Saúde

Saiba como alguns superidosos mantêm o cérebro jovem após os 80 anos

Em diferentes partes do mundo, um grupo relativamente pequeno de pessoas com mais de 80 anos chama atenção de pesquisadores. Saiba como algumas pessoas nessa faixa etária mantêm o cérebro jovem.

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Em diferentes partes do mundo, um grupo relativamente pequeno de pessoas com mais de 80 anos chama atenção de pesquisadores. São idosos que lembram datas, nomes e detalhes do dia a dia com a mesma agilidade de pessoas décadas mais jovens. Assim, esse grupo de superidosos virou foco de estudos que buscam entender por que, em alguns cérebros, o envelhecimento parece ocorrer em ritmo mais lento, preservando memória, atenção e raciocínio.

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Nos últimos anos, avanços em exames de imagem e análises de tecidos cerebrais permitiram observar algo que até pouco tempo era considerado improvável. Ou seja, em certos superidosos, o cérebro continua produzindo novas células nervosas, mesmo em idades avançadas. Assim, essa capacidade, que tem o nome de neurogênese, aparece como uma das possíveis chaves para explicar como parte da população acima dos 80 anos consegue manter a mente afiada, apesar das mudanças naturais do envelhecimento.

Por décadas, prevaleceu a ideia de que o cérebro atingia um pico na idade adulta e depois entrava em declínio inevitável – depositphotos.com / AndrewLozovyi

Neurogênese em superidosos: o que a ciência já sabe?

A palavra-chave nessa discussão é neurogênese, o processo de formação de novos neurônios ao longo da vida. Assim, pesquisas recentes com superidosos indicam que, em regiões como o hipocampo área central para memória e aprendizagem , a produção de novas células nervosas continua ativa após os 80 anos. Estudos de autópsia e exames por ressonância magnética sugerem que esses cérebros mantêm uma densidade maior de neurônios e conexões sinápticas. Além disso, têm menos sinais de inflamação crônica.

Os cientistas destacam alguns fatores que costumam se associar a essa preservação. Entre eles estão um bom controle de doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, maior nível de escolaridade, prática regular de atividades cognitivamente desafiadoras e interação social frequente. Assim, embora não exista um único elemento determinante, a combinação desses fatores parece criar um ambiente favorável para que o cérebro continue se reorganizando e compensando perdas naturais. Ou seja, um fenômeno que recebe o nome de plasticidade cerebral.

Como o entendimento sobre o envelhecimento cerebral mudou ao longo do tempo?

Por décadas, prevaleceu a ideia de que o cérebro atingia um pico na idade adulta e depois entrava em declínio inevitável. Até o fim do século XX, muitos manuais de neurologia ensinavam que a produção de neurônios parava ainda na juventude. Assim, o envelhecimento cerebral era visto quase exclusivamente como um processo de perda. Ou seja, menos células, menos conexões e menor capacidade de aprender coisas novas.

A partir dos anos 1990, essa visão passou a ser alvo de contestações. Experimentos com animais mostraram que, em áreas específicas, o cérebro adulto continuava formando novos neurônios. Mais tarde, pesquisas com humanos identificaram sinais de neurogênese adulta em idosos. Ao mesmo tempo, o acompanhamento de superidosos revelou que alguns octogenários e nonagenários apresentavam desempenho em testes de memória equiparável ao de pessoas muito mais jovens. Portanto, isso abriu espaço para um novo paradigma: o envelhecimento cerebral não é igual para todos e pode ser influenciado por hábitos, ambiente e genética.

Manter a mente afiada depois dos 80 é possível para qualquer pessoa?

Os pesquisadores evitam generalizações. A condição de superidoso parece resultar de uma combinação complexa de fatores biológicos, sociais e comportamentais. Não há garantia de que alguém vá se tornar superidoso, mas diversos estudos indicam que algumas atitudes ao longo da vida podem aumentar a chance de chegar à terceira idade com boa reserva cognitiva, termo usado para descrever a capacidade do cérebro de lidar melhor com o desgaste natural.

Essa reserva cognitiva funciona como uma espécie de margem de segurança. Mesmo diante de pequenas lesões, alterações vasculares ou redução do volume cerebral, o indivíduo mantém o funcionamento intelectual estável. A literatura científica aponta que a construção dessa reserva começa cedo, mas continua ao longo de toda a vida, incluindo a velhice. Por isso, especialistas defendem que nunca é tarde para incluir na rotina comportamentos associados à saúde do cérebro.

O acompanhamento de superidosos revelou que alguns octogenários e nonagenários apresentavam desempenho em testes de memória equiparável ao de pessoas muito mais jovens – depositphotos.com / IgorVetushko

Dicas baseadas em estudos para preservar a cognição na terceira idade

Embora não exista fórmula única, algumas recomendações aparecem com frequência em pesquisas sobre envelhecimento cerebral saudável. Muitas delas envolvem atitudes simples, que podem ser ajustadas à realidade de cada idoso.

  • Atividade física regular: caminhadas, dança, musculação leve ou hidroginástica ajudam a melhorar a circulação sanguínea e a oxigenação do cérebro, além de estarem associadas a maior neurogênese no hipocampo.
  • Estimulação mental constante: aprender um idioma, tocar um instrumento, fazer palavras cruzadas, ler livros variados ou utilizar aplicativos de treino cognitivo podem intensificar a criação de novas conexões neurais.
  • Interação social: manter contato frequente com familiares, amigos, grupos comunitários ou institucionais reduz o isolamento, estimula a linguagem, a memória e a capacidade de resolver problemas em situações reais.
  • Alimentação equilibrada: padrões alimentares com mais frutas, verduras, legumes, grãos integrais, peixes e azeite, aliados à redução de ultraprocessados, têm sido associados a menor risco de declínio cognitivo.
  • Qualidade do sono: noites bem dormidas contribuem para a limpeza de resíduos metabólicos no cérebro e para a consolidação de memórias, favorecendo o bom funcionamento cognitivo.
  • Controle de doenças crônicas: acompanhamento médico regular, adesão a tratamentos e monitoramento de pressão arterial, glicemia e colesterol ajudam a proteger os vasos sanguíneos cerebrais.

Alguns estudos também destacam a importância de evitar o tabagismo, moderar o consumo de álcool e cuidar da audição, já que perdas auditivas não tratadas têm sido associadas a maior risco de demência. A adoção conjunta dessas medidas costuma ter impacto maior do que a prática isolada de apenas uma delas.

Quando a ciência se encontra com o cotidiano dos superidosos

Relatos de superidosos em diferentes países mostram um padrão recorrente: muitos mantêm uma rotina que combina movimento, curiosidade intelectual e laços sociais ativos. Há registros de pessoas com mais de 80 anos que continuam trabalhando de forma adaptada, participando de projetos voluntários ou estudando novas áreas, o que proporciona desafios mentais diários.

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Para além dos laboratórios, os resultados das pesquisas sobre neurogênese e envelhecimento saudável sugerem que o cérebro permanece mais plástico do que se imaginava. Em termos práticos, isso significa que, mesmo depois dos 80 anos, mudanças no estilo de vida podem ajudar a preservar ou até melhorar aspectos da cognição. A experiência de superidosos não é apresentada pela ciência como regra, mas como sinal de que o envelhecimento cerebral pode seguir caminhos diversos, e que a combinação entre conhecimento científico e escolhas diárias tem papel relevante na forma como cada pessoa atravessa a velhice.

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