Juliana, vendedora de 29 anos, esperava uma encomenda comprada num site internacional havia quase 3 semanas quando o celular vibrou com uma mensagem de texto. O remetente dizia representar os Correios e alertava que o pacote estava retido na alfândega, sujeito a uma taxa que precisava ser paga em poucas horas, senão a mercadoria seria devolvida ao remetente de origem.
O texto trazia um link curto e, junto dele, instruções para escanear um QR Code que abriria a “guia de pagamento”. A pressa do prazo — menos de 24 horas — somada ao fato de ela realmente estar esperando uma encomenda tornaram a mensagem plausível. Abriu o link no intervalo do trabalho, sentada na cadeira giratória perto da janela, já pensando em qual cartão usaria.
Antes de digitar os dados de pagamento, parou. Algo na formatação da página parecia errado: o valor cobrado como taxa era baixo demais para o peso declarado da encomenda, e o endereço do site, conferido com atenção, não terminava como os sites de órgãos públicos costumam terminar. Fechou a aba e guardou o celular no bolso, sem saber se estava sendo cautelosa demais ou prestes a perder o produto.
Passou a noite pesquisando. Descobriu que encomendas retidas podem, sim, gerar cobrança de tributo — mas esse pagamento segue um rito formal, feito pelos canais oficiais dos Correios e da Receita Federal, nunca por link recebido em mensagem de texto com prazo apertado. No dia seguinte, conferiu o rastreio da compra diretamente no site da transportadora: o pacote sequer estava retido em qualquer etapa alfandegária. Só então entendeu que a mensagem nunca tinha vindo de onde dizia vir.
Mensagens que ameaçam a perda de uma encomenda para forçar um pagamento apressado circulam com frequência entre quem compra on-line, e reconhecer esse padrão é o que evita transformar uma desconfiança em prejuízo real.
Como o golpe da taxa de liberação costuma se apresentar

O formato se repete com poucas variações: uma mensagem por SMS, WhatsApp ou e-mail avisa que a encomenda está retida, cobra uma quantia pequena e impõe um prazo curto para pagamento, geralmente por link ou QR Code. A Receita Federal explica que impostos e taxas relacionados a remessas internacionais não são cobrados por link, QR Code ou mensagem de texto, e orienta desconfiar de qualquer cobrança fora dos canais formais.
Os detalhes desse tipo de golpe estão descritos na página da Receita Federal sobre golpes envolvendo encomendas.
Um padrão parecido, formatos diferentes
O mesmo tipo de fraude também circula em formato de carta impressa, entregue fisicamente com aparência de correspondência oficial, cobrando o mesmo tipo de “taxa alfandegária” para liberar um produto. A lógica é idêntica: urgência artificial, cobrança fora do canal oficial e ameaça de perda da mercadoria ou de negativação. A Receita detalha essa variação na explicação sobre o golpe por carta. Alertas semelhantes sobre mensagens suspeitas recebidas por clientes de diferentes instituições já foram tratados em outra reportagem sobre comunicados a respeito de mensagens suspeitas recebidas no celular.
Por que fechar o link é mais seguro do que verificar o valor cobrado
O primeiro passo é não pagar nada pelo link recebido, seja por cartão, boleto ou Pix. Em seguida, o rastreio da encomenda deve ser conferido diretamente no site oficial da loja ou da transportadora, nunca pelo link enviado na mensagem. Se restar dúvida sobre uma cobrança real de tributo, o caminho é buscar informação nos canais oficiais dos Correios ou da Receita Federal, e não em qualquer página aberta a partir de um QR Code recebido por SMS. Caso algum dado pessoal ou bancário já tenha sido digitado antes da desconfiança surgir, o ideal é contatar o banco imediatamente, já que o Banco Central recomenda relatar qualquer tentativa de fraude em canal de pagamento assim que ela é percebida — em nenhuma hipótese senha, código de confirmação ou dados de cartão devem ser compartilhados com quem entra em contato por essas mensagens.
Por que esse golpe aumenta em datas de maior movimento

O volume de golpes envolvendo encomendas costuma crescer justo nos períodos em que mais pessoas estão esperando compras on-line, como datas comemorativas e promoções sazonais. Quanto maior o número de pacotes em trânsito, maior a chance de a mensagem falsa coincidir com uma encomenda real esperada por quem a recebe — e é exatamente essa coincidência que dá credibilidade ao golpe. Outro sinal de alerta é o próprio texto da mensagem: pedidos de pagamento com prazo curto, erros de português, valores redondos e links encurtados são características recorrentes desse tipo de fraude, ainda que os golpistas ajustem o formato periodicamente para tentar parecer mais convincentes.
Da mensagem recebida ao boletim de ocorrência: o que guardar
- Print da mensagem recebida, incluindo número ou remetente que a enviou
- Captura de tela do link ou QR Code, sem clicar novamente nele
- Código de rastreio original da compra, obtido no site da loja ou transportadora
- Comprovante de compra e nota fiscal do produto esperado
- Data e horário exatos em que a mensagem chegou
- Registro de boletim de ocorrência, caso algum dado tenha sido informado por engano
Quando uma taxa de importação é realmente cobrada
Cobranças legítimas de tributos sobre remessas internacionais existem e seguem critérios próprios, que variam conforme o valor declarado e a natureza do produto — mas o processo formal nunca depende de um link recebido por mensagem com prazo de poucas horas. Este texto descreve o padrão geral desse tipo de golpe e não substitui a verificação direta junto aos Correios ou à Receita Federal diante de uma cobrança específica.
Uma história como esta, embora hipotética, mostra o que fazer quando mensagem cobra imposto ou taxa para liberar encomenda: não pagar por link recebido e consultar transportadora e Receita em canais oficiais. Cada situação tem detalhes próprios, por isso casos individuais devem ser avaliados com a fonte oficial ou o profissional adequado.




