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Operários trabalhavam às margens de um rio quando encontraram um baú com 7 mil moedas e 31 quilos de prata viking

Gabriel Martins Por Gabriel Martins
19/07/2026
Em Notícias
Operários trabalhavam às margens de um rio quando encontraram um baú com 7 mil moedas e 31 quilos de prata viking

Grande depósito de prata revela detalhes sobre a economia nórdica medieval.

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Na primavera de 1840, um grupo de operários trabalhava na recuperação de um aterro às margens do Rio Ribble, em Cuerdale, no norte da Inglaterra, quando uma pá atingiu algo duro sob o solo arenoso. Ao cavarem mais fundo, encontraram um grande baú de madeira em decomposição, revestido com chumbo frágil e coberto de terra, sem imaginar que estavam diante de um dos maiores achados arqueológicos ligados aos vikings na Inglaterra.

O que é o Tesouro de Cuerdale e qual sua dimensão histórica?

Ao abrir o contêiner, os operários descobriram milhares de moedas, lingotes pesados e um amontoado de prata reaproveitada, que um dia já tinha sido joia, adorno ou peça de uso cotidiano. Cada trabalhador recebeu uma moeda, mas o conteúdo principal rapidamente atraiu a atenção das autoridades e, depois, de estudiosos britânicos e estrangeiros.

O conjunto passou a ser conhecido como o Tesouro de Cuerdale e é frequentemente descrito como o maior tesouro viking já encontrado na Inglaterra. Estima-se que apenas os lingotes de prata somem cerca de 31 quilos, ao lado de aproximadamente 7.000 moedas e diversos fragmentos de joias e objetos desmontados, usados como “prata em pedaços” para pagamento e comércio.

Operários trabalhavam às margens de um rio quando encontraram um baú com 7 mil moedas e 31 quilos de prata viking
Milhares de peças valiosas foram descobertas por operários em aterro – Créditos: Anthony Devlin – PA Images

Como foi a descoberta do Tesouro de Cuerdale?

A descoberta ocorreu em uma área envolta em lendas locais, que diziam que quem ficasse na margem sul do Rio Ribble, olhando rio acima, estaria apontando para o local do tesouro mais valioso da Inglaterra. Antes de 1840, videntes percorriam os campos com correntes e amuletos, tentando localizar a riqueza escondida, mas sem sucesso.

Um fazendeiro chegou a arar seus terrenos duas vezes em busca da fortuna, sem encontrar nada. Somente os operários daquele aterro, quase por acaso, conseguiram romper o silêncio de séculos, revelando um depósito que hoje é referência para o estudo da arqueologia viking e da circulação de prata na Europa medieval.

Qual é a origem viking e a rota das moedas do tesouro?

Estudos situam o enterramento do conjunto de prata entre 905 e 910 d.C., quando grande parte da região estava sob domínio nórdico, na área conhecida como Danelaw. Numismatas e arqueólogos analisaram as moedas e concluíram que a maioria foi cunhada na própria Inglaterra, tanto em áreas anglo-saxônicas quanto em zonas sob controle viking.

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Cerca de 3.000 moedas trazem referências ao rei Canuto, o Grande, além de moedas francas, dirhams provenientes de várias partes do mundo árabe, exemplares da antiga Escandinávia, da Europa Oriental e até uma moeda ligada ao Império Bizantino. Essa diversidade reflete saques, alianças e comércio em rotas que se estendiam dos Países Baixos ao norte da Itália, passando pela Irlanda, Frância Ocidental e outros centros de poder europeu.

Operários trabalhavam às margens de um rio quando encontraram um baú com 7 mil moedas e 31 quilos de prata viking
Moedas árabes e europeias refletem redes extensas de comércio internacional.

Por que o Tesouro de Cuerdale foi enterrado e como foi distribuído?

O motivo exato do enterramento do Tesouro de Cuerdale permanece um enigma, mas muitos depósitos de prata viking indicam situações de fuga após batalhas, perseguições ou expulsões. É provável que o conjunto pertença a grupos vikings derrotados na Irlanda, que atravessaram o mar rumo ao norte da Inglaterra levando consigo grande parte de seus bens.

Em comunidades nórdicas, líderes podiam enterrar temporariamente tesouros para protegê-los até o momento de distribuir a riqueza entre guerreiros e aliados, ou ainda ocultá-los como demonstração de poder, como no caso de Egil Skallagrímsson. Após a descoberta em 1840, a legislação de tesouros determinou a entrega à Coroa britânica, e a maior parte do conjunto foi para a rainha Vitória, sendo depois incorporada ao Museu Britânico e ao Museu Ashmolean.

  • Maior parte das moedas, lingotes e fragmentos de prata: Museu Britânico, em Londres.
  • Cerca de 60 objetos selecionados (braceletes, anéis, broches, fivelas): Museu Ashmolean, em Oxford.
  • Peças em exibição revelam a dimensão material do poder viking na Inglaterra.

O que o Tesouro de Cuerdale revela sobre o mundo viking hoje?

O estudo do Tesouro de Cuerdale oferece um panorama amplo sobre as redes de circulação de riqueza no início do século X, conectando Inglaterra, Irlanda, Escandinávia, mundo árabe e Império Bizantino. Novas técnicas de análise de metais, numismática e arqueologia de paisagem seguem refinando hipóteses sobre quem reuniu aquela prata, em quais circunstâncias e por que ela nunca foi recuperada.

Mais de 180 anos após a pá tocar o baú escondido, o tesouro continua a desafiar pesquisadores e fascinar visitantes. Se você se interessa pela presença viking nas Ilhas Britânicas, esse é o momento de se aprofundar: busque as exposições, leia os estudos recentes e não adie o mergulho nessa história — cada nova descoberta pode mudar o que sabemos sobre o poder e o alcance cultural dos vikings na Europa.

Sua história pode virar reportagem

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Tags: Arqueologia medievalTesouro de Cuerdalevikings

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