Se a inteligência artificial já consegue escrever, criar imagens, analisar dados e executar tarefas que antes dependiam exclusivamente de profissionais, o que passa a diferenciar uma pessoa no mercado de trabalho? A pergunta esteve presente em diferentes debates do SP2B, em São Paulo, onde o Estado de Minas ouviu especialistas, empreendedores e artistas sobre as características que podem ganhar importância diante das transformações provocadas pela tecnologia.
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O que a IA não substitui
Para Aaron Ross, autor de “Receita Previsível” e especialista em estratégias de vendas e crescimento empresarial, uma dessas características é a curiosidade. Segundo ele, manter a capacidade de questionar, observar e aprender pode diferenciar o profissional em um cenário de avanço tecnológico: “A curiosidade também é muito importante, e é isso que faz a diferença entre o ser humano e a inteligência artificial”, afirma.
A ideia aparece de forma ainda mais ampla na avaliação de Daniel Lamarre, ex-presidente e CEO do Cirque du Soleil e atual vice-presidente executivo do conselho da companhia. Para ele, relacionamentos, criatividade e intuição devem ganhar importância à medida que a inteligência artificial assume tarefas mais operacionais: “Relacionamentos, criatividade e intuição serão diferenciais fundamentais para quem quiser ter sucesso”, explica.
Lamarre também defende que os profissionais recuperem a capacidade de criar e desenvolvam relações para além das necessidades imediatas do trabalho. “Como eu crio novos relacionamentos? Como eu os aprofundo e mantenho?”, questiona.
O profissional que o mercado procura
A mudança também aparece no perfil buscado pelas empresas. Victor, fundador de uma startup, afirma que o mercado procura profissionais capazes de combinar conhecimento técnico com competências interpessoais: “As empresas procuram hoje um profissional amplo, que não absorva apenas conhecimentos relacionados a questões técnicas, mas também tenha habilidades interpessoais e facilidade de aprendizado”, afirma.
Para a economista Luana, a transformação também passa pela relação entre empresas e trabalhadores. Segundo ela, o comprometimento continua sendo valorizado, mas deixou de significar necessariamente colocar a vida pessoal em segundo plano: “Uma pessoa comprometida não quer dizer que ela tenha que se anular”, diz.
Na avaliação da economista, os profissionais passaram a buscar empresas que reconheçam suas necessidades e características para além do currículo. “O funcionário busca hoje uma empresa que o abrace como uma pessoa, como um todo, e não só com aquilo que está no currículo”, explica.
Propósito e originalidade
Se as empresas procuram profissionais capazes de aprender e se adaptar, encontrar uma direção própria também pode ser um diferencial. Para o humorista Ed Gama, criatividade e propósito foram fundamentais em sua trajetória, mas seguir esse caminho exigiu iniciativa para criar oportunidades: “Além do propósito e da criatividade, é acreditar no propósito, na criatividade”, defende.
Ed também associa criatividade à capacidade de fugir dos padrões. Para ele, a facilidade de reprodução proporcionada pela internet tornou a originalidade ainda mais importante: “Ser original, criar e partir do zero de uma ideia, apresentar para o mundo o que você acha que tem que ser feito, coisa que ninguém nunca pensou, ser você mesmo, eu acho que é o principal diferencial hoje em dia”, afirma.
A busca por uma carreira também pode começar pelo interesse pessoal. O humorista Fausto Carvalho, conhecido pelo personagem Jorginho, defende que profissionais, especialmente aqueles que estão começando, identifiquem aquilo que desperta interesse e desenvolvam conhecimento a partir daí: “Começa por um interesse que você tem pelas coisas. Busca alguma coisa que te faz de verdade ter um hiperfoco naquilo e aí vai para cima”, diz.
Para ele, a construção profissional exige tempo e persistência. “A vida é para ser curtida, mas também para ser trabalhada e ir atrás dos seus sonhos. Foco e persistência”, resume.
Um mercado em transformação
As diferentes perspectivas apresentadas no SP2B apontam para uma mudança que não depende apenas da adoção de novas ferramentas. Conhecimento técnico continua relevante, mas criatividade, curiosidade, capacidade de aprendizado, relações humanas, originalidade e propósito aparecem como elementos que podem ajudar a definir o espaço de cada profissional em um mercado cada vez mais influenciado pela inteligência artificial.
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A próxima edição do SP2B está marcada entre 9 e 15 de agosto de 2027, novamente no Parque Ibirapuera, na capital paulistana. O evento reuniu, em sua primeira edição, discussões sobre inteligência artificial, negócios, empreendedorismo, comportamento e carreira, com 20 palcos simultâneos e cerca de 2 mil palestrantes.
