Empresa providenciou proteção em viga da estrutura do prédio que apresentou problema em Montes Claros -  (crédito: Luiz Ribeiro/DA Press)

Empresa providenciou proteção em viga da estrutura do prédio que apresentou problema em Montes Claros

crédito: Luiz Ribeiro/DA Press

Permanece interditado em Montes Claros, no Norte de Minas, o prédio de 20 andares, que foi evacuado na tarde dessa segunda-feira (8/4).

 

Os moradores e vizinhos do prédio foram retirados às pressas e encaminhados para hotéis da cidade, com hospedagem paga pela empresa responsável pela construção, nessa segunda.

 


O Edifício Roma, de alto padrão, localizado no Bairro Cândida Câmara, área de classe média da cidade, foi esvaziado e interditado provisoriamente pela Defesa Civil e pelo Corpo de Bombeiros, depois de ter apresentado danos de um dos pilares da estrutura.

 


Na manhã desta terça-feira (9/4), os engenheiros da Construtora Turano, responsável pela obra, realizaram uma reunião técnica para avaliar a condição da estrutura do prédio e listar quais as intervenções necessárias para garantir a estabilidade da edificação.

 

As medidas a serem adotadas ainda não foram divulgadas. Durante a noite de segunda para terça-feira, foi feito o serviço de escoramento da edificação, por funcionários da empresa responsável.

 


Em uma ação paralela, os moradores do prédio também se mobilizam para contratar uma inspeção independente sobre a real condição da estrutura do prédio. A informação foi divulgada nesta terça-feira pela porta-voz do Conselho Deliberativo de Moradores do Edifício Roma, Wanderlene Antunes de Souza. “Vamos trazer especialistas de nível internacional para fazer a avaliação da estrutura do prédio”, afirmou Wanderlene. Ela disse ainda que o prédio conta com 30 apartamentos e cerca de 70 moradores.

 


A Construtora Turano divulgou nota, na qual informa: “O Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil estão atentos conosco, já tendo realizado averiguação preliminar, apontando que não há risco de abalo estrutural".

 


No entanto, em nota sobre a ocorrência, divulgada na manhã desta terça, o 7º Batalhão de Bombeiro Militar (BBM) de Montes Claros relata que “o prédio apresenta mais de um pilar comprometido, sendo um deles com ferragem exposta e sinais de rompimento de algumas barras e apresentando ainda sinais de flambagem (encurvatura) na lateral afetada”.

 


“O Corpo de Bombeiros está realizando o esvaziamento da caixa d'água, bem como da reserva técnica de incêndio do prédio, com o intuito de diminuir o peso (aproximadamente 50.000 litros de água)”, diz a nota.

 

 

Além do próprio prédio, foi evacuada e interditada uma área em um raio de distância de 60 metros da edificação, em três vias (Avenida Mestra Fininha e nas ruas Cassimiro de Abreu e Agapito dos Anjos. Estabelecimentos comerciais na área isolada foram impedidos de funcionar, incluindo um posto de combustíveis.

 


O trânsito na região também foi interditado, incluindo a Avenida Mestra Fininha, movimentada artéria do município, que liga o Centro àquela região da cidade.

 


Moradores reclamam não poder levar nada de suas casas

 


Na manhã desta terça, vários moradores retirados da área interditada ao redor do Edifício Roma foram até o local e reclamaram do impedimento de entrar em suas residências para buscar documentos, remédios, roupas e outros pertences ou mesmo animais de estimação. Um deles foi o promotor de vendas Saulo Dias Damasceno. Ele reclamou que, na tarde de segunda foi obrigado a deixar sua casa às pressas, após ouvir um estrondo no prédio interditado, sem poder levar nada.

 

“Desde ontem (segunda-feira), estou com a mesma roupa e sem pode tomar o remédio”, alegou Saulo. Ele disse que é diabético e, ao deixar a casa as pressas, não pôde levar os medicamentos, não tendo dinheiro para comprar outros remédios. Também reclamou que deixou na moradia um filhote de cachorro Cheetos, ficando impedido de alimentar o animalzinho.

 

Saulo, que pernoitou em um hotel, foi atendido pelo coordenador do Programa de Defesa do Consumidor (Procon) de Montes Claros, Alexandre Braga, que o encaminhou para uma funcionária da empreiteira que construiu o prédio interditado.

 


Situação semelhante a de Saulo foi enfrentada pela funcionária pública Sônia Ruas de Almeida, que também teve que deixar a sua casa, situada na área interditada nas proximidades do Edifício Roma e encaminhada para um hotel. “Tive que sair de casa às pressas, sem poder pegar sequer uma escova de dente”, reclamou Sônia.

 


Levada para um hotel, ela informou que precisou ir a uma farmácia para comprar medicamento controlado que toma, além de produtos de higiene pessoal. “Mas preciso voltar à minha casa para pegar roupas”, reclamou Sônia, que, assim como Saulo, não conseguiu acesso à área isolada.

 


Elizabeth Vieira de Carvalho relatou que trabalha como empregada doméstica em um apartamento do prédio evacuado. Na manhã desta terça-feira, ela tentou entrar no prédio para buscar os documentos, já que, na tarde de segunda, teve que deixar o local de serviço rapidamente, sem conseguir levar nada. Elizabeth insistiu, mas não conseguiu autorização para entrar no prédio interditado, onde a vigilância é feita por Defesa Civil, Guarda Municipal e Corpo de Bombeiros.