Alimentação

Goiaba brasileira se torna praga em Madagascar

Goiaba importada do Brasil ameaça biodiversidade em Madagascar: entenda a invasão, riscos ambientais, dados científicos e ações de controle

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A goiaba importada do Brasil, conhecida como Psidium cattleyanum ou araçazeiro, mudou a paisagem de partes de Madagascar nas últimas décadas. O que começou como uma introdução para produção de frutas e ornamentação hoje levanta alerta entre pesquisadores e órgãos ambientais malgaxes. A espécie exótica se espalha com rapidez, domina áreas nativas e altera o equilíbrio de florestas sensíveis da ilha.

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Especialistas apontam que essa guava brasileira aproveitou brechas deixadas por desmatamento e uso irregular do solo. Agricultores e colonizadores plantaram a espécie em quintais, pomares e cercas vivas. Em seguida, aves e mamíferos frugívoros passaram a dispersar as sementes para dentro das matas. Com poucos inimigos naturais e clima favorável, a planta encontrou ambiente propício para invasão em larga escala.

Por que a goiaba importada do Brasil virou espécie invasora em Madagascar?

Pesquisadores destacam três fatores principais para essa invasão: clima adequado, ausência de predadores naturais e alta capacidade reprodutiva. Madagascar apresenta regiões úmidas e montanhosas com temperaturas moderadas durante o ano. Essas condições favorecem o crescimento do Psidium cattleyanum. Ao mesmo tempo, fungos, insetos e doenças que regulam a espécie no Brasil não acompanham a planta até a ilha.

Além disso, a goiaba importada do Brasil produz muitas sementes por fruto e frutifica mais de uma vez ao ano em algumas áreas. Dessa forma, cada árvore gera centenas de mudas em um curto intervalo de tempo. Estudos publicados após 2020 relatam densidades superiores a mil indivíduos por hectare em certos trechos de florestas úmidas malgaxes. Em vários pontos, a espécie forma maciços quase puros e impede a regeneração de árvores nativas.

Como a goiaba brasileira se espalha pelo território malgaxe?

A expansão ocorre principalmente com a ajuda de animais. Lêmures, morcegos e aves consomem os frutos e levam as sementes por quilômetros. Em seguida, esses animais defecam as sementes em clareiras, margens de estradas e áreas agrícolas. As sementes germinam com facilidade, mesmo em solos pobres. Assim, a planta avança tanto em áreas naturais quanto em paisagens modificadas.

Humanos também aceleram esse processo. Agricultores usam a espécie como cerca viva e lenha de crescimento rápido. Moradores de vilas vendem os frutos em mercados locais. Caminhões e carros transportam essas cargas por diferentes regiões da ilha. Sementes caem nas estradas ou seguem misturadas a resíduos orgânicos descartados em terrenos baldios. Desse modo, novas populações surgem em locais antes livres da espécie.

  • Aves e morcegos dispersam sementes em florestas e bordas de mata.
  • Lêmures transportam frutos para áreas mais altas da ilha.
  • Veículos espalham sementes em acostamentos e estradas rurais.
  • Jardins e pomares funcionam como focos iniciais de invasão.
Goiaba – depositphotos.com / photomaru

Quais impactos a goiaba importada do Brasil causa na biodiversidade local?

Cientistas relatam que a espécie reduz a diversidade vegetal em diferentes regiões de Madagascar. O araçá brasileiro cresce rápido, tolera sombra e forma um denso sub-bosque. Assim, ele bloqueia a luz para plântulas de árvores nativas e altera o microclima próximo ao solo. Pesquisas feitas em reservas da parte leste mostram queda significativa no número de espécies arbustivas nativas sob áreas dominadas pela goiaba.

Esse efeito se estende aos animais. Muitas espécies endêmicas dependem de plantas nativas para alimento e abrigo. Quando a guava exótica forma grandes manchas, ela substitui espécies essenciais da floresta original. Alguns lêmures até consomem os frutos, porém perdem outras fontes de alimento mais nutritivas e variadas. Além disso, a alteração da estrutura do habitat pode afetar insetos, anfíbios e pequenos répteis sensíveis a mudanças de luz e umidade.

Pesquisas também chamam atenção para impactos indiretos. A presença maciça de Psidium cattleyanum aumenta a produção de biomassa inflamável em certas estações. Ramos secos e folhas acumuladas podem favorecer incêndios florestais mais intensos. Esses eventos prejudicam espécies de floresta úmida que não evoluíram com fogo frequente. Portanto, a invasão amplia riscos já ligados ao desmatamento e à expansão agrícola.

Como Madagascar tenta controlar a invasão da goiaba brasileira?

Autoridades ambientais e organizações de conservação adotam estratégias combinadas. Em algumas reservas, equipes realizam remoção manual e corte de árvores invasoras. Depois, técnicos plantam espécies nativas para acelerar a recuperação da vegetação. Esse tipo de manejo exige mão de obra constante e monitoramento prolongado. Mesmo assim, gestores consideram essas ações necessárias em áreas de alta prioridade para conservação.

Pesquisadores também avaliam o uso de controle biológico. Eles estudam pragas e doenças naturais da espécie no Brasil que possam atuar de forma específica sobre a planta. No entanto, especialistas tratam esse tipo de medida com cautela. Qualquer agente de controle precisa passar por testes rigorosos para evitar novos problemas ecológicos. Até 2026, equipes ainda buscam alternativas viáveis, com foco em segurança ambiental.

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  1. Mapear áreas mais afetadas pela invasão.
  2. Remover focos próximos a unidades de conservação prioritárias.
  3. Envolver comunidades locais no monitoramento das bordas de floresta.
  4. Restringir novos plantios da espécie em jardins e propriedades rurais.
  5. Investir em pesquisa sobre restauração ecológica com espécies nativas.

Apesar dos desafios, a situação da goiaba importada do Brasil em Madagascar ilustra um ponto central nas discussões atuais sobre espécies invasoras. Decisões tomadas décadas atrás continuam impactando ecossistemas frágeis da ilha. A combinação entre ciência, políticas públicas e participação comunitária tende a definir se a biodiversidade malgaxe conseguirá manter espaço diante da expansão dessa planta sul-americana.

Goiaba -depositphotos.com / elwynn

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