Uma empresa que reuniu marcas conhecidas de autopeças acabou sem dinheiro para sustentar a própria estrutura. A falência da First Brands entrou no Chapter 11, processo dos EUA que protege a empresa enquanto ela vende ativos ou tenta reorganizar dívidas. Após fechamentos e vendas parciais, o grupo apresentou um plano de liquidação que ainda depende das etapas finais do tribunal.
O que aconteceu com o pedido de falência da First Brands?
A First Brands Group pediu proteção judicial em setembro de 2025 porque não conseguia manter os pagamentos e financiar todas as operações. O processo foi aberto no Tribunal de Falências do Sul do Texas e reuniu mais de 100 empresas ligadas ao grupo.
O administrador judicial do caso First Brands informa que os primeiros pedidos foram apresentados em 24 de setembro. A empresa principal e dezenas de afiliadas entraram no Chapter 11 a partir de 28 de setembro de 2025.

Como as dívidas passaram de US$ 11 bilhões?
As dívidas não estavam concentradas em um único empréstimo. Elas apareciam no balanço, em empresas criadas para financiar estoques, em operações com faturas e em acordos com fornecedores.
Um documento apresentado no processo da First Brands separou os principais grupos de obrigações. Somados, eles chegavam a pelo menos US$ 11,5 bilhões:
Quais marcas e operações foram atingidas?
O portfólio incluía filtros, velas, freios, limpadores, bombas e peças remanufaturadas. O portfólio oficial da First Brands reunia nomes conhecidos do mercado de reposição automotiva.
Nem todas as marcas seguiram o mesmo caminho:
- FRAM: fabricava filtros de óleo, ar e cabine dentro do portfólio do grupo.
- Autolite: produzia velas e itens de ignição, mas entrou em processo de encerramento na América do Norte.
- Cardone: atuava com peças novas e remanufaturadas e também teve a operação norte-americana encerrada.
- Raybestos e Centric: faziam parte da área de freios, que passou por vendas e fechamento de unidades.
- TRICO e ANCO: integravam o negócio de limpadores, tratado separadamente no processo de venda.
Em janeiro de 2026, a empresa anunciou o encerramento de Brake Parts, Cardone e Autolite na América do Norte. Outras unidades continuaram funcionando por algum tempo enquanto buscavam compradores.
Leia também: Marca do Dollynho enfrenta novo capítulo na Justiça após pedido de falência com dívida bilionária
O que o plano de liquidação muda no processo de falência?
O plano busca encerrar as empresas devedoras, distribuir o dinheiro disponível e manter ações judiciais capazes de recuperar valores. Ele não significa que todos os ativos desaparecem ao mesmo tempo, porque marcas, fábricas, estoques e contratos podem ser vendidos separadamente.
Os documentos do plano da First Brands mostram as etapas que já ocorreram e as que ainda dependem do tribunal:
O que ainda pode acontecer com as marcas e os credores?
As marcas podem continuar sob novos donos mesmo após o encerramento das empresas que as controlavam. O destino depende dos contratos de venda, dos direitos de propriedade e do dinheiro recuperado pelo processo.
Os credores recebem conforme a ordem definida pela lei americana e pelas decisões do tribunal. A busca por bens e a discussão sobre quem tem direito a cada valor também aparecem em outros conflitos patrimoniais, como no caso da fortuna escondida que mudou o destino de R$ 43 milhões.
A First Brands já deixou a fase de tentar salvar o grupo inteiro e passou a organizar vendas, encerramentos e pagamentos possíveis. A liquidação avança, mas o valor final para cada credor ainda não está fechado.




