos de acordo de cooperação técnica entre o TRF-6 e o Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG), firmado no dia 21 de agosto deste ano.


O projeto inicial para a restauração custará R$ 1,4 milhão e será totalmente financiado pela Plataforma Semente, do MPMG e CeMAIS, de acordo com o promotor de Justiça e coordenador do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça de Defesa do Meio Ambiente (Caoma), Carlos Eduardo Ferreira Pinto.

palacete dantas

Projetado em 1915, o palacete dantas, vazio há mais de uma década, terá ocupação definida pelo ministério público de minas gerais

Túlio Santos/EM/D.A Press

Palacete Dantas

Ao lado do Solar Narbona, o Palacete Dantas, por sua vez, será ocupado pelo Ministério Público. “Essa casa tem história. É bonita por fora e tem uma história muito profunda por dentro. Esperamos que as pessoas a visitem e que ela receba muitas mostras artísticas”, disse o procurador-geral do MPMG, Jarbas Soares Júnior, na época em que o Protocolo de Intenções sobre o Projeto de Conservação e Restauro foi assinado.


A construção, vazia há mais de uma década, foi projetada em 1915 pelo arquiteto italiano Luiz Olivieri, e foi, originalmente, residência do engenheiro José Dantas, além de abrigar a antiga sede da Secult.


Rainha da Sucata

O Edifício Tancredo Neves, conhecido como Rainha da Sucata, foi cedido ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). O órgão informou que “pretende realizar intervenções exigidas pelo Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) para viabilizar a ocupação provisória e a transferência de sede do Programa de Formação de Orquestra Jovem e Coral Infantojuvenil do TJMG, projeto social do Judiciário Mineiro, para a referida edificação”.


As duas iniciativas do tribunal previstas para serem realizadas no Rainha da Sucata, que chama atenção pelo seu design, são direcionadas a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. A promessa é que os participantes terão aulas de iniciação musical, canto, prática de orquestra, percussão e instrumentos como flauta doce, saxofone, violino, viola, violoncelo e contrabaixo acústico, além de aulas de inglês.


Casa Amarela

Já a Casa Amarela, localizada na Rua Santa Rita Durão, será transformada na sede da Delegacia de Eventos e Proteção ao Turista (Deptur). A expectativa do secretário de Cultura, Leônidas Oliveira, é que a delegacia seja inaugurada ainda neste ano.


“Minas é um dos principais destinos do país, cresce mais que o dobro da média nacional em movimentação turística, e ter a Deptur em um lugar estratégico na capital mineira é um benefício enorme para a cidade e para o estado”, avalia Leônidas.


Prédio Verde

A Casa do Patrimônio Cultural de Minas Gerais, conhecida como Prédio Verde, irá abrigar a Pinacoteca Cemig. O projeto é da Secult, Iepha-MG e Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) em parceria com a APPA - Arte e Cultura.


“A expectativa é inaugurar em 2025 um andar de pinacoteca e depois um outro andar em 2026 e assim de forma subsequente”, conta Leônidas. O andamento das reformas depende dos recursos. Para 2026 e 2027 já há verbas garantidas, diz o secretário.


O prédio precisa passar por reformas hidráulicas e elétricas, que já começaram. As obras estão sendo feitas em etapas. De acordo com o secretário da Secult, a previsão de custo é de R$ 30 milhões. Até o fim de abril deste ano, R$ 7 milhões foram gastos.


O Prédio Verde é de autoria do arquiteto José de Magalhães e teve sua construção empreendida pela Comissão Construtora da Nova Capital, entre os anos de 1895 e 1897. Foi originalmente destinado à Secretaria da Agricultura, Comércio e Obras Públicas e já abrigou também a prefeitura da capital mineira. Outras repartições públicas também tiveram seus espaços na construção.


Entre as seis construções, a Casa Azul é a única que ainda não teve seu destino definido. Localizado na Rua da Bahia, o imóvel é de propriedade do Iepha, que informou que está em processo de negociação para cessão.(Com informações de Gustavo Werneck) 

*Estagiária sob supervisão do subeditor Rafael Oliveira

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