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Apneia do sono: o perigo silencioso por trás do ronco e seus riscos cardiovasculares

A apneia obstrutiva do sono é um problema de saúde pública, diretamente associado a complicações cardiovasculares. Saiba o perigo silencioso que está por trás do ronco e seus riscos cardiovasculares.

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A apneia obstrutiva do sono é um problema de saúde pública, diretamente associado a complicações cardiovasculares. Afinal, caracterizada por interrupções repetidas da respiração durante o sono, essa condição vai muito além do ronco alto e frequente. Estudos clínicos das últimas décadas mostram que as pausas respiratórias e a queda de oxigênio no sangue geram um ambiente de sobrecarga contínua para o coração e os vasos sanguíneos. Ou seja, é um quadro que favorece a pressão alta, arritmias, infarto e acidente vascular cerebral.

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Esse distúrbio respiratório do sono afeta pessoas de diferentes idades e perfis, embora seja mais comum em adultos com excesso de peso, pescoço largo e histórico de ronco crônico. Em cada episódio de apneia, o fluxo de ar é parcial ou totalmente bloqueado por alguns segundos, às vezes por mais de um minuto, levando a um esforço intenso da musculatura respiratória. Assim, o organismo reage com um alarme interno para restabelecer a respiração, o que provoca microdespertares e impede que o sono seja profundo e reparador, mesmo quando a pessoa acredita ter dormido a noite inteira.

Quando a respiração sofre interrupções repetidas, ocorre uma queda intermitente dos níveis de oxigênio no sangue, a hipoxemia – depositphotos.com / serezniy

Apneia obstrutiva do sono e coração: qual é a ligação?

A palavra-chave central nesse tema é apneia obstrutiva do sono, distúrbio que atua silenciosamente sobre o sistema cardiovascular. Quando a respiração sofre interrupções repetidas, ocorre uma queda intermitente dos níveis de oxigênio no sangue, a hipoxemia. Assim, para compensar essa falta de oxigênio, o corpo libera hormônios do estresse, como adrenalina e noradrenalina, estimulando o sistema nervoso simpático. Esse mecanismo aumenta a frequência cardíaca e provoca constrição dos vasos sanguíneos, o que leva à elevação da pressão arterial, mesmo em repouso.

Essa oscilação constante de oxigênio e pressão representa um estímulo crônico para o coração. Pesquisas que revistas médicas internacionais já publicaram indicam que indivíduos com apneia obstrutiva sem tratamento apresentam maior incidência de hipertensão resistente. Ou seja, aquela que se mantém alta mesmo com uso de múltiplos medicamentos. A sobrecarga hemodinâmica com repetição favorece aumento da massa do músculo cardíaco, alterações estruturais nas câmaras do coração e maior predisposição a falhas no bombeamento sanguíneo ao longo do tempo.

Ronco crônico, arritmias, infarto e AVC: um risco documentado

O ronco frequente e alto costuma ser o sinal mais visível ligado à apneia do sono. No entanto, não se trata apenas de um ruído desconfortável para quem divide o quarto. O estreitamento das vias aéreas superiores, que produz o ronco, é o mesmo fator que facilita a ocorrência de apneias. Assim, estudos de coorte mostram que pessoas com ronco crônico e episódios de parada respiratória têm risco significativamente maior de desenvolver arritmias cardíacas, como fibrilação atrial, extrassístoles e taquicardias.

Essas arritmias são favorecidas pela combinação de hipóxia intermitente, aumento da pressão intratorácica e ativação em excesso do sistema nervoso simpático. A longo prazo, essa combinação pode desestabilizar o ritmo cardíaco. Em especial, em quem já apresenta doença cardíaca prévia. Ademais, dados epidemiológicos também apontam para a associação entre apneia obstrutiva do sono moderada a grave e maior incidência de infarto do miocárdio e AVC isquêmico, mesmo após ajuste para fatores como tabagismo, obesidade e diabetes. Portanto, isso reforça a ideia de que o ronco persistente, acompanhado de pausas respiratórias, deve ser valorizado como marcador de risco cardiovascular.

Como o estresse oxidativo e a inflamação afetam o organismo?

Outro eixo importante na relação entre apneia obstrutiva do sono e doenças cardiovasculares é o estresse oxidativo. Afinal, as quedas e elevações repetidas de oxigênio geram excesso de radicais livres no organismo. Essas moléculas reativas danificam células do endotélio, camada interna dos vasos sanguíneos, favorecendo o acúmulo de placas de gordura e a progressão da aterosclerose. Com o tempo, artérias mais rígidas e com inflamação aumentam o risco de entupimentos, trombos e, consequentemente, infarto e AVC.

Os microdespertares que fragmentam o sono também têm papel relevante. Afinal, cada despertar breve interrompe as fases profundas do sono, que são fundamentais para regulação da pressão arterial, equilíbrio hormonal e controle dos processos inflamatórios. Portanto, a interrupção crônica desse ciclo leva à liberação de mediadores inflamatórios, como citocinas, que circulam pelo corpo e podem agravar quadros de doença coronariana, insuficiência cardíaca e problemas metabólicos, incluindo resistência à insulina.

Por que o ronco não deve ser visto apenas como incômodo social?

A ideia de que o ronco é apenas um desconforto sonoro passou a ser progressivamente desmentida por dados científicos. Em muitos casos, o ronco alto, diário e acompanhado de pausas na respiração, engasgos noturnos ou sonolência excessiva durante o dia indica síndrome da apneia obstrutiva do sono. Assim, ignorar esses sinais pode atrasar o diagnóstico de uma condição que amplia o risco de eventos cardiovasculares graves.

Alguns sinais de alerta frequentemente observados em pessoas com apneia obstrutiva incluem:

  • Ronco intenso, quase todas as noites, com relatos de pausas respiratórias.
  • Despertares noturnos com sensação de sufocamento ou falta de ar.
  • Sonolência diurna excessiva, cochilos involuntários e dificuldade de concentração.
  • Dor de cabeça ao despertar, boca seca e sensação de sono não reparador.
  • Irritabilidade, alteração de memória e queda de desempenho em atividades diárias.

Quando esses sintomas aparecem em associação a pressão alta de difícil controle, histórico de arritmias ou eventos cardíacos prévios, especialistas recomendam investigação em detalhes, dado o potencial impacto da apneia na evolução dessas doenças.

Qual é o papel da polissonografia no diagnóstico e no tratamento?

A polissonografia é o exame de referência para diagnosticar a apneia obstrutiva do sono e quantificar sua gravidade. Realizado normalmente em laboratório do sono ou por meio de equipamentos portáteis validados, o teste registra, durante a noite, diversos parâmetros fisiológicos, como fluxo de ar, movimentos respiratórios, níveis de oxigênio no sangue, frequência cardíaca, atividade cerebral e posição corporal. Com esses dados, é possível determinar o índice de apneia-hipopneia, número de eventos respiratórios por hora, e avaliar o impacto sobre o sistema cardiovascular.

O tratamento da apneia obstrutiva do sono é individualizado e pode envolver:

  1. Medidas comportamentais: perda de peso, redução de consumo de álcool, evitar sedativos e dormir preferencialmente em posição lateral.
  2. Dispositivos orais: aparelhos intraorais confeccionados por especialistas para avançar a mandíbula e ampliar o espaço da via aérea.
  3. Terapia com pressão positiva contínua (CPAP): equipamento que envia ar pressurizado por meio de máscara nasal ou facial, mantendo a via aérea aberta durante o sono.
  4. Abordagens cirúrgicas: indicadas em situações específicas, como alterações anatômicas importantes nas vias aéreas superiores.

Estudos de acompanhamento demonstram que o tratamento adequado com CPAP e outras abordagens reduz eventos de apneia, melhora a oxigenação noturna, auxilia no controle da pressão arterial e está associado à redução do risco de arritmias e eventos cardiovasculares em determinados grupos de pacientes.

A polissonografia é o exame de referência para diagnosticar a apneia obstrutiva do sono e quantificar sua gravidade – depositphotos.com / aliced

Autocuidado, prevenção e busca por assistência especializada

Diante da forte correlação entre apneia obstrutiva do sono, doenças do coração e eventos cerebrovasculares, a identificação precoce dos sintomas assume papel estratégico. Observar o padrão de sono, dar atenção a relatos de ronco alto com pausas respiratórias e reconhecer a sonolência diurna como possível sinal de alerta contribui para que a pessoa procure avaliação médica com mais rapidez. Profissionais das áreas de pneumologia, cardiologia, otorrinolaringologia e medicina do sono atuam de forma integrada na investigação e manejo desse distúrbio.

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Medidas de autocuidado, como controle de peso, prática de atividade física orientada, alimentação equilibrada e monitorização regular da pressão arterial, complementam o tratamento e ajudam a proteger o sistema cardiovascular. Em vez de encarar o ronco habitual como um hábito sem relevância clínica, a recomendação é tratá-lo como possível marcador de apneia obstrutiva, especialmente quando associado a outros sinais. A busca por diagnóstico por polissonografia e o seguimento adequado do tratamento indicado são estratégias fundamentais para reduzir o impacto da doença sobre o coração e o cérebro e preservar a saúde a longo prazo.

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