Por que o fermento faz inchar o paõ e o bolo?
Quando um bolo cresce no forno, acontece ali dentro uma combinação de química e física em plena atividade.
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Quando um bolo cresce no forno, acontece ali dentro uma combinação de química e física em plena atividade. O fermento reage com os demais ingredientes, libera gases e, com a ajuda do calor, transforma uma massa densa em uma estrutura fofa e aerada. Portanto, quem cozinha e entende esse processo evita bolos abatidos, duros ou secos. Além disso, essa compreensão permite ajustar a receita com mais segurança.
Na prática, o fermento forma pequenas bolhas de gás na massa, que a rede de glúten e as proteínas do ovo seguram. À medida que a temperatura aumenta, essas bolhas se expandem e a estrutura endurece. Assim, o bolo mantém o volume. Trata-se de um mecanismo relativamente simples, porém depende de proporções corretas, temperatura adequada do forno e ingredientes em bom estado.
Como o fermento faz o bolo crescer?
O fermento químico, encontrado nos mercados como fermento em pó para bolos, contém substâncias que reagem liberando dióxido de carbono (CO?). Esse gás se espalha pela massa ainda crua e forma bolhas microscópicas. Enquanto a massa permanece fria, essas bolhas começam a se formar de maneira controlada. Em seguida, no forno, com o aumento da temperatura, o CO? se expande e empurra a massa para cima e para os lados.
Ao mesmo tempo, o calor coagula as proteínas dos ovos e da farinha e gelatiniza o amido. Esse efeito endurece a estrutura que antes se mostrava flexível. Desse modo, o bolo para de crescer e “trava” no formato final. Se a pessoa abre o forno cedo demais, parte desse gás escapa e a estrutura ainda não apresenta firmeza suficiente. Isso pode levar ao famoso “bolo murchado”. Por esse motivo, o comportamento do fermento se relaciona diretamente com a temperatura do forno, o tempo de assar e a textura inicial da massa.
Quais são os ingredientes básicos do fermento químico?
A palavra-chave neste tema é fermento químico, também chamado de fermento em pó. Diferente do fermento biológico, usado em pães, ele não depende de micro-organismos. Em vez disso, ele utiliza reações entre compostos químicos para liberar gás. De forma geral, o fermento em pó reúne três componentes principais, que a indústria alimentícia combina de modo equilibrado.
Os ingredientes básicos do fermento químico são:
- Base alcalina: normalmente bicarbonato de sódio, que libera CO? quando reage com um ácido.
- Ácido ou mistura de ácidos: como fosfatos ácidos ou sulfatos ácidos, que reagem com o bicarbonato quando entram em contato com umidade e calor.
- Agente estabilizante: geralmente amido (de milho ou outro cereal), que absorve umidade, evita reação precoce e ajuda a distribuir o fermento na massa.
Além desses componentes, algumas marcas incluem agentes antiumectantes ou reguladores de acidez para melhorar a estabilidade. Alguns fermentos são de “dupla ação”. Nesse caso, parte do gás se libera quando o pó entra em contato com o líquido da receita, e outra parte reage apenas em temperaturas mais altas. Essa característica oferece mais tolerância a atrasos entre misturar a massa e levar ao forno. Assim, o risco de perda de volume diminui.
Quais fatores da massa influenciam o efeito do fermento?
Para que o fermento faça o bolo crescer de forma eficiente, adicionar o pó não basta. A própria massa precisa oferecer uma rede capaz de segurar o gás e se firmar com o calor. Dessa forma, alguns pontos interferem diretamente nesse resultado e merecem atenção.
- Proporção de farinha e líquidos: massa muito líquida dispersa as bolhas, enquanto massa muito seca dificulta o crescimento.
- Quantidade de gordura: manteiga e óleo aumentam a maciez, mas, em excesso, deixam a estrutura frágil.
- Ovos: contribuem com proteínas que formam uma espécie de “esqueleto” para o bolo e também incorporam ar na etapa de batimento.
- Tempo de mistura: mexer demais depois de acrescentar o fermento pode expulsar parte do gás já formado e desenvolver glúten em excesso, deixando a massa pesada.
- Tempo até ir ao forno: em massas com líquidos ácidos, como iogurte ou suco de limão, deixar a massa parada por vários minutos pode antecipar a reação do fermento fora do forno.
Além disso, a acidez geral da massa influencia o sabor e a cor da crosta. Um pH muito baixo intensifica a reação e pode deixar o bolo mais claro. Por outro lado, um pH mais alto reduz a liberação de gás e pode resultar em textura densa. O controle desses fatores facilita o trabalho do fermento e permite que o bolo atinja o volume esperado. Assim, a pessoa obtém textura uniforme, sem grandes buracos internos.
Truque de física de cozinha: o teste do copo de água
Um truque simples, baseado em princípios de física e química, ajuda a verificar se o fermento químico ainda apresenta boa atividade. A ideia consiste em observar se o produto ainda libera gás em quantidade suficiente para fazer um bolo crescer. Com esse teste, a pessoa evita usar fermento vencido ou mal armazenado, que tende a produzir menos CO?.
- Encher um copo com cerca de meio copo de água morna, sem necessidade de ferver.
- Adicionar aproximadamente meia colher de chá de fermento químico à água.
- Observar o comportamento do pó nos primeiros segundos.
Se o fermento permanece em boas condições, ele forma bolhas de gás de forma rápida e visível, que sobem à superfície. Isso ocorre porque o bicarbonato reage com os ácidos presentes no próprio fermento e libera CO? em contato com a água. Pelo contrário, se quase não surgem bolhas, o produto provavelmente perdeu parte da atividade. Nesse caso, ele pode não gerar gás suficiente para fazer o bolo crescer adequadamente. Esse pequeno experimento mostra, na prática, como a liberação de gás se torna fundamental para o aumento de volume na massa.
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Em resumo, quem compreende como o fermento químico age, quais são seus ingredientes básicos e de que maneira a massa reage a esse processo ganha mais controle na cozinha. A partir desse entendimento, a pessoa ajusta receitas, troca marcas ou corrige falhas no preparo com mais segurança. Tudo isso se apoia na relação entre química, física e temperatura dentro do forno.