Uma decisão marcante da 11ª Câmara do TRT-15 trouxe um precedente fundamental para a proteção da saúde mental no ambiente laboral. A Justiça determinou a anulação do pedido de demissão de uma funcionária do setor de logística diagnosticada com burnout, garantindo o direito a uma indenização de R$ 10.000.
Como o Tribunal fundamentou a anulação do pedido de demissão?
O tribunal reconheceu que o pedido de demissão apresentado pela trabalhadora estava viciado, pois foi realizado em um momento em que ela já estava adoecida pelo esgotamento profissional. O entendimento jurídico é que, sob o efeito de uma patologia ocupacional, a vontade do colaborador não se manifesta com a autonomia necessária para romper o vínculo de forma voluntária.
Diante da situação, a rescisão foi convertida em rescisão indireta por culpa da empresa. Essa modalidade ocorre quando o empregador descumpre obrigações contratuais, forçando o trabalhador a buscar a Justiça para garantir seus direitos previstos na Justiça do Trabalho.

Quais fatores de trabalho contribuíram para o adoecimento?
A perícia médica realizada no processo comprovou que, embora o trabalho não fosse a causa exclusiva do transtorno, houve influência direta das condições laborais. A pressão psicológica contínua e a sobrecarga de tarefas criaram um cenário de concausalidade, onde as exigências da empresa agravaram o estado da funcionária.
Veja na tabela abaixo os dados principais deste processo que impacta o setor logístico:

Por que a tese de concausalidade é importante para o trabalhador?
A concausalidade ocorre quando o ambiente laboral não é o único responsável pela doença, mas atua como um fator determinante para a sua manifestação ou agravamento. O reconhecimento desse nexo exige que a empresa responda pelos danos, mesmo que o trabalhador já apresentasse predisposição ao transtorno antes da contratação.
Essa interpretação está alinhada à jurisprudência do TST, que protege quem sofre com a eclosão de enfermidades em razão de ambientes hostis. A responsabilidade da empresa persiste sempre que houver violação aos ditames legais que protegem a integridade do indivíduo.
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Quais verbas a trabalhadora tem direito a receber?
Com a conversão para a rescisão indireta, a empresa foi condenada a quitar todas as verbas rescisórias como se a dispensa tivesse ocorrido sem justa causa por iniciativa do empregador. Isso inclui o pagamento de aviso prévio, saldo de salário e o recolhimento das multas contratuais.
Confira os principais direitos garantidos na sentença:
- Pagamento integral do aviso prévio.
- Férias proporcionais acrescidas do terço constitucional.
- Multa de 40% sobre o saldo do FGTS.
- Regularização dos depósitos fundiários pendentes.
Qual o papel pedagógico desta decisão para o mercado?
Esta condenação serve como um alerta para empresas que mantêm ambientes com cobranças excessivas e sobrecarga constante. A Justiça reafirma que o burnout não é apenas um problema individual, mas uma doença ocupacional que exige mudanças estruturais nas organizações para prevenir novos casos.
Ao garantir o pagamento da compensação e o acesso às verbas rescisórias, o tribunal desestimula a manutenção de práticas laborais predatórias. O valor fixado busca compensar a trabalhadora pelo sofrimento e estabelecer uma diretriz clara de que a saúde mental é um pilar inegociável na relação entre capital e trabalho.




