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Motorista de 38 anos vê um cabo de energia cair sobre o capô depois da tempestade e pensa em afastá-lo com o guarda-chuva, mas a orientação da ANEEL é não tocar em nada e acionar o 193

João Victor Por João Victor
28/07/2026
Em Notícias
Homem dentro de um carro parado em rua alagada à noite segura um celular e estende a mão diante de um cabo de energia caído sobre o capô, sob chuva forte.

Cena mostra o risco após a tempestade, com um cabo elétrico sobre o carro e o motorista tentando reagir em meio à chuva intensa. Imagen generada por IA.

EM RESUMO
✓Todo cabo de energia caído no chão deve ser tratado imediatamente como se estivesse energizado e de alto risco.
✓A ANEEL orienta nunca tocar em fios rompidos, poças energizadas ou objetos em contato com a rede elétrica.
✓Permanecer dentro do veículo quando o cabo cai sobre a lataria é a conduta mais segura para evitar choques fatais.
✓Em caso de risco extremo (como fogo), a saída do carro exige saltar com os dois pés juntos, sem tocar lataria e solo ao mesmo tempo.
✓O Corpo de Bombeiros (193) e a distribuidora de energia devem ser acionados imediatamente para isolamento e corte da rede.

Roberto tinha acabado de encostar o carro em frente de casa quando uma rajada de vento arrancou um galho e o jogou contra a fiação da rua. Em segundos, um fio se soltou do poste e caiu justamente sobre o capô do veículo, ainda balançando. A chuva não dava trégua, a rua estava escura e ele, sozinho dentro do carro, teve o impulso mais natural do mundo: pegar o guarda-chuva no banco de trás, abrir a porta e empurrar aquele fio para longe.

Foi o vizinho, gritando da varanda, que o fez congelar a mão na maçaneta. Um cabo partido pode continuar energizado mesmo caído, e mesmo sem faísca aparente. O guarda-chuva molhado, o corpo apoiado no metal do carro e os pés no chão encharcado formariam exatamente o caminho que a corrente procura para descarregar na terra.

Muita gente confunde fio caído com fio desligado. É o contrário: enquanto a distribuidora não isola o trecho, aquele cabo pode estar vivo, e a água da chuva só amplia o risco porque conduz eletricidade. Por isso a primeira medida não é técnica, é comportamental.

A distância é a proteção que vem antes de qualquer outra

Equipes de emergência atendem uma ocorrência em uma rua alagada durante uma noite de chuva.

A recomendação repetida por distribuidoras e pela ANEEL é simples e inegociável: nunca toque em um cabo caído nem em nada que esteja em contato com ele, seja um portão, uma poça, um galho ou o próprio carro. Isole o local, afaste curiosos e não deixe que outras pessoas ou animais se aproximem. Objetos que parecem isolantes, como madeira úmida ou plástico molhado, não oferecem segurança nenhuma diante de uma rede de média tensão.

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Se há alguém já em contato com o fio e caído, o instinto de puxar a vítima com as mãos é o erro que transforma uma tragédia em duas. Nesse cenário, a única atitude segura é acionar socorro especializado e manter todos afastados até a rede ser desligada.

Preso dentro do carro: por que ficar costuma ser mais seguro

Quando o cabo cai sobre o veículo, a orientação padrão é permanecer dentro dele e chamar ajuda, já que a carroceria tende a conduzir a corrente ao redor de quem está no interior. A saída só deve ser tentada se houver risco maior, como fogo. E, nesse caso, existe uma técnica: saltar para fora sem tocar o carro e o solo ao mesmo tempo, cair com os dois pés juntos e se afastar em passos bem curtos, arrastando levemente as solas, sem correr e sem dar passadas largas.

Há ainda erros que parecem espertos e são perigosos: jogar terra ou água sobre o fio, cobri-lo com papelão, tentar empurrá-lo com um cabo de vassoura ou improvisar um isolamento com pneus. Nenhuma dessas soluções caseiras neutraliza a energia, e várias delas aproximam ainda mais a pessoa do ponto de risco. A rede só está segura depois que a equipe da distribuidora confirma o desligamento.

Guia de Ação Rápida: Fio Elétrico Caído Selecione o cenário em que você se encontra para verificar imediatamente a conduta segura exigida pela ANEEL e pelos Bombeiros.
Protocolo de Alta Tensão Fique dentro do veículo e acione o 193 A carroceria metálica isola o interior do veículo contra a descarga elétrica. Não abra a porta nem tente sair, a menos que haja risco iminente de incêndio.
Orientações de Segurança (ANEEL / Bombeiros) Ligue imediatamente para o Corpo de Bombeiros (193) e para a concessionária. Só saia do carro em caso de fogo, saltando com os pés juntos sem tocar o veículo e o solo simultaneamente.
Fonte: Diretrizes oficiais de segurança da ANEEL e do Corpo de Bombeiros Militar.

Quem chamar e o que dá para registrar

Ilustração mostra um carro em meio a uma forte tempestade, com chuva intensa e riscos próximos à via.

Diante de um fio na via, dois canais funcionam em paralelo. O Corpo de Bombeiros, pelo 193, atende a emergência imediata e o risco a pessoas; se houver alguém ferido ou desacordado, o SAMU responde pelo 192. E a distribuidora de energia da sua região, cujo número de emergência costuma vir impresso na conta de luz e funcionar em regime de plantão, é quem tem competência para desenergizar e remover a rede. A ANEEL, agência que regula o setor, orienta o consumidor sobre como registrar ocorrências e reclamações e reúne os caminhos oficiais na página Como resolver.

Enquanto espera o atendimento, vale anotar o horário, fotografar de longe e guardar o número de protocolo da ligação para a distribuidora. Se o cabo caído provocou dano ao veículo ou a bens, esse registro ajuda numa eventual conversa sobre reparação, ainda que cada caso dependa de perícia e de comprovação da responsabilidade. Mais orientações ao consumidor estão reunidas na página oficial da ANEEL.

Onde a prevenção também mora dentro de casa

O mesmo cuidado com eletricidade que salva na rua vale nas tomadas do dia a dia, um tema tratado nesta reportagem sobre o eletrodoméstico que deve sair da tomada após o uso para evitar incêndios. Rede pública e instalação doméstica compartilham a mesma lógica: energia não avisa antes de ferir.

Roberto ficou onde estava, ligou para o 193 e para a distribuidora e esperou. Não é heroísmo nem pressa que resolvem um fio caído, e sim a disciplina de não encostar e de chamar quem tem o equipamento certo. Se você presenciar uma cena parecida, trate todo cabo no chão como se estivesse energizado, proteja quem está por perto e deixe a remoção para as equipes técnicas. A rua volta ao normal em minutos; um choque de média tensão não oferece segunda chance.

Fontes: ANEEL – Como resolver e ANEEL.

Tags: AneelBombeiroscabo elétricoEmergênciasegurança elétricatempestade

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