Descoberta única: nova espécie de jabuticaba vive em apenas um local no país
Localizada em um trecho restrito da Mata Atlântica, uma nova espécie de árvore rara, aparentada da jabuticabeira, surgiu recentemente descrita por pesquisadores brasileiros.
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Localizada em um trecho restrito da Mata Atlântica, uma nova espécie de árvore rara, aparentada da jabuticabeira, surgiu recentemente descrita por pesquisadores brasileiros. A planta chama atenção pela presença de finos pelos dourados no tronco e nos galhos jovens. Essa característica não aparece em nenhuma outra espécie próxima. Além disso, a descoberta amplia o conhecimento sobre a diversidade de frutas nativas do país e levanta questões importantes sobre conservação.
A espécie ocorre, até o momento, em apenas uma área conhecida. Ela cresce em encosta de montanha bem preservada, dentro de uma unidade de conservação no Sudeste do Brasil. Os levantamentos de campo indicam ocorrência restrita a altitudes entre 900 e 1.150 metros. Nessa faixa, a árvore ocupa trechos de floresta úmida com solo profundo e bem drenado. Até agora, os botânicos registraram pouco mais de 60 indivíduos adultos. Esse número reduzido reforça o alerta para seu risco potencial e para a necessidade de monitoramento constante.
Descoberta única: nova espécie de jabuticaba vive em apenas um local no país
A nova árvore, considerada uma prima da jabuticabeira, pertence ao mesmo gênero Plinia, conhecido por produzir frutos diretamente no tronco. Assim como a jabuticaba comum, essa espécie rara apresenta frutos arredondados e polpa suculenta. No entanto, ela exibe diferenças marcantes. O tronco jovem, em vez de liso e acinzentado, traz uma camada de tricomas dourados que brilham sob a luz do sol. Essa característica inspirou o nome provisório que os pesquisadores usam em relatórios científicos e em comunicações internas de projeto.
Esses pelos dourados se concentram principalmente em:
- Ramos jovens e brotações novas;
- Botões florais antes da abertura;
- Superfície de folhas recém-formadas;
- Parte externa dos frutos imaturos.
Com o amadurecimento, os frutos assumem coloração arroxeada escura, lembrando a jabuticaba tradicional. No entanto, eles exibem casca um pouco mais espessa e reflexos dourados nas regiões onde os pelos se mantêm. Dessa forma, a aparência final combina tons roxos intensos com nuances amareladas discretas.
Quais são as principais características físicas da jabuticaba de pelos dourados?
A árvore atinge entre 4 e 7 metros de altura, com copa densa e formato arredondado. As folhas são pequenas, brilhantes e de cor verde-escura na fase adulta, o que forma contraste com os ramos dourados. As flores são brancas e discretas, mas surgem em grande número diretamente no tronco e em galhos mais grossos. Esse padrão típico do grupo das jabuticabas recebe o nome de caulifloria e facilita o acesso de diversos polinizadores.
Entre as características físicas mais destacadas pelos pesquisadores, estão:
- Presença de pelos dourados em tronco jovem, ramos e frutos ainda verdes;
- Frutos arredondados, de 2 a 3 centímetros de diâmetro, com polpa esbranquiçada e doce;
- Casca espessa em comparação com a jabuticabeira comum, com pigmentos roxos e reflexos amarelados;
- Crescimento lento, típico de espécies de sub-bosque em florestas de altitude;
- Floração concentrada em períodos de maior umidade, geralmente no fim do verão.
Do ponto de vista do parentesco, análises genéticas preliminares indicam que essa árvore se aproxima de algumas variedades silvestres de jabuticaba. Contudo, os dados mostram que ela forma um ramo próprio na árvore genealógica do grupo, o que confirma seu status de espécie distinta. Além disso, os cientistas observam diferenças claras em estruturas microscópicas das folhas e das flores.
Por que essa nova árvore rara é importante para a ciência e para o ambiente?
A descoberta de uma parente rara da jabuticabeira acrescenta elementos relevantes a estudos de evolução, conservação e uso sustentável de frutos nativos. Geneticamente, a espécie ajuda a reconstruir a história do grupo Plinia. Ela indica como diferentes linhagens se adaptaram a altitudes maiores, a solos específicos e a regimes de chuva mais intensos. Isso contribui para entender melhor a diversidade da Mata Atlântica, um dos biomas mais estudados e, ao mesmo tempo, mais ameaçados do país.
Do ponto de vista ecológico, a árvore de pelos dourados cumpre funções importantes:
- Oferta de alimento para aves, mamíferos e insetos frugívoros, que se alimentam da polpa;
- Dispersão de sementes por animais, o que ajuda na regeneração da floresta;
- Manutenção da diversidade genética local, ao compor um conjunto único de espécies de sub-bosque;
- Indicador ambiental, já que sua presença se associa a trechos bem preservados de floresta de altitude.
Pesquisadores também apontam o potencial de estudos futuros sobre compostos presentes na casca e na polpa. Esses compostos podem oferecer informações sobre propriedades nutricionais e possíveis aplicações em produtos alimentícios ou farmacêuticos. Porém, as equipes reforçam a necessidade de seguir diretrizes de uso responsável e de garantir repartição justa de benefícios.
Quais são os desafios para preservar essa espécie rara de jabuticaba?
Embora a nova espécie ocorra dentro de uma área protegida, os desafios para sua preservação permanecem significativos. A distribuição extremamente restrita, a poucos quilômetros quadrados, torna a árvore vulnerável a eventos pontuais. Deslizamentos de encosta, incêndios florestais ou alterações climáticas que afetem o regime de chuvas nas montanhas representam ameaças reais. Além disso, o número reduzido de indivíduos aumenta o risco de perda genética e de gargalos populacionais.
Entre os principais obstáculos e necessidades que as equipes de pesquisa destacam, estão:
- Mapeamento completo da população, incluindo árvores jovens e plântulas ainda em crescimento;
- Monitoramento de longo prazo para avaliar taxa de regeneração, floração e frutificação anual;
- Estudos de reprodução para entender polinização, dispersores de sementes e variabilidade genética;
- Programas de conservação ex situ, com cultivo em coleções científicas e jardins botânicos;
- Proteção do entorno da unidade de conservação, o que reduz pressões como desmatamento ilegal e fogo.
Especialistas defendem que o conhecimento detalhado sobre essa jabuticaba de pelos dourados orienta planos específicos de manejo. Esses planos incluem a produção de mudas, bancos de sementes e, no futuro, estratégias controladas de reintrodução em áreas adequadas dentro do mesmo mosaico de montanhas. Paralelamente, ações de educação ambiental podem envolver comunidades vizinhas e fortalecer o apoio local à conservação.
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À medida que novas expedições e levantamentos de campo ocorram, a espécie poderá revelar mais informações sobre a história natural das jabuticabeiras e sobre o funcionamento das florestas de altitude. A descoberta reforça a relevância de pesquisas de campo contínuas em regiões pouco exploradas. Nesses locais, outras árvores discretas, mas biologicamente importantes, ainda podem aguardar descrição formal e reconhecimento científico.