Alimentação

Trump vs. leite desnatado: quem vai ganhar no refeitório das escolas

A discussão sobre o leite integral nas escolas dos Estados Unidos gira em torno de uma questão simples, mas com muitos detalhes. Saiba mais sobre a polêmica envolvendo Donald Trump.

Publicidade
Carregando...

A discussão sobre o leite integral nas escolas dos Estados Unidos gira em torno de uma questão simples, mas com muitos detalhes. Trata-se de qual tipo de leite é adequa-se à oferta para crianças na merenda escolar. Durante anos, as regras federais limitaram o consumo de leite com mais gordura. Isso gerou debates entre profissionais de saúde, políticos, famílias e produtores rurais.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover

Desde 2012, com regras aprovadas na gestão de Barack Obama, as escolas públicas que participam do Programa Nacional de Merenda Escolar passaram a oferecer apenas leite desnatado ou com baixo teor de gordura. Assim, o objetivo dessas normas era reduzir o consumo de gordura saturada. Ou seja, tentar combater problemas como obesidade infantil e doenças do coração no futuro.

Quem apoia a liberação do leite integral na merenda escolar costuma apresentar alguns pontos principais – depositphotos.com / NatashaFedorova

O que dizia a regra que proibia o leite integral?

As normas da era Obama para a alimentação escolar notabilizaram-se por incentivar refeições mais “magras”. Em relação ao leite, a regra básica era direta. Ou seja, não oferecer leite integral nem leite com 2% de gordura nas escolas participantes do programa federal. Só eram permitidos:

  • Leite desnatado (0% de gordura);
  • Leite com baixo teor de gordura (1%);
  • Versões com pouco açúcar adicionado em alguns casos.

Na prática, isso significava que uma criança que estivesse acostumada em casa a beber leite integral encontrava, na escola, apenas opções mais leves. A justificativa técnica se baseava em recomendações de organizações de saúde que defendem a redução da gordura saturada desde a infância, para diminuir o risco de colesterol alto e outros problemas ao longo da vida.

O que muda com a proposta de Donald Trump sobre leite integral?

Agora, o atual presidente, Donald Trump, apoiou mudanças nas regras da merenda escolar, incluindo a questão do leite. Ele assinou um projeto de lei que revoga os limites da era Obama para substitutos do leite com alto teor de gordura. Com isso, as escolas passam a ter autorização para oferecer, além das opções já existentes, também:

  • Leite integral (cerca de 3,25% de gordura);
  • Leite com 2% de gordura.

Essas bebidas voltam ao cardápio como alternativa às versões desnatadas e com baixo teor de gordura. A ideia central da mudança é dar mais flexibilidade às escolas e mais variedade às crianças, sem obrigar ninguém a abandonar o leite mais magro. Portanto, o leite integral passa a ser uma opção, não uma obrigação.

Quais são os argumentos de quem defende o leite integral nas escolas?

Quem apoia a liberação do leite integral na merenda escolar costuma apresentar alguns pontos principais. Entre eles, aparecem tanto motivos nutricionais quanto práticos do dia a dia. Ademais, alguns defensores afirmam que, ao restringir demais a gordura, muitas crianças passaram a rejeitar o leite oferecido na escola.

  1. Maior aceitação pelas crianças: muitos relatos indicam que estudantes preferem o sabor do leite integral. Quando só há versões desnatadas, parte dos alunos simplesmente deixa de beber leite, o que reduz o consumo de cálcio e proteínas.
  2. Saciedade: a gordura presente no leite integral pode ajudar a manter a sensação de “barriga cheia” por mais tempo. Para alguns defensores, isso contribui para que a criança não sinta fome pouco tempo depois da refeição.
  3. Consumo de nutrientes: há o argumento de que é melhor a criança beber um copo de leite integral, com um pouco mais de gordura, do que não beber nada. Nesse raciocínio, o foco é garantir a ingestão de cálcio, vitaminas e proteínas.
  4. Alinhamento com o que é consumido em casa: famílias que já usam leite integral no dia a dia consideram mais simples que a escola ofereça o mesmo tipo de produto.

Alguns produtores de leite e representantes de áreas rurais também apoiam a medida. Afinal, ela amplia o mercado para diferentes tipos de leite e reduz a quantidade de produto rejeitado pelos alunos.

O atual presidente, Donald Trump, apoiou mudanças nas regras da merenda escolar, incluindo a questão do leite – depositphotos.com / thenews2.com

Por que há críticas ao retorno do leite integral na merenda?

Do outro lado, há grupos de nutricionistas, pediatras e organizações de saúde pública que fazem críticas à liberação do leite integral nas escolas dos Estados Unidos. Assim, o ponto central refere-se à quantidade de gordura saturada na alimentação das crianças.

  • Preocupação com obesidade infantil: alguns especialistas temem que o aumento do consumo de produtos mais gordurosos possa contribuir, ao longo do tempo, para o ganho de peso, especialmente em crianças que já têm alimentação rica em fast food, doces e refrigerantes.
  • Risco cardiovascular na vida adulta: as orientações tradicionais de cardiologia recomendam limitar a gordura saturada desde cedo. A crítica é que flexibilizar demais essa regra pode ir na direção oposta das políticas de prevenção.
  • Ambiente escolar como referência: para muitos profissionais, a escola deve servir de exemplo de alimentação equilibrada. Permitir leite integral é visto por alguns como um recuo em relação a metas de saúde pública construídas ao longo de anos.

Os críticos costumam afirmar que, mesmo que o leite integral tenha nutrientes importantes, esses mesmos nutrientes também estão presentes nas versões com menos gordura, que ofereceriam, segundo essa visão, um perfil mais adequado para o consumo diário em ambiente escolar.

Quais podem ser os impactos na saúde das crianças?

Os possíveis impactos da política do leite integral na escola dependem de como cada rede de ensino aplica as novas regras e de como é a alimentação da criança fora do ambiente escolar. Em termos simples, alguns cenários são apontados por especialistas:

  • Se o leite integral ajudar a aumentar a ingestão de cálcio, vitaminas e proteínas em crianças que antes não bebiam leite, pode haver ganho nutricional.
  • Se o consumo de gordura saturada aumentar muito, especialmente em combinação com outros alimentos gordurosos, pode ocorrer maior risco de sobrepeso ao longo do tempo.

Para evitar extremos, algumas escolas optam por oferecer o leite integral em certas situações, como no café da manhã ou em dias específicos, mantendo o leite com baixo teor de gordura como padrão. Outras estabelecem limites de porção, como um copo por refeição, para equilibrar os nutrientes.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Na prática, o debate sobre o leite integral nas escolas dos Estados Unidos mostra um conflito frequente na área de nutrição infantil: de um lado, o cuidado com a qualidade dos alimentos e, de outro, a necessidade de garantir que as crianças realmente comam e bebam o que lhes é oferecido. A decisão final costuma envolver famílias, profissionais de saúde, escolas e autoridades públicas, sempre tentando ajustar sabor, hábito e saúde em um mesmo cardápio.

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay