Alimentação

Lentilha-d’água: a superplanta nutritiva que cresce em dias

A lentilha-d’água é uma planta minúscula que forma tapetes verdes na superfície de lagos, açudes e tanques. Saiba se ela é comestível e segura para consumo.

Publicidade
Carregando...

A lentilha-d’água, que também leva o nome de lentilha aquática ou aguapé-miúdo em algumas regiões, é uma planta minúscula que forma tapetes verdes na superfície de lagos, açudes e tanques. No entanto, apesar da aparência simples, esse vegetal desperta curiosidade por crescer muito rápido e cobrir corpos d’água em pouco tempo. Dessa forma, muitas pessoas se perguntam se a lentilha-d’água é comestível, se é de fato nutritiva e por qual motivo quase não aparece no prato de ninguém.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover

Essa planta pertence a um grupo de espécies aquáticas flutuantes, de tamanho tão reduzido que mal se distingue cada unidade a olho nu. Ademais, em ambientes rurais, é comum ser vista como “mato de açude” ou como sinal de água parada. Porém, pesquisas nas últimas décadas chamam atenção para o seu potencial como alimento alternativo, tanto para humanos quanto para animais. Portanto, isso recoloca a lentilha-d’água no centro de debates sobre nutrição e sustentabilidade.

Do ponto de vista biológico, a lentilha-d’água é considerada comestível, desde que proveniente de ambientes controlados e sem contaminação – depositphotos.com / membio

A lentilha-d’água é comestível e segura para consumo?

Do ponto de vista biológico, a lentilha-d’água é considerada comestível, desde que proveniente de ambientes controlados e sem contaminação. Em alguns países da Ásia, consomem-se determinadas espécies de lentilha aquática há muito tempo, cozidas ou usadas em sopas e refogados. Nesses locais, o cultivo ocorre em tanques próprios, com monitoramento da qualidade da água e sem uso de substâncias tóxicas.

O principal cuidado está na origem. Afinal, como essa planta cresce diretamente na lâmina d’água, ela pode acumular metais pesados, resíduos de agrotóxicos e micro-organismos patogênicos quando se desenvolve em lagoas poluídas, valas de esgoto ou represas com descarte irregular de resíduos. Por isso, para consumo humano, é necessário que a produção da lentilha-d’água seja em sistemas semelhantes aos usados para hortaliças, com água de boa qualidade, manejo adequado e, idealmente, inspeção sanitária.

Em contextos de pesquisa e de produção experimental, a planta costuma ser higienizada como folhas verdes: colhida, lavada em água corrente, em alguns casos deixada de molho em solução clorada apropriada para alimentos e, depois, cozida. Esse processo reduz a carga microbiana, mas não resolve problemas de metais pesados, reforçando a necessidade de cultivo em ambiente limpo desde o início.

Lentilha-d’água é nutritiva? Quais são os principais nutrientes?

No campo da nutrição, a lentilha-d’água chama atenção pela combinação de proteínas vegetais e minerais. Estudos recentes indicam que algumas espécies podem apresentar teor de proteína comparável ao de leguminosas tradicionais, como feijão e ervilha, quando a massa é analisada na forma seca. Além disso, a planta pode fornecer ferro, cálcio, potássio e vitaminas do complexo B, dependendo das condições de cultivo.

Outro ponto frequentemente citado é a presença de fibras alimentares e compostos bioativos, que contribuem para a sensação de saciedade e para o bom funcionamento intestinal. A quantidade de carboidratos costuma ser moderada, o que torna a lentilha aquática interessante em dietas que priorizam alimentos de menor densidade calórica, especialmente quando combinada com outros vegetais.

De forma geral, as possíveis contribuições nutricionais da lentilha-d’água incluem:

  • Proteínas de origem vegetal, úteis em dietas com menor consumo de carne;
  • Minerais como ferro e cálcio, importantes para sangue e ossos;
  • Fibras, que auxiliam na regulação do intestino;
  • Vitaminas, principalmente algumas do complexo B, ligadas ao metabolismo energético.

Os valores exatos variam conforme a espécie, a qualidade da água e o manejo, o que faz com que pesquisas de composição continuem em andamento em 2025.

A lentilha-d’água se reproduz rapidamente? Por que cresce tanto?

A palavra-chave quando se fala em lentilha-d’água é crescimento rápido. Em condições favoráveis de luz, temperatura e nutrientes, essa planta pode duplicar a biomassa em poucos dias. Em tanques de pesquisa, há registros de taxas de multiplicação que superam muitas hortaliças de cultivo tradicional, o que desperta interesse para produção de ração e para uso em sistemas de tratamento de efluentes agropecuários.

A reprodução ocorre principalmente por via vegetativa. Cada pequena unidade se divide, formando novas plantas idênticas, que continuam se fragmentando e ampliando o tapete verde sobre a superfície. Essa característica explica por que, em lagoas com muita matéria orgânica e nutrientes, a lentilha-d’água pode cobrir a água quase por completo, alterando a paisagem em poucas semanas.

Esse crescimento acelerado tem efeitos ambíguos. Em sistemas controlados, é uma vantagem, pois permite alta produtividade em área reduzida. Em ambientes naturais, porém, a expansão excessiva pode reduzir a entrada de luz na coluna d’água e afetar outras formas de vida aquática. Por isso, o manejo é considerado ponto central quando se pensa na lentilha-d’água como recurso produtivo.

No campo da nutrição, a lentilha-d’água chama atenção pela combinação de proteínas vegetais e minerais – depositphotos.com / Noppharat_th

Se é nutritiva, por que quase ninguém come lentilha-d’água?

Apesar do potencial nutricional e da rapidez de cultivo, a lentilha-d’água ainda é pouco vista como alimento humano em grande parte do mundo, incluindo o Brasil. Um dos fatores é cultural: a planta costuma ser associada a água parada, sujeira ou presença de mosquitos, o que cria resistência à ideia de levá-la para a mesa. Além disso, não faz parte do repertório culinário tradicional na maioria das regiões, ao contrário de hortaliças já consolidadas.

Outro ponto é a falta de regulamentação específica em muitos países. Para que um alimento seja comercializado em larga escala, é necessário que existam normas claras sobre produção, processamento e rotulagem. Em 2025, há pesquisas em andamento e projetos-piloto de cultivo, mas o caminho regulatório ainda é restrito em vários mercados, o que limita a presença da lentilha-d’água em supermercados e feiras.

Também há desafios práticos de processamento. Como as plantas são muito pequenas, a colheita, a limpeza e a padronização do produto exigem tecnologia específica, principalmente quando o objetivo é oferecer um item pronto para consumo, como folhas congeladas ou desidratadas. Sem equipamentos adequados, os custos podem ficar pouco competitivos em comparação com hortaliças já consolidadas.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Apesar dessas barreiras, a lentilha-d’água aparece com frequência em estudos sobre alimentos do futuro, por unir alto potencial produtivo, valor nutricional e capacidade de crescer em áreas aquáticas, poupando solo agrícola. Em vários centros de pesquisa, o foco está em avaliar segurança, padronizar formas de preparo culinário e entender melhor como esse vegetal pode se encaixar nos hábitos alimentares, seja em pratos caseiros, seja como ingrediente em produtos processados e rações.

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay