O iodo ajuda a remover agrotóxicos de frutas e verduras?
Descubra se lavar frutas e verduras com iodo remove agrotóxicos: verdade ou mito? Entenda riscos, cuidados e alternativas seguras
compartilhe
SIGA
O hábito de lavar frutas e verduras em bacia d’água com algumas gotas de iodo gera dúvidas em muita gente. A prática é apresentada, em alguns casos, como forma de retirar agrotóxicos dos alimentos frescos. No entanto, órgãos de saúde e especialistas em segurança alimentar apontam que a função principal desse tipo de procedimento é a desinfecção microbiológica, e não a remoção de resíduos de pesticidas.
Na rotina das cozinhas domésticas, escolas e restaurantes, o cuidado com a higienização é fundamental para reduzir riscos de contaminação por vírus, bactérias e parasitas. A discussão sobre o uso de iodo, hipoclorito e outros sanitizantes costuma misturar dois temas diferentes: remoção de sujeira e microrganismos e redução de agrotóxicos. Por isso, entender o que cada etapa realmente faz ajuda a evitar expectativas equivocadas sobre a limpeza de frutas e hortaliças.
Verdade ou mito: iodo retira agrotóxicos das frutas e verduras?
A afirmação de que “colocar frutas e verduras em água com gotas de iodo retira parte dos agrotóxicos” é, em grande medida, um mito quando o foco é a eliminação de pesticidas de forma relevante. O iodo, em soluções apropriadas para uso em alimentos, tem ação voltada principalmente à desinfecção, isto é, à redução de microrganismos presentes na superfície. Já os agrotóxicos, também chamados de defensivos agrícolas ou pesticidas, têm estruturas químicas variadas e, muitas vezes, não são removidos de maneira significativa apenas com esse tipo de sanitizante.
Alguns resíduos de agrotóxicos mais superficiais podem diminuir após lavagem cuidadosa e imersão em soluções indicadas, mas não há evidências sólidas de que o iodo seja eficaz para “limpar” pesticidas a ponto de eliminar o problema. Em 2025, recomendações atualizadas de entidades de saúde pública ainda reforçam que lavar bem em água corrente e usar sanitizantes adequados servem para segurança microbiológica, não como método garantido de remoção de defensivos.
Como funciona a higienização de frutas e hortaliças com iodo ou outros sanitizantes?
A higienização de frutas e hortaliças costuma seguir etapas definidas, voltadas a reduzir sujeira visível, microrganismos e, em menor escala, parte de resíduos superficiais. O processo não é exclusivo do iodo: o mais comum, no Brasil, é o uso de hipoclorito de sódio próprio para alimentos ou produtos similares, seguindo sempre a diluição e o tempo indicados no rótulo.
Em linhas gerais, o passo a passo recomendado por serviços de vigilância sanitária costuma incluir:
- Seleção e descarte de partes muito danificadas ou estragadas.
- Lavagem em água corrente, folha a folha no caso das hortaliças, para retirar terra, poeira e parte de resíduos superficiais.
- Imersão em solução sanitizante (hipoclorito ou outro produto regularizado), na concentração correta, por um tempo previamente orientado.
- Enxágue final em água potável para remover excesso do produto sanitizante.
Quando se fala em iodo, na prática, muitas pessoas se referem a soluções desinfetantes que contêm compostos iodados, utilizadas em alguns contextos específicos. O uso deve sempre respeitar orientações técnicas, já que concentrações inadequadas podem alterar sabor, cor ou até representar risco se forem usadas de forma incorreta. Em todos os casos, o foco é a segurança microbiológica, não a remoção completa de pesticidas.
O iodo realmente ajuda a reduzir pesticidas nos alimentos?
A palavra-chave nesse debate é “agrotóxicos”. Esses produtos podem ser sistêmicos (absorvidos pela planta) ou de contato (mais superficiais). Mesmo em relação aos de contato, a remoção por lavagem é limitada. Estudos em segurança de alimentos apontam que:
- Parte dos resíduos superficiais pode ser reduzida com enxágue e escovação de cascas firmes, como maçã, pepino e batata.
- Soluções sanitizantes ajudam a remover sujidades e microrganismos, mas não são projetadas especificamente para degradar pesticidas.
- Alguns defensivos se ligam à superfície ou penetram em camadas externas, o que dificulta sua remoção completa por métodos domésticos.
Dessa forma, dizer que pingar iodo na bacia d’água “tira os agrotóxicos” simplifica demais um problema complexo. O que se observa, na prática, é uma possível pequena redução em alguns casos, mas não a eliminação confiável dos resíduos. A principal estratégia de controle de agrotóxicos continua sendo a fiscalização do uso no campo, o cumprimento de períodos de carência e o consumo de alimentos produzidos dentro das normas regulatórias.
Como reduzir a exposição a agrotóxicos no dia a dia?
Além da higienização correta, existem medidas complementares que podem contribuir para diminuir a ingestão de resíduos de pesticidas ao longo do tempo. Entre as mais citadas por nutricionistas e especialistas em segurança alimentar estão:
- Variar o consumo de frutas e verduras, alternando espécies e origens para evitar concentração de um mesmo tipo de resíduo.
- Priorizar alimentos da época, que tendem a exigir menos defensivos em algumas culturas.
- Descascar certos alimentos, quando possível, lembrando que parte das fibras e nutrientes está na casca.
- Buscar produtores com boas práticas agrícolas, como feiras certificadas, selos de produção orgânica ou sistemas de rastreabilidade.
Em todos esses pontos, a higienização continua indispensável, mas não deve ser entendida como solução única para o tema dos agrotóxicos. A lavagem em água corrente e o uso correto de sanitizantes aprovados contribuem para segurança alimentar, enquanto a escolha dos produtos e a fiscalização do uso de pesticidas atuam em outra frente desse mesmo problema.
O que se pode esperar da água com iodo na prática?
Na prática cotidiana, imergir frutas e verduras em água com produtos desinfetantes adequados, que podem incluir compostos iodados em certas formulações, ajuda a diminuir a carga de microrganismos patogênicos. Essa etapa complementa a lavagem mecânica, reduzindo riscos de infecções de origem alimentar. Porém, no que diz respeito aos resíduos de agrotóxicos, a expectativa precisa ser moderada: a redução é limitada e varia conforme o tipo de defensivo, a forma de aplicação e as características do alimento.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Para quem se preocupa com a presença de pesticidas, o caminho mais consistente envolve combinar boas práticas de higienização com escolhas de consumo informadas e atenção às orientações de órgãos de saúde. Assim, a água com iodo ou com outros sanitizantes ganha o papel que de fato possui: uma ferramenta importante de higienização, mas não um método garantido para “limpar” agrotóxicos das frutas e verduras.