Saúde

Infecção ocular rara causada por parasita pode levar à perda permanente da visão

A ceratite por Acanthamoeba é uma infecção da córnea provocada por um parasita microscópico presente em ambientes comuns, como água e solo. Apesar de rara, essa doença pode causar danos graves e permanentes à visão quando a pessoa não identifica e não trata o problema de forma adequada. Nos últimos anos, o aumento do uso de lentes […]

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A ceratite por Acanthamoeba é uma infecção da córnea provocada por um parasita microscópico presente em ambientes comuns, como água e solo. Apesar de rara, essa doença pode causar danos graves e permanentes à visão quando a pessoa não identifica e não trata o problema de forma adequada. Nos últimos anos, o aumento do uso de lentes de contato elevou a atenção para esse problema de saúde ocular.

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O quadro costuma se desenvolver de forma lenta. Assim, a pessoa muitas vezes acredita que se trata de uma irritação simples ou de uma conjuntivite. Essa percepção, portanto, atrasa a procura por atendimento especializado e favorece a progressão da ceratite por Acanthamoeba. Por isso, entender como ela surge, quais são os sinais de alerta e como se prevenir se torna um ponto central na proteção da visão.

olho – depositphotos.com / Ischukigor

O que é ceratite por Acanthamoeba e como ocorre a infecção?

A ceratite por Acanthamoeba é uma inflamação da córnea, a camada transparente na parte frontal do olho, causada por um protozoário de vida livre. Esse micro-organismo vive com facilidade em água de torneira, lagos, piscinas mal tratadas, solo úmido e até em caixas d’água. Em condições normais, o contato com o parasita não gera doença. Porém, quando ele alcança a superfície ocular e encontra a barreira de defesa comprometida, inicia a infecção.

O risco aumenta quando surgem microlesões na córnea, algo comum em usuários de lentes de contato. Higienização inadequada das lentes, uso prolongado, armazenamento em estojo contaminado ou contato com água durante o uso de lentes representam fatores frequentes. Nessas situações, a Acanthamoeba adere à lente ou ao estojo e alcança o olho, iniciando um processo inflamatório persistente. Além disso, algumas cepas do parasita mostram maior agressividade, o que torna a evolução mais rápida em certos casos.

Quem está mais em risco de desenvolver ceratite por Acanthamoeba?

Entre os principais grupos de risco, os usuários de lentes de contato se destacam de forma consistente em relatos clínicos e estudos publicados. O problema não está apenas no fato de usar lentes. Na verdade, a forma como a pessoa manuseia e armazena as lentes representa o ponto crítico. Lentes lavadas com água da torneira, reutilização de solução de limpeza, estojo antigo ou mal higienizado e o hábito de dormir com as lentes formam importantes pontos de vulnerabilidade.

Outras situações também aumentam o risco, mesmo em pessoas que não utilizam lentes de contato. Pequenos traumas na córnea causados por corpos estranhos, cirurgias oculares recentes ou doenças que alteram a superfície do olho abrem porta de entrada para o parasita. Além disso, profissionais expostos com frequência a poeira, terra ou água contaminada, como trabalhadores rurais, podem se tornar mais suscetíveis em determinadas condições. Em regiões com saneamento precário, esse risco tende a aumentar ainda mais.

Quais são os sintomas e por que o diagnóstico é tão difícil?

Os primeiros sinais da ceratite por Acanthamoeba costumam surgir de forma discreta e se confundem facilmente com outras inflamações oculares. Entre os sintomas mais descritos estão:

  • Dor ocular intensa, muitas vezes desproporcional em relação ao que o exame inicial mostra;
  • Vermelhidão persistente em um dos olhos;
  • Sensação de corpo estranho ou areia nos olhos;
  • Lacrimejamento aumentado e sensibilidade exagerada à luz;
  • Embaçamento progressivo da visão.

O diagnóstico representa um grande desafio porque o quadro se parece com outras formas de ceratite, como as de origem bacteriana, viral ou fúngica. Em muitos casos, o profissional inicia o tratamento como se fosse uma infecção comum, sem observar melhora significativa. Para confirmar a ceratite por Acanthamoeba, o médico geralmente solicita exames específicos, como raspado de córnea para análise em laboratório, cultura em meios adequados ou técnicas de biologia molecular. No entanto, alguns serviços ainda não oferecem esses recursos de forma ampla, o que contribui para o atraso na identificação correta.

Como é o tratamento da ceratite por Acanthamoeba?

O tratamento da ceratite por Acanthamoeba costuma ser longo e exige acompanhamento rigoroso com especialista em oftalmologia. Em geral, o médico prescreve colírios com ação contra o parasita, aplicados com alta frequência, principalmente nas primeiras semanas. A equipe ajusta essa terapia de acordo com a resposta clínica e, em alguns casos, combina outros medicamentos para controlar a inflamação e a dor.

Mesmo com tratamento adequado, a pessoa nem sempre recupera completamente a visão, especialmente quando o diagnóstico ocorre em fase avançada. Em situações nas quais a córnea fica muito opaca ou deformada, o especialista pode indicar transplante de córnea para tentar restaurar a transparência e melhorar a capacidade visual. Por esse motivo, a identificação precoce da ceratite por Acanthamoeba se torna estratégica para evitar sequelas mais severas. Além disso, o seguimento cuidadoso após o tratamento ajuda a detectar recaídas e a preservar o máximo possível da função visual.

Quais medidas ajudam a prevenir a ceratite por Acanthamoeba?

A prevenção gira em torno de cuidados com a higiene ocular e, principalmente, com o uso de lentes de contato. Algumas orientações frequentemente destacadas por especialistas incluem:

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  1. Lavar bem as mãos antes de manusear as lentes de contato;
  2. Utilizar apenas soluções próprias para limpeza e armazenamento, evitando água da torneira ou soro fisiológico comum;
  3. Não reutilizar a solução do estojo e trocá-la diariamente;
  4. Remover as lentes antes de tomar banho, entrar em piscinas, rios ou mar;
  5. Respeitar o tempo de uso recomendado pelo fabricante e pelo oftalmologista;
  6. Substituir o estojo de lentes com regularidade, mantendo-o limpo e seco;
  7. Procurar atendimento especializado diante de dor, vermelhidão ou visão embaçada que não melhoram em pouco tempo.

A ceratite por Acanthamoeba continua como uma doença rara, mas o impacto potencial sobre a visão coloca o tema em posição relevante na saúde pública. Informação clara sobre riscos, sintomas e prevenção, somada a uma postura de cuidado com as lentes de contato e com a higiene ocular, tende a reduzir a probabilidade de infecção. Dessa forma, a pessoa diminui também a chance de precisar de intervenções mais complexas no futuro, como o transplante de córnea ou outros procedimentos de maior risco.

OLHO – depositphotos.com / Ischukigor

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