Gatos podem apresentar problemas relacionados à separação, embora carreguem fama de independentes. O dado mais citado não é “um em cada três”: em um estudo com tutores, 13,5% dos animais avaliados preencheram ao menos um critério comportamental.
O número veio de uma amostra específica e não permite dizer que a mesma proporção vale para todos os gatos. Ainda assim, ajuda a desmontar a ideia de que a ausência do tutor nunca afeta a espécie.
De onde vem o número de 13%?

Pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora aplicaram questionários a tutores de 223 gatos. Trinta animais apresentaram ao menos um comportamento compatível com problemas relacionados à separação, segundo o artigo publicado na PLOS ONE.
Os sinais relatados incluíam comportamento destrutivo, vocalização excessiva, eliminação inadequada, agitação, agressividade e sinais semelhantes a depressão ou apatia. Um comportamento isolado não fecha diagnóstico.
A amostra foi formada por pessoas que levaram os animais a uma clínica veterinária de Juiz de Fora. O questionário também dependia da observação dos tutores. Os próprios autores apontam essas limitações.
Por que o tutor pode não perceber?
Parte dos comportamentos ocorre quando ninguém está em casa. Outros sinais, como urinar fora da caixa ou se lamber demais, podem ser interpretados como “birra”, quando também podem indicar dor, doença urinária, problema de pele, estresse ou ambiente inadequado.
Em entrevista reproduzida pelo Clarín, o veterinário Carlos Gutiérrez destacou que muitos gatos relaxam quando ficam sozinhos e que uma minoria sofre com a separação. A nuance é importante: não se deve tratar todo gato como ansioso.
Cinco sinais que merecem atenção

- miados persistentes perto da porta após a saída;
- xixi ou fezes fora da caixa apenas nas ausências;
- lambedura excessiva ou surgimento de falhas no pelo;
- destruição concentrada em portas, janelas ou objetos do tutor;
- agitação antes da saída e recepção desproporcional no retorno.
Gravar pequenos períodos com uma câmera pode ajudar a descrever a rotina ao veterinário. A filmagem não substitui consulta e deve respeitar a privacidade de outras pessoas da casa.
O que ajustar na rotina?
Mantenha saídas e retornos tranquilos, sem despedidas longas. Ofereça esconderijos, locais altos, arranhadores, água, caixas sanitárias limpas e oportunidades de brincar e procurar alimento.
Previsibilidade também ajuda: horários relativamente estáveis de interação e alimentação reduzem mudanças bruscas. Porém, deixar comida ou brinquedos não resolve quadro clínico por conta própria.
Se houver alteração repentina, feridas, perda de apetite ou problema urinário, procure atendimento. O veterinário precisa primeiro descartar causas médicas e avaliar o ambiente antes de definir um plano comportamental.
Evite bronca por sujeira, miado ou destruição. Punição não identifica a causa e pode aumentar medo. Faça um diário com horário da saída, duração, comportamento observado e mudanças recentes na casa. Esse registro ajuda a consulta.
Comportamento também comunica necessidades em cães. O Em Foco explica por que um cachorro leva brinquedos e depois não quer brincar.
Este conteúdo tem fim unicamente informativo e não substitui a avaliação de um profissional. Em caso de dúvida, procure um especialista.




