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Por que a gente deixa tudo pra depois? A ciência explica

Muita gente se pergunta por que sempre empurra as coisas com a barriga, mesmo sabendo o que precisa fazer. Pesquisadores japoneses explicam esse hábito e o ligam a um jeito específico de o cérebro funcionar.

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Muita gente se pergunta por que sempre empurra as coisas com a barriga, mesmo sabendo o que precisa fazer. Pesquisadores japoneses explicam esse hábito e o ligam a um jeito específico de o cérebro funcionar. Assim, o adiamento de tarefas não se relaciona diretamente com falta de caráter ou preguiça. Em vez disso, o cérebro costuma preferir o conforto imediato às responsabilidades do dia.

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De acordo com esses estudos, um tipo de “circuito interno” guia o cérebro. Os cientistas chamam esse sistema de circuito VS–VP. Em termos simples, uma parte da mente busca prazer rápido o tempo todo. Enquanto isso, outra parte tenta colocar a pessoa em movimento para cumprir o que é importante. Quando essas duas forças entram em conflito, a pessoa tende a escolher o que exige menos esforço e traz mais alívio na hora.

Computador – depositphotos.com / REDPIXEL

Como o cérebro escolhe o prazer imediato?

Para entender a procrastinação, os pesquisadores japoneses descrevem o circuito VS–VP como um balanço entre duas vontades. De um lado, fica a parte que reage a tudo que oferece sensação boa na hora. Mexer no celular, assistir uma série ou enrolar em pequenas tarefas sem prioridade entram nesse grupo. Do outro lado, atua a parte que lembra das metas, dos prazos e das responsabilidades. Essa parte tenta empurrar a pessoa para a ação.

Esse embate interno aparece em situações bem comuns. A pessoa sabe que precisa estudar, mas pensa “só mais um vídeo”. Também sabe que precisa arrumar a casa, mas decide “só mais cinco minutinhos de descanso”. Além disso, promete começar a dieta na segunda-feira, porém estica mais um pouco. Em todos esses casos, ela não ignora o futuro. No entanto, o cérebro sente com muito mais força a recompensa que chega na mesma hora.

Segundo esses estudos, o problema não mora na tarefa em si, mas no desconforto do começo. Iniciar algo difícil pode gerar cansaço, tédio ou ansiedade. Em contraste, uma distração simples oferece alívio rápido. Assim, o circuito de prazer imediato ganha força. A parte que tenta colocar a pessoa em ação acaba ficando em segundo plano. Além disso, quando a pessoa já enfrenta estresse ou cansaço, esse circuito de prazer rápido se torna ainda mais atraente.

Procrastinação é preguiça ou é conflito interno?

Nessa visão científica, a procrastinação não se resume à “falta de vontade”. Em vez disso, ela surge quando o cérebro prioriza o alívio do momento e foge de qualquer sensação de esforço. Esse processo passa a impressão de preguiça. Na prática, porém, ele resulta de um conflito entre a parte que pensa no agora e a parte que pensa no depois.

A pessoa muitas vezes sabe o que precisa fazer e sente peso na consciência. Apesar disso, ela não consegue começar. Esse padrão fica claro em cenas comuns do dia a dia:

  • O trabalhador abre o computador decidido a responder e-mails, mas passa meia hora rolando redes sociais.
  • O estudante separa o material para estudar, porém resolve antes “dar uma olhadinha” em mensagens e perde o foco.
  • A pessoa precisa marcar um exame, pagar contas ou resolver burocracia, mas vai deixando “para amanhã” sem motivo concreto.

Em todos esses casos, a mente escolhe ações que trazem menos tensão imediata. O circuito VS–VP funciona como um filtro mental. Se algo parece cansativo, chato ou estressante, o cérebro empurra para depois. Se algo parece agradável, leve ou divertido, a pessoa tende a abraçar na hora. Portanto, o processo não representa fraqueza moral. Ele nasce de um mecanismo automático que a pessoa pode reorganizar com estratégias simples e consistentes.

Quais são os sinais de que a procrastinação está dominando?

Os estudos apontam alguns sinais claros de que a procrastinação ganhou espaço. Quando o circuito que busca prazer rápido fica muito forte, a pessoa começa a trocar atividades importantes por pequenas distrações. Ela faz isso mesmo sabendo que essa troca trará problemas mais tarde. Com o tempo, esse padrão se repete quase no piloto automático.

Alguns sinais comuns são:

  • Começar o dia com um plano e terminar com a sensação de que não fez nada essencial.
  • Passar longos períodos em redes sociais, séries ou jogos, sem perceber o tempo passar.
  • Evitar tarefas que exigem concentração, deixando tudo para a última hora ou além do prazo.
  • Sentir culpa ou incômodo por adiar compromissos, mas continuar repetindo o mesmo padrão.

Quando esse comportamento vira rotina, o circuito de conforto imediato fica ainda mais reforçado. Nessa fase, o cérebro “aprende” uma lição perigosa. Sempre que surge algo desconfortável, ele corre para uma distração. Por isso, a pessoa precisa quebrar esse ciclo com pequenas mudanças repetidas. Dessa forma, ela ensina ao cérebro que cumprir tarefas também pode gerar sensação boa e reduzir a ansiedade.

Como driblar a procrastinação no dia a dia?

Algumas medidas simples ajudam nesse processo:

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  1. Dividir tarefas grandes em partes pequenas
    Em vez de pensar “preciso estudar três horas”, a pessoa pode pensar “vou estudar só 15 minutos agora”. Dessa forma, ela reduz a resistência mental, porque o esforço parece menor e mais possível. Além disso, cada parte concluída cria uma pequena sensação de vitória, o que aumenta a confiança.
  2. Criar pequenas recompensas
    Ligar o prazer à responsabilidade ajuda a equilibrar o circuito interno. Após terminar uma parte do trabalho, a pessoa pode se permitir um café, alguns minutos de descanso ou um episódio curto de série. Com o tempo, o cérebro passa a associar esforço a algo agradável. Consequently, a ação deixa de parecer pura obrigação.
  3. Evitar distrações à vista
    Deixar o celular longe, desativar notificações e tirar abas desnecessárias do navegador reduz a tentação. Além disso, a pessoa pode usar bloqueadores de sites por períodos curtos. Quanto menos estímulo chamando a atenção, mais fácil para o cérebro manter o foco na tarefa principal.
  4. Manter uma rotina simples e estável
    Horários fixos para dormir, acordar, estudar ou trabalhar ajudam o cérebro a entrar no “modo automático”. Com o tempo, a ação vira hábito, e o esforço inicial diminui. Dessa maneira, a pessoa depende menos de motivação e mais de constância.
  5. Começar pelo passo mais fácil
    Em vez de encarar logo o ponto mais difícil, a pessoa pode iniciar por algo simples. Organizar materiais, abrir o arquivo certo ou revisar anotações funciona como um aquecimento. Esse começo leve reduz a sensação de peso e diminui o medo de falhar.

Ao aplicar essas estratégias com frequência, a pessoa fortalece o circuito de ação. A procrastinação continua possível, mas deixa de comandar todas as escolhas. Com ajustes pequenos e constantes, o cérebro passa a enxergar as responsabilidades de outra forma. Elas deixam de representar apenas obrigação e se transformam em caminho para resultados concretos e sensação real de dever cumprido.

bocejar -depositphotos.com / HayDmitriy

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