Após meses de audiências, interrogatórios e apresentação de provas, o tribunal chegou à fase mais aguardada: a leitura das sentenças. Em 1º de outubro de 1946, os juízes anunciaram os veredictos que selariam o destino dos principais dirigentes do Terceiro Reich. A sala permaneceu em silêncio enquanto cada nome era chamado, num ritual que encerrava oficialmente o ciclo de poder daqueles homens.

Doze réus foram condenados à morte por enforcamento. Entre eles estavam Joachim von Ribbentrop, responsável pela diplomacia nazista durante a expansão territorial alemã, e Wilhelm Keitel, chefe do Alto Comando das Forças Armadas. Três receberam prisão perpétua. Outros quatro pegaram penas menores. Três foram absolvidos por insuficiência de provas diretas.

Hermann Göring, o mais proeminente dos condenados, não chegou à forca. Horas antes da execução, ingeriu uma cápsula de cianeto dentro da cela, encerrando a própria vida. Dias antes, ainda tentara justificar sua trajetória dizendo: “Meu coração pertence à Alemanha”. Sua morte provocou indignação entre sobreviventes e integrantes da acusação, que viam no enforcamento um ato simbólico de justiça pública.

Rudolf Hess foi condenado à prisão perpétua. Passaria o restante da vida encarcerado na prisão de Spandau, em Berlim, isolado do mundo que ajudara a destruir. Já Albert Speer recebeu pena de 20 anos. Sua admissão parcial de culpa e colaboração com o tribunal pesaram na decisão, embora não apagassem seu papel central na organização da economia de guerra baseada em trabalho forçado. Em sua última declaração, afirmou: “Assumo responsabilidade moral por tudo o que aconteceu”.

As execuções ocorreram na madrugada de 16 de outubro de 1946. Um a um, os condenados foram levados ao patíbulo. Após as mortes, os corpos foram cremados e as cinzas lançadas em um rio, numa tentativa deliberada de impedir que túmulos se transformassem em locais de veneração extremista.
Para muitos observadores, as sentenças representaram mais do que punições individuais. Simbolizavam o encerramento oficial de um capítulo sombrio da história europeia. Pela primeira vez, líderes políticos e militares eram julgados não como representantes de um Estado, mas como cidadãos responsáveis por seus próprios atos.

Ainda assim, o tribunal não escapou de críticas. Houve quem apontasse seletividade, lembrando que crimes cometidos pelos vencedores da guerra não estavam em pauta. Outros questionavam a legitimidade jurídica de aplicar leis formuladas após os fatos. Apesar dessas controvérsias, consolidou-se a percepção de que Nuremberg estabelecera um marco: atrocidades em massa não poderiam mais se esconder atrás da soberania nacional.

O julgamento também firmou um novo entendimento moral. Não bastava alegar obediência hierárquica. A corte deixou claro que escolhas individuais importam, mesmo sob regimes autoritários. Ao final, restava a consciência de que nenhuma sentença compensaria milhões de vidas perdidas – mas a Justiça havia falado. 

Os condenados à morte

Joachim von Ribbentrop foi ministro das Relações Exteriores do Reich e considerado responsável pelo planejamento de guerras de agressão e por apoiar políticas de deportação em territórios ocupados. Foi condenado à morte por enforcamento e executado em 16 de outubro de 1946.

Wilhelm Keitel chefiava o Alto Comando das Forças Armadas alemãs e foi responsabilizado por ordens de execuções sumárias e repressão contra civis em áreas ocupadas. Recebeu sentença de morte por enforcamento e foi executado em 16 de outubro de 1946.

Ernst Kaltenbrunner era chefe do Escritório Central de Segurança do Reich e supervisionava órgãos responsáveis por campos de concentração e operações de repressão. Foi condenado à morte por enforcamento e executado em 16 de outubro de 1946.

Alfred Rosenberg foi o principal ideólogo do nazismo e responsável pela formulação de políticas raciais e pela administração de territórios ocupados no Leste europeu. Foi condenado à morte por enforcamento e executado em 16 de outubro de 1946.

Hans Frank atuou como governador-geral da Polônia ocupada, onde administrou um regime marcado por terror, deportações e perseguições. Foi condenado à morte por enforcamento e executado em 16 de outubro de 1946.

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Wilhelm Frick foi ministro do Interior do Reich e teve papel fundamental na implementação das leis raciais nazistas e na repressão política dentro da Alemanha. Também foi condenado à morte por enforcamento e executado em 16 de outubro de 1946.

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