Numa época em que o tempo é cada vez mais precioso, eventos como o Chá Solidário da Associação Mineira de Reabilitação (AMR) se tornam ainda mais valiosos. Apesar de a arrecadação de fundos ser um dos maiores chamarizes – imprescindível, por sinal –, a dedicação e o cuidado de cada madrinha na montagem de suas respectivas mesas sobressaem.
Realizado no Salão do Minas I, no Bairro Lourdes, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, na última quarta (20/5), o evento reuniu mais de 40 madrinhas (sendo que cada uma levou em torno de sete convidadas), além de dezenas de voluntárias.
A 21ª edição do Chá segue com o mesmo propósito de sempre: arrecadar fundos e demonstrar carinho pela AMR– instituição de mais de 60 anos que oferece tratamento interdisciplinar gratuito para crianças e adolescentes com deficiência física em situação de vulnerabilidade social.
Presidente do corpo de voluntários da AMR, Bernadette Mendes reforça a importância de sempre ter em mente a causa social. “Falo sempre que, mais importante que uma mesa deslumbrante, é a causa. Não podemos nos esquecer disso.”
Quem reforça a mensagem e destaca o cuidado das madrinhas é Rosângela Perucci, gestora de eventos externos do corpo de voluntários da associação. “Muitas delas nos acompanham ao longo desses 21 anos. É um trabalho de doação e solidariedade feito com muito capricho.”
A diretora de mobilização de recursos da AMR, Rosângela Brêtas, também chama a atenção para a preparação da mesa e a necessidade, inclusive, de idas e vindas até que o resultado esteja como as madrinhas desejam “Tem o tempo delas virem para cá organizar, trazendo itens de casa, voltar, se arrumar…”
Superintendente geral da AMR, Priscilla Figueiredo foi a única madrinha que também é funcionária da instituição. Não por acaso, ela apostou em uma bela homenagem – com pássaros em pratos, peças decorativas e até porta-guardanapos.“A marca da AMR sempre carregou um pássaro. No aniversário de 60 anos [em 2024], inclusive, criamos um slogan de ‘voar sempre juntos’, que mostra a colaboração de vários atores envolvidos para que a gente consiga cumprir nosso compromisso social.”
Inspirada na obra
Lado criativo
Por meio de cada mesa, é possível sentir um pouco do carinho e dos gostos pessoais de cada uma das madrinhas, que usam o espaço para expressar criatividade. E teve, de fato, decoração para todos os gostos – com tema de Páscoa, opções mais clean e básicas, outras mais maximalistas, lúdicas, religiosas…
A arquiteta Beth Gontijo, por exemplo, ficou responsável por duas mesas – em que explorou diferentes caras do Brasil. Em uma delas, a louça escolhida foi branca com azul, conhecida como “porcelana cebolinha”. “Um clássico do século 18, mas acho que remete ao Brasil colonial também”, explica. Para compor, um belo arranjo colorido foi disposto no centro da mesa.
Ao lado dela, a mesa mais tropical de Beth, uma composição em tons amarelos e porcelana branca francesa com louças com desenhos de coqueiros.
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Com uma pegada bem clean, a mesa de Dulce Barcelos tinha um mimo para as convidadas: uma caixinha com macarons decorados – que foram usados por várias outras madrinhas, inclusive, como marcador de lugar (caso da mesa da As Lamas). “Sempre uso peças que tenho em casa, nada de ficar esbanjando. Decoro com carinho e muito amor. Acredito que trabalho voluntário não é competição, é caridade”, declara Dulce.
O branco predominou na mesa de Dulce Barcelos, que usou na decoração peças que já tinha em casa
Renovação
Tanto Bernadette Mendes quanto Rosângela Perucci deixam um chamado para que mais mulheres jovens se tornem madrinhas. No grupo das que ingressaram há relativamente pouco tempo, estavam mesas deslumbrantes, como a de Natasha Polovanick. A composição de toalha verde com babado, sobreposição de veludo estampado e arranjo colorido levou um ar moderno ao salão. “Sou muito maximalista, adoro combinação de estampas e cores. Para esta mesa, parti desse veludo”, explica.
Inspirada na obra “O tempo entre costuras”, de Maria Dueñas, Ana Luiza Albricker, da Mesas da Aninha, apostou em um estilo feminino e criativo. Como porta-guardanapo, usou fitas métricas. Linhas e aviamentos fizeram parte da decoração, que contou ainda com uma silhueta metálica e uma máquina de costura antiga. “Essa história mexeu muito comigo. Fala sobre mulheres fortes, com garra e empreendedoras”, explica.
Quando perguntada sobre o evento em si, Ana Luiza destacou a possibilidade de homenagear pessoas (como fez com a mesa que montou em um chá há cerca de quatro anos, logo após sua avó falecer) e de se conectar com outras madrinhas e outras ideias. “Conheço muitas mulheres aqui que trabalham com mesa posta, então é também um networking, além, claro, de poder ajudar a instituição.”
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* Estagiária sob supervisão da subeditora Celina Aquino
