Poucos municípios do interior conseguem reunir, no mesmo endereço, um monumento religioso de porte nacional e a maior floresta contínua de um estado inteiro. Bom Jesus do Galho, no leste de Minas Gerais, faz divisa com o Parque Estadual do Rio Doce (PERD) e mantém, no alto de um morro, um Cristo que só perde em altura para o Cristo Redentor e para o Cristo Luz de Balneário Camboriú.
Como uma promessa em 1880 deu origem ao município?
A cidade nasceu de uma doação de terras feita por Adão Coelho, fazendeiro que prometeu ao Senhor Bom Jesus uma capela caso se curasse de uma doença grave. Segundo o histórico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o povoado se firmou em 1880, próximo à confluência dos ribeirões do Galho e Sacramento, e adotou o nome do santo somado ao apelido do antigo aldeamento indígena da região.
A ocupação da área é ainda mais antiga. De acordo com o registro histórico da Câmara Municipal de Bom Jesus do Galho, colonos começaram a chegar ao vale do rio Doce entre 1779 e 1781, quando o governo mineiro abriu uma picada em busca de ouro na Barra do Cuieté. O município só se emancipou de Caratinga em 1943, pela lei estadual nº 1058.

Por que o Cristo da Paz é um dos maiores do país?
O Cristo da Paz, apelidado localmente de Cristo Paz, tem 30 metros e 20 centímetros de altura e consumiu cerca de 510 toneladas de ferro e concreto. Segundo o portal oficial de turismo de Minas Gerais, a obra começou em 9 de janeiro de 1998 e foi entregue à população em 26 de junho de 1999.
A ideia original era mais modesta, uma imagem de 10 metros pensada apenas como marco local. Com apoio da comunidade, o projeto triplicou de tamanho, virou a terceira maior estátua do gênero no Brasil e a primeira em Minas, atrás só do Cristo Redentor e do Cristo Luz, em Balneário Camboriú. O monumento foi tombado como patrimônio cultural municipal pelo Decreto nº 628, de 2003.

O que ver na cidade além do Cristo?
Bom Jesus do Galho tem um núcleo compacto que reúne arquitetura religiosa, natureza rural e um dos episódios mais curiosos da engenharia mineira do século XX. As atrações estão a poucos minutos do centro ou dos distritos vizinhos.
- Cristo da Paz: mirante natural no alto do morro com vista da cidade e da Igreja Matriz Senhor Bom Jesus. Acesso pela ponte sobre o rio Sacramento, sentido Córrego Novo.
- Igreja Matriz Senhor Bom Jesus: templo católico do núcleo original, palco da centenária Festa do Jubileu do Senhor Bom Jesus, principal celebração religiosa do município.
- Ponte Perdida: estrutura sobre o rio Doce erguida em 1966 para uma rodovia que nunca foi concluída, hoje base de pesquisa do parque estadual.
- Gruta Nossa Senhora de Lourdes e Usina de Sumidouro: pontos indicados pelo Circuito Turístico Mata Atlântica de Minas (CTMAM), com trilhas curtas e paisagem de mata secundária.
- Cachoeiras e lagoas rurais: espalhadas pela zona rural, muitas em propriedades particulares que recebem visitantes mediante combinação prévia.
Quem quer conhecer a história e os principais lugares de Bom Jesus do Galho, vai curtir este vídeo do canal Por Perto, que apresenta a cidade no leste de Minas Gerais:
O que é a Ponte Perdida e por que ela foi abandonada?
No distrito de Revés do Belém, uma ponte de concreto atravessa o rio Doce sem levar a lugar nenhum. Ela foi erguida em 1966 como parte de uma rodovia planejada para ligar Coronel Fabriciano e Timóteo a Caratinga, cortando o interior do Parque Estadual do Rio Doce.
A obra foi embargada para proteger a fauna e a flora da unidade de conservação, e o traçado nunca foi concluído. Hoje, a estrutura é usada como centro de fiscalização e pesquisa do parque, com alojamento e laboratório para instituições autorizadas pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF). A ponte virou um dos pontos mais fotografados da região, uma cicatriz de concreto em meio à floresta preservada.

Onde ficam as 42 lagoas do parque vizinho?
Do outro lado da divisa municipal está o Parque Estadual do Rio Doce, a primeira unidade de conservação criada em Minas Gerais, em 1944. Segundo a Agência Minas, o PERD abriga 42 lagoas e é considerado o terceiro maior complexo lacustre do país, atrás apenas do Pantanal e da Amazônia.
O parque também é a maior área contínua de Mata Atlântica preservada no estado e concentra mais de 400 espécies de aves. Em 2010, o conjunto recebeu o título de Sítio Ramsar, reconhecimento internacional dado a zonas úmidas de importância estratégica para a biodiversidade global, segundo o Instituto Ekos Brasil, parceiro na gestão da unidade. A principal área de banho pública, a Lagoa Dom Helvécio, tem faixa de areia, píeres e salva-vidas.
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Como é o clima em Bom Jesus do Galho ao longo do ano?
A cidade fica a cerca de 542 metros acima do nível do mar, com clima ameno e verões chuvosos típicos do leste mineiro. O período mais seco vai de junho a agosto, ideal para trilhas e para subir até o Cristo da Paz sem enfrentar chão molhado.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Bom Jesus do Galho?
A cidade está a cerca de 250 km de Belo Horizonte e a pouco mais de 50 km de Ipatinga, o núcleo urbano mais próximo. O acesso principal é pela MG-329, rodovia pavimentada que liga o município a Caratinga, à BR-116 (a 20 km) e à BR-262 (a 67 km), rumo a Rio Casca e São Pedro dos Ferros.
Quem chega de Belo Horizonte costuma seguir pela BR-381 até o Vale do Aço e então cortar para Caratinga. O aeroporto mais próximo é o de Ipatinga (Usiminas), com voos regulares para BH e São Paulo.
A cidade que equilibra fé e floresta
Bom Jesus do Galho é um daqueles municípios do interior mineiro que não aparecem nos roteiros turísticos convencionais, mas guardam duas heranças de peso, uma religiosa e outra ambiental. O Cristo de 30 metros e as 42 lagoas do parque vizinho contam, cada um à sua maneira, como o leste de Minas foi ocupado, disputado e, em parte, preservado.
Você precisa subir até o Cristo da Paz, atravessar a divisa do PERD e conhecer a Ponte Perdida para entender por que essa pequena cidade cabe no mapa de quem gosta de viagem com história e natureza no mesmo dia.




