O agricultor Cesar Mora distribuiu mais de 45 toneladas de uma nectarina branca após ficar sem poder vender a colheita durante uma disputa contratual nos Estados Unidos. As nectarinas de graça atraíram milhares de pessoas, mas não encerraram o conflito sobre quem poderia produzir e comercializar a variedade Monalise.
O que aconteceu com a colheita de Cesar Mora?
Mora decidiu entregar as frutas ao público para evitar que a produção apodrecesse no pomar. A distribuição ocorreu em julho de 2026, na cidade de Reedley, no estado da Califórnia.
A reportagem da Associated Press sobre a distribuição registrou mais de 100 mil libras entregues, o equivalente a aproximadamente 45,4 toneladas. Moradores entraram no pomar, colheram as nectarinas e levaram sacolas gratuitamente.
O produtor afirmou que preferia compartilhar os alimentos a deixá-los estragar. Ele também cultiva pêssegos, ameixas e outras nectarinas que não fazem parte do mesmo conflito.

Por que a empresa afirma ter direitos sobre a fruta?
A disputa envolve 2 contratos ligados à variedade Monalise. A empresa Giumarra Brothers Fruit Co. afirma que recebeu autorização para conceder sublicenças, permissões para terceiros cultivarem e venderem a fruta sob certas condições.
Segundo os documentos citados no processo, Mora assinou uma licença de cultivo em 2017 e um acordo de comercialização em 2019. A empresa afirma que ele rompeu o contrato ao entregar a produção para outro empacotador em 2023.
As principais etapas relatadas no caso foram:
Uma empresa pode controlar o cultivo de uma fruta?
Uma nova variedade vegetal pode receber proteção legal ou ser cultivada por meio de contratos privados. Isso não significa que uma empresa seja dona de todas as nectarinas, mas pode haver limites para reproduzir e vender uma variedade específica.
O Escritório de Patentes e Marcas dos Estados Unidos explica que uma patente vegetal pode proteger uma planta nova reproduzida sem sementes. A proteção pode impedir terceiros de reproduzir, usar ou vender a planta protegida sem autorização.
No caso de Mora, a própria Giumarra informou nos autos que a Monalise não estava coberta por uma patente vegetal dos Estados Unidos. Mesmo assim, o juiz entendeu que a falta dessa patente não anulava automaticamente os contratos assinados.
Os termos que não devem ser confundidos são:
- Variedade: planta com características próprias, como sabor, cor ou época de colheita.
- Patente vegetal: proteção concedida pelo governo quando os requisitos legais são atendidos.
- Sublicença: permissão concedida por quem recebeu autorização do titular original.
- Contrato comercial: acordo que define quem compra, embala ou vende a produção.
- Exclusividade: obrigação de negociar a fruta apenas com a empresa indicada no acordo.
Características particulares também dão valor a outras plantas, como ocorre com a flor que cresce rápido e suporta períodos de calor. Na agricultura comercial, porém, essas diferenças podem vir acompanhadas de contratos e pagamentos de direitos.
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O que o produtor e a empresa afirmam no processo?
Os 2 lados apresentam versões diferentes sobre o cumprimento dos contratos. As acusações ainda precisam ser analisadas no julgamento, por isso nenhuma delas deve ser tratada como conclusão definitiva.
Uma decisão anterior do Tribunal de Fresno manteve várias alegações apresentadas por Mora para análise posterior. O documento não resolveu a disputa principal nem declarou um vencedor.
O processo já teve uma decisão final?
Não havia decisão final confirmada até 21 de julho de 2026. O calendário oficial mostrava o processo nº 23CECG03466 em julgamento com júri no Tribunal Superior do Condado de Fresno.
O calendário judicial de 21 de julho de 2026 ainda registrava o caso Giumarra Brothers Fruit Co. contra Cesar Mora. Uma decisão tomada durante o processo pode tratar apenas de um pedido específico e não representar o resultado completo.
As frutas foram distribuídas, mas a disputa sobre contratos, prejuízos e direitos continuava aberta.




