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Pesquisadores chineses desenvolveram um novo tipo de cimento que reflete a luz solar e emite calor, em vez de absorvê-lo

Douglas Myth Por Douglas Myth
05/06/2026
Em Curiosidades
Pesquisadores chineses desenvolveram um novo tipo de cimento que reflete a luz solar e emite calor, em vez de absorvê-lo

Desenvolvimento de cimento super-resfriador para reduzir de forma passiva o calor urbano

Cidades grandes costumam registrar temperaturas mais altas do que áreas vizinhas, em parte por causa de materiais como concreto, asfalto e cimento comum. Esses revestimentos absorvem radiação solar, acumulam calor e liberam essa energia lentamente ao longo do dia e da noite, reforçando o efeito de ilha de calor urbana. Nesse contexto, o surgimento de um cimento que resfria sozinho tem chamado atenção de pesquisadores e do setor de construção civil, por funcionar de forma passiva, sem depender de energia elétrica.

O que é o cimento que resfria sozinho e como ele funciona?

O chamado cimento super-resfriador, também conhecido pelo termo em inglês supercool cement, é um material desenvolvido por pesquisadores da Universidade do Sudeste da China em parceria com instituições dos Estados Unidos e da indústria. O estudo, publicado em 2025 na revista Science Advances, descreve um cimento capaz de atingir temperaturas inferiores à do ar ambiente durante o dia, sob sol forte, graças a um processo conhecido como resfriamento radiativo passivo.

Nesse processo, o material é formulado para emitir calor na forma de radiação infravermelha em uma faixa do espectro que atravessa a atmosfera com poucas perdas. Ao mesmo tempo, a superfície reflete grande parte da luz visível e do infravermelho próximo, reduzindo ao máximo a absorção de energia solar e permitindo que o cimento que resfria sozinho se mantenha mais frio que o ar.

Pesquisadores chineses desenvolveram um novo tipo de cimento que reflete a luz solar e emite calor, em vez de absorvê-lo
Cimento super-resfriador usa cristais e poros para refletir sol e reduzir temperatura nas cidades

Como o cimento refletivo reduz tanto a temperatura das superfícies?

O desempenho térmico do cimento refletivo não depende de pinturas ou revestimentos adicionais, pois a capacidade de resfriamento está na própria formulação do material. Durante a fabricação, formam-se cristais de etringita em tamanhos variados, combinados com poros hierárquicos que criam uma “metasuperfície” óptica capaz de espalhar a luz em diversas direções.

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Em testes realizados em telhados da Universidade Purdue, nos Estados Unidos, esse cimento para reduzir calor manteve a superfície cerca de 5,4 °C abaixo da temperatura do ar e aproximadamente 26 °C mais fria do que o cimento Portland comum ao lado. Esses resultados confirmam que o material opera em regime de resfriamento radiativo passivo, bloqueando boa parte da radiação incidente e emitindo calor para o céu.

  • Refletância solar elevada, reduzindo a absorção de energia;
  • Emissividade térmica ajustada para a “janela” atmosférica;
  • Estrutura superficial otimizada com cristais e poros hierárquicos;
  • Desempenho verificado em condições reais de uso, não apenas em laboratório.

O cimento super-resfriador é resistente e durável?

Em materiais de construção sustentáveis, a durabilidade é tão importante quanto o desempenho térmico. No caso do cimento super-resfriador, o estudo relatou testes mecânicos, ambientais e ópticos para verificar se a alta refletividade comprometeria a resistência estrutural em diferentes condições de uso ao longo do tempo.

Em experimentos de solidificação direta, apenas seis minutos após a hidratação, o material já suportava o impacto de uma esfera metálica de 200 gramas, deixando apenas uma marca superficial. Essa secagem rápida interessa a pavimentação urbana e reparos emergenciais, enquanto a estabilidade óptica ajuda a manter a cor clara e o poder de resfriamento por muitos anos.

  1. Verificação da resistência mecânica inicial e tardia;
  2. Avaliação de desgaste e fissuração em condições de uso real;
  3. Monitoramento da aparência, cor e refletividade com o tempo;
  4. Checagem contínua da manutenção do desempenho de resfriamento.
Pesquisadores chineses desenvolveram um novo tipo de cimento que reflete a luz solar e emite calor, em vez de absorvê-lo
Cimento que resfria sozinho pode reduzir calor em prédios e cidades sem usar eletricidade

Quais são os impactos na ilha de calor urbana e no clima?

Em regiões quentes e densamente construídas, a adoção de cimento que resfria sozinho em telhados, fachadas e calçadas pode reduzir a temperatura das superfícies e, indiretamente, diminuir o aquecimento do ar. Esse efeito é especialmente importante em áreas com pouca vegetação e grande quantidade de concreto escuro, típicas de centros urbanos sujeitos a ondas de calor.

Estudos de análise de ciclo de vida indicam que, em determinados cenários climáticos, cada tonelada de cimento super-resfriador pode evitar emissões significativas de dióxido de carbono ao longo de 70 anos. Isso ocorre pela redução do uso de ar-condicionado, com algumas projeções apontando para mais de 2.800 kg de CO₂ evitados por tonelada em comparação ao cimento Portland convencional.

  • Menor aquecimento de coberturas, fachadas e pavimentos urbanos;
  • Potencial redução do uso de sistemas de refrigeração artificial;
  • Mitigação parcial da ilha de calor urbana em grandes cidades;
  • Contribuição para estratégias de construção sustentável e metas climáticas.

Onde o cimento que resfria sozinho pode ser aplicado com mais benefícios?

Embora ainda esteja em fase de pesquisa e validação, o supercool cement é visto como forte candidato para projetos de eficiência energética em edifícios. Em sistemas de telhado frio, o material tende a reduzir a carga térmica sobre lajes e coberturas, aliviando a demanda por climatização artificial e aumentando o conforto interno.

Fachadas expostas ao sol, pavimentos em áreas de pedestres e espaços públicos também podem se beneficiar do resfriamento passivo, sobretudo em climas quentes. Nesses contextos, o cimento que resfria sozinho pode atuar em conjunto com sombreamento, ventilação natural e vegetação urbana, compondo um pacote de soluções de longo prazo para enfrentar o aquecimento das cidades.

  • Escolas e hospitais em regiões quentes, com forte demanda por conforto térmico;
  • Habitações sociais, reduzindo gastos com energia elétrica de refrigeração;
  • Calçadas, praças e áreas de pedestres em zonas densamente construídas;
  • Edificações que buscam certificações ambientais e menor pegada de carbono.
Tags: Arquiteturacuriosidadesustentabilidade

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