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Mergulhadores encontraram mais de 400 moedas de ouro no fundo do mar e levaram 30 anos para identificar de onde elas vieram

Gabriel Martins Por Gabriel Martins
04/07/2026
Em Curiosidades
Mergulhadores encontraram mais de 400 moedas de ouro no fundo do mar e levaram 30 anos para identificar de onde elas vieram

Pesquisas subaquáticas desvendam a rota de um navio mercante do século dezessete.

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Mais de 400 moedas de ouro espalhadas no fundo do mar pareciam, à primeira vista, apenas um tesouro perdido. Mas a descoberta feita por mergulhadores na costa de Devon, na Inglaterra, escondia uma pergunta muito maior: de que navio vinha aquela riqueza, e por que ela havia parado ali?

O tesouro ficou décadas sem dono conhecido

A descoberta começou em 1995, quando mergulhadores encontraram moedas, joias e outros artefatos a cerca de 18 metros de profundidade. O conjunto indicava claramente um naufrágio importante, mas nenhum objeto revelava de imediato o nome da embarcação perdida.

O mistério só foi resolvido após quase 30 anos de investigação arqueológica e pesquisa histórica. Segundo a Universidade de Bournemouth, os pesquisadores identificaram o navio como o Dom van Keulen, mercante holandês que naufragou no século XVII.

Mergulhadores encontraram mais de 400 moedas de ouro no fundo do mar e levaram 30 anos para identificar de onde elas vieram
Artefatos valiosos permaneceram escondidos no fundo do mar por trinta anos – Créditos: Museu Britânico

Uma tigela simples mudou toda a investigação

Embora as moedas de ouro chamassem mais atenção, a pista decisiva veio de objetos bem menos luxuosos. Uma tigela e uma colher de estanho recuperadas no local foram analisadas e apontaram origem holandesa, abrindo caminho para ligar o naufrágio a registros antigos.

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O historiador marítimo Ian Friel encontrou documentos que descreviam uma embarcação cuja carga combinava com os achados. Dave Parham, professor de arqueologia marítima na Universidade de Bournemouth, ajudou a consolidar a identificação do navio.

A carga revelava uma rota comercial poderosa

As moedas, hoje em exibição no Museu Britânico, foram associadas à Costa da Barbária, região ligada ao atual Marrocos, e feitas com ouro puro da África Ocidental. A carga mostra como o comércio marítimo conectava África, Marrocos, Países Baixos e Inglaterra.

Entre os itens ligados ao naufrágio, os pesquisadores identificaram materiais que ajudam a reconstruir não só o acidente, mas também a economia da época:

  • Mais de 400 moedas de ouro marroquinas;
  • Joias de ouro dos séculos XVI e XVII;
  • Uma pepita de ouro puro;
  • Canhões, âncoras e fragmentos do navio;
  • Cerâmica, favas e pílulas revestidas de resina.
Mergulhadores encontraram mais de 400 moedas de ouro no fundo do mar e levaram 30 anos para identificar de onde elas vieram
Moedas africanas comprovam conexões comerciais poderosas entre continentes antigos – Créditos: Museu Britânico

Por que essa descoberta tem importância internacional?

O valor do achado vai muito além do ouro. Segundo informações divulgadas pelo Museu Britânico, a descoberta ajuda a entender como mercadores holandeses trocavam produtos manufaturados por ouro africano, que depois podia ser derretido e transformado em moeda europeia.

Jeremy Hill, chefe de pesquisa do Museu Britânico, destacou que encontrar ouro africano no fundo do mar, diante da costa de Devon, levantou questões profundas sobre circulação de riqueza, comércio e naufrágios. A resposta exigiu uma equipe ampla de especialistas.

O mar ainda guarda histórias urgentes

Mesmo com a identificação do Dom van Keulen, muitas perguntas continuam abertas. Não há pintura conhecida do navio, e suas dimensões só podem ser estimadas pela área ocupada pelos destroços, que se espalhavam por cerca de 30 metros no fundo do mar.

Essa descoberta lembra que o passado não está parado nos livros: ele pode estar enterrado na areia, coberto pela água e esperando ser decifrado. Preservar pesquisas arqueológicas é urgente, porque cada naufrágio pode reescrever uma parte esquecida da história humana.

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Tags: arqueologiamoedas de ouronaufrágio

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