O tapete de Pazyryk, preservado durante cerca de 2.500 anos numa sepultura gelada da Ásia Central, ainda apresenta cores fortes. Pesquisadores compararam seus fios com amostras modernas e encontraram sinais de fermentação da lã antes do tingimento, uma técnica que favorecia a entrada do pigmento nas fibras.
Por que o tapete de Pazyryk chegou tão bem conservado?
O tapete foi encontrado numa sepultura da região de Pazyryk, nos montes Altai, na Sibéria. O frio e o gelo ajudaram a proteger suas fibras. A peça, hoje conservada no Museu Hermitage, em São Petersburgo, pertence à Idade do Ferro.
Ela reúne figuras de animais, cavaleiros e desenhos repetidos, com tons vermelhos, amarelos e azuis que ainda chamam atenção. A boa conservação não significa que os fios permaneceram intactos: sua superfície sofreu desgaste, o que dificultou reconhecer como a lã foi preparada.

Os pesquisadores observaram o interior de cada fio
A equipe da Universidade de Erlangen-Nuremberg, na Alemanha, usou microscopia de fluorescência de raios X para observar onde determinados elementos químicos estavam distribuídos dentro das fibras antigas. O equipamento produziu mapas de elementos presentes no corte transversal de fios muito finos.
- Fios antigos: amostras retiradas do tapete preservado.
- Lã preparada: fibras modernas fermentadas antes de receber o corante.
- Lã de comparação: amostras tingidas sem o mesmo preparo.
- Mapas químicos: imagens da distribuição dos elementos no interior dos fios.
Essa comparação procurou sinais que não dependessem somente do aspecto externo. As camadas superficiais da fibra antiga estavam muito gastas, mas a distribuição do pigmento no interior ainda podia guardar informações do processo. Por isso, os testes buscaram uma assinatura interna que pudesse ser comparada de forma objetiva.
O que a fermentação fazia com a lã?
A fermentação altera a parte externa da fibra, facilitando a entrada de substâncias usadas no tingimento. Segundo o estudo publicado na revista Scientific Reports, o preparo ajuda o corante a penetrar mais profundamente e contribui para a duração da cor.
Os pesquisadores se concentraram sobretudo nos fios vermelhos, associados a pigmentos obtidos da raiz da ruiva-dos-tintureiros e ao alumínio usado na fixação. O desenho químico encontrado no tapete era semelhante ao das fibras fermentadas em testes atuais.
A descoberta revela uma técnica desconhecida?
Não se trata de uma prática inteiramente desconhecida. Técnicas tradicionais de fermentação e tingimento da lã já eram estudadas em períodos históricos posteriores. O novo resultado indica que um procedimento semelhante podia ser conhecido cerca de dois milênios antes do que se documentava. As comparações usaram receitas tradicionais.
Isso não permite reconstruir cada gesto dos antigos artesãos nem afirmar que todas as cores receberam o mesmo tratamento. A pesquisa mostra, com maior força, uma semelhança química nos fios vermelhos que sustenta a explicação pela fermentação.

O tapete também registra habilidade artesanal
A antiga cultura de Pazyryk deixou sepultamentos que preservaram objetos de madeira, tecido e outros materiais. O tapete destaca a combinação entre trabalho de tecelagem e preparação da lã, atividades que exigiam conhecimento de materiais.
A autoria exata e o lugar de fabricação continuam debatidos, por isso não é seguro atribuir a peça a um único povo ou oficina. A investigação dos fios permite falar da técnica de produção sem resolver todas as perguntas sobre sua origem. Essa técnica dependia do conhecimento artesanal.
As cores antigas continuam dando pistas
O gelo ajudou a guardar um objeto delicado, mas foi a análise química das fibras que revelou uma etapa de fabricação menos visível. Comparar materiais antigos com amostras modernas mostrou como preparar a lã podia ser tão importante quanto escolher o pigmento.
O tapete segue valioso pela beleza, pelas figuras e pela idade. Agora, também oferece uma pista concreta sobre o conhecimento técnico de seus fabricantes, preservado dentro dos fios por aproximadamente dois mil e quinhentos anos. A confirmação nasceu da análise microscópica.
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