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Biopirataria e soberania: como o Brasil protege o açaí e sua biodiversidade

O açaí, antes consumido de forma quase exclusiva na região amazônica, tornou-se um produto global e altamente valorizado.

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O açaí, antes consumido de forma quase exclusiva na região amazônica, tornou-se um produto global e altamente valorizado. Esse crescimento despertou interesse econômico e científico em vários países. Além disso, levantou preocupações sobre biopirataria, ou seja, a exploração de recursos genéticos e conhecimentos tradicionais sem autorização ou repartição justa de benefícios. Diante desse cenário, o Brasil fortalece instrumentos legais, científicos e diplomáticos para proteger o açaí e, ao mesmo tempo, garante que sua biodiversidade continue como fonte de desenvolvimento.

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Nessa discussão, a palavra-chave é proteção do açaí. No entanto, ela se liga diretamente à defesa da soberania sobre a Amazônia, à valorização de povos tradicionais e à regulação do acesso aos recursos genéticos. A atuação do Estado brasileiro combina leis específicas, participação em acordos internacionais e ações de fiscalização. Desse modo, o país tenta evitar que empresas estrangeiras se apropriem de sementes, variedades ou marcas relacionadas ao fruto sem qualquer retorno para o país de origem.

Biopirataria do açaí: o que está em jogo?

A biopirataria do açaí ocorre quando agentes externos utilizam o fruto, seus genes ou o conhecimento associado ao seu uso para desenvolver produtos. Esses produtos incluem suplementos, cosméticos ou medicamentos que ignoram as normas brasileiras. Isso envolve registro de patentes em outros países, exportação ilegal de material genético ou uso comercial de saberes de comunidades amazônicas sem reconhecimento ou compensação. O problema não se limita à perda econômica. Ele envolve também direitos culturais e territoriais de povos indígenas e ribeirinhos.

O interesse internacional no açaí se relaciona ao seu potencial nutricional e antioxidante. Por isso, cadeias produtivas surgem em diversos continentes. Sem regulamentação firme, cresce o risco de empresas registrarem marcas e processos ligados ao fruto em outros países. Assim, produtores brasileiros enfrentam possíveis barreiras comerciais. Por esse motivo, muitos especialistas tratam a defesa contra a biopirataria como parte da estratégia de manutenção da soberania sobre a biodiversidade amazônica.

açaí depositphotos.com / diogoppr

Como o Brasil está tentando defender o açaí da biopirataria?

A principal linha de defesa do Brasil contra a biopirataria do açaí consiste no fortalecimento do marco legal sobre acesso ao patrimônio genético e ao conhecimento tradicional associado. A Lei nº 13.123/2015, conhecida como Lei da Biodiversidade, define regras para pesquisas, desenvolvimento de novos produtos e repartição de benefícios. Assim, qualquer empresa ou instituição que utilize recursos genéticos brasileiros precisa se cadastrar em um sistema oficial. Em certos casos, também precisa firmar acordos de compensação com comunidades envolvidas.

Além da legislação interna, o país atua em fóruns internacionais para reforçar o princípio de que a biodiversidade pertence ao Estado de origem. Essa posição se alinha à Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) e ao Protocolo de Nagoya. Nesses espaços, a diplomacia brasileira pressiona para que outros países respeitem normas de origem e rejeitem patentes baseadas em recursos amazônicos obtidos sem consentimento. Essa combinação de normas internas e negociações externas reduz brechas jurídicas que favorecem a biopirataria.

Na prática, diferentes órgãos públicos participam desse esforço. Além disso, eles articulam ações com estados, municípios e instituições científicas:

  • Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGen): coordena a aplicação da Lei da Biodiversidade e define diretrizes técnicas.
  • Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI): analisa pedidos de patente que possam envolver o açaí ou derivados e verifica o cumprimento da legislação.
  • Institutos ambientais e de fiscalização: monitoram coleta, transporte e exportação de material biológico sensível e combatem práticas ilegais.

Quais estratégias fortalecem a proteção do açaí na prática?

Além das normas, o Brasil aumenta o controle sobre a cadeia produtiva e estimula o uso responsável do açaí. Uma frente importante consiste no incentivo a arranjos produtivos locais e cooperativas de agricultores familiares. Dessa forma, produtores garantem maior rastreabilidade da produção. Quanto maior o controle sobre origem, manejo e comercialização, menor o espaço para práticas irregulares. Em paralelo, o país discute o registro de indicações geográficas. Assim, associa o açaí à região amazônica como forma de reconhecer sua procedência e proteger sua identidade territorial.

Outra estratégia relevante envolve o fortalecimento de pesquisas realizadas por universidades e instituições científicas brasileiras. Ao produzir conhecimento e tecnologia sobre o açaí dentro do país, pesquisadores ampliam a capacidade nacional de registrar patentes, desenvolver produtos e negociar em igualdade nas cadeias globais. Como resultado, o Brasil reduz a dependência de centros estrangeiros e mantém mais ganhos econômicos em território nacional. Além disso, projetos de pesquisa ampliam dados sobre diversidade genética, qualidade nutricional e potencial farmacêutico do fruto.

  • Valorização de comunidades tradicionais e povos indígenas, reconhecendo seu papel na domesticação e uso histórico do açaí.
  • Promoção do manejo sustentável dos açaizais, evitando desmatamento e monocultura predatória e estimulando sistemas agroflorestais.
  • Parcerias entre governo, setor privado e sociedade civil para campanhas de combate à biopirataria e para educação ambiental nas regiões produtoras.

Como o produtor e o consumidor entram nessa defesa?

A proteção do açaí contra a biopirataria não depende apenas de normas estatais. Produtores, cooperativas e empresas brasileiras adotam boas práticas contratuais e de certificação. Dessa maneira, eles incluem cláusulas de respeito à origem do recurso genético e à repartição de benefícios quando negociam com parceiros internacionais. Ao registrar marcas, padronizar rotulagem e garantir transparência, o setor produtivo fortalece a posição do açaí brasileiro no mercado e amplia a confiança dos compradores.

Do lado do consumo, cresce o interesse por produtos com origem rastreável e compromissos socioambientais claros. Empresas que destacam em seus rótulos a procedência amazônica, o trabalho com comunidades locais e o respeito às leis de biodiversidade reforçam a imagem de responsabilidade na cadeia do açaí. Portanto, esse tipo de escolha favorece modelos de negócios que reconhecem a biodiversidade como patrimônio coletivo e não como fonte livre de exploração.

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Dessa forma, vários atores organizam a defesa do açaí contra a biopirataria em múltiplas frentes: legislação robusta, atuação internacional, pesquisa nacional, valorização de saberes tradicionais e práticas responsáveis de produção e consumo. O desafio permanece constante. No entanto, o fortalecimento dessas iniciativas tende a consolidar o açaí como símbolo de biodiversidade protegida e de uso sustentável da floresta amazônica.

açaí – depositphotos.com / diogoppr

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