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Mulher se separa e descobre que a casa estava apenas no nome do ex-marido: STJ manda dividir o imóvel entre os dois

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
23/07/2026
Em Economia
Mulher se separa e descobre que a casa estava apenas no nome do ex-marido: STJ manda dividir o imóvel entre os dois

Imóvel de programa social concedido à família deve ser dividido no divórcio.

Uma casa registrada no nome de apenas um cônjuge pode pertencer ao casal quando sua origem mostra finalidade familiar. Foi o que decidiu o Superior Tribunal de Justiça em uma ação do Tocantins. A partilha do imóvel foi autorizada porque a moradia veio de programa habitacional que considerou a renda e os dependentes da família.

Por que o STJ mandou dividir a casa?

A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça entendeu que a doação foi feita para atender a família, não apenas o homem que apareceu no registro. O imóvel havia sido entregue pelo poder público durante o casamento e servia de moradia ao casal.

Na decisão divulgada pelo STJ, a ministra Nancy Andrighi destacou que a renda familiar e o número de dependentes foram usados na concessão. Esses critérios mostraram que o benefício tinha destino coletivo. O julgamento foi unânime no REsp 2.204.798. O colegiado determinou a divisão igual do imóvel entre os ex-cônjuges.

A relatora relacionou o caso ao direito social à moradia previsto na Constituição. A finalidade de proteger a família ajudou a afastar a leitura de que a casa era uma doação pessoal.

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O que aconteceu antes de o caso chegar ao STJ?

O casal vivia sob o regime da comunhão parcial de bens e recebeu a casa durante a convivência. A doação ocorreu em um programa do governo do Tocantins ligado à regularização de assentamentos estaduais.

A notícia institucional do STJ apresenta o caminho do processo:

1
Casa recebida durante o casamento O imóvel foi doado pelo poder público para servir de moradia familiar.
2
Registro em um só nome A propriedade ficou formalmente ligada apenas ao ex-marido.
3
Pedido feito no divórcio Após 17 anos da separação de fato, a mulher pediu a divisão igual.
4
Partilha negada no Tocantins As instâncias locais trataram a doação como bem exclusivo do homem.
5
Decisão modificada pelo STJ A turma reconheceu o caráter familiar e mandou dividir a casa.

Quais detalhes fizeram a casa ser considerada bem comum?

O ponto principal foi a finalidade do programa habitacional. A casa não surgiu como presente pessoal ao ex-marido, pois a concessão buscava garantir moradia para a entidade familiar.

O registro em um só nome teve menos peso do que os critérios usados pelo governo. O STJ observou que a família inteira ajudou a preencher as condições do benefício.

  • Renda familiar: os ganhos do grupo foram considerados na concessão.
  • Dependentes: o número de pessoas da família influenciou o benefício.
  • Moradia: o imóvel foi destinado ao uso comum do casal.
  • Momento: a doação ocorreu durante a união.
  • Programa público: a finalidade social diferenciou o caso de uma doação pessoal.
A origem social da moradia pesou mais do que o nome escrito no registro

Leia também: Justiça fixa indenização de R$ 50 mil para bancária que perdeu benefício recebido por 22 anos após cobrar seus direitos

Uma casa em nome de um só cônjuge sempre precisa ser dividida?

Não. O nome no registro é apenas uma parte da análise. A Justiça também observa quando e como o imóvel foi obtido, o regime de bens e a finalidade da aquisição ou da doação. O Código Civil normalmente exclui da comunhão parcial o bem doado apenas a um cônjuge. O STJ afastou essa regra no caso concreto porque o programa atendia a família.

A decisão também citou a Lei nº 14.620/2023, que trata do Minha Casa, Minha Vida. Os cenários abaixo mostram por que o contexto muda o resultado:

Divide
Programa voltado à família A renda e os dependentes mostram que a concessão atendia o casal.
Depende
Registro em apenas um nome O documento importa, mas não resolve sozinho a natureza do bem.
Pode não dividir
Doação pessoal comprovada Um presente dirigido somente a um cônjuge pode ficar fora da partilha.
Caso a caso
Outros programas habitacionais É preciso ler as regras do benefício e os documentos da concessão.

A decisão vale para qualquer imóvel de programa habitacional?

A decisão não transforma toda casa popular em bem comum de forma automática. O resultado depende da finalidade do programa, dos critérios da concessão, da data da doação e do regime de bens adotado pelo casal.

Neste processo, a renda familiar e os dependentes mostraram que o imóvel havia sido entregue à família. Por isso, o nome de apenas uma pessoa no registro não impediu a divisão.

Tags: divórciopartilha do imóvelPrograma HabitacionalSTJ

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