No coração do Triângulo Mineiro, a 481 km da capital, vive a única cidade da região Sudeste reconhecida internacionalmente como Geoparque Mundial. Uberaba reúne em 4.523 km² fósseis de 80 milhões de anos, a maior feira de gado zebu do planeta e a casa onde Chico Xavier viveu por mais de quatro décadas. Tudo isso para uma população de cerca de 356 mil habitantes.
Por que esta cidade ganhou o apelido de Terra de Gigantes?
O título vem da paleontologia. No solo do município foram encontrados fósseis, dentes, ovos e ninhadas de dinossauros do período Cretáceo Superior, entre 80 e 66 milhões de anos. Entre os achados está o Uberabatitan ribeiroi, o maior dinossauro já descoberto no Brasil, com 27 metros de comprimento e 14 metros de altura.
O reconhecimento ganhou peso internacional em março de 2024. Conforme a Agência Minas Gerais, o Geoparque Uberaba Terra de Gigantes virou o primeiro patrimônio geológico de Minas Gerais chancelado pela UNESCO, único das Américas a receber o título naquele ano.
Soma-se à paleontologia outra força: o município é a Capital Mundial do Zebu desde a primeira metade do século 20. A primeira feira com animais zebuínos aconteceu na cidade em 1911, e o título de capital agropecuária se consolidou com a chegada da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) em 1934.

Vale a pena viver na cidade do Triângulo Mineiro?
Sim. A cidade é a 7ª mais populosa do estado e mantém custo de vida abaixo da média estadual. O Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) e a Santa Casa de Misericórdia funcionam como referências regionais em saúde, e três instituições de ensino superior atendem o agronegócio brasileiro: UFTM, IFTM e Universidade de Uberaba (Uniube).
O município oferece estrutura urbana completa em paralelo a uma rotina pacata de interior. Bairros residenciais arborizados convivem com um centro histórico ativo, parques municipais e uma forte agenda cultural ligada ao espiritismo e à pecuária. A Prefeitura de Uberaba mantém programas de turismo, cultura e desenvolvimento econômico atrelados ao geoparque.
O agronegócio sustenta boa parte da economia, mas o município também concentra empresas de inseminação, clonagem e biotecnologia. Pecuaristas estrangeiros visitam o destino todos os anos para investir em genética bovina, o que mantém o calendário de eventos aquecido.

Reconhecimento nacional e internacional
Além da chancela da UNESCO em 2024, a cidade acumula títulos que reforçam sua relevância global. O município figura duas vezes no Guinness World Records: pelo maior cozido de carne do mundo, em 2019, e pela maior casa de chocolate já construída, em 2018.
A Capital Mundial do Zebu também se firmou como referência internacional em pecuária. De acordo com a Agência Brasil, o reconhecimento como Geoparque Mundial colocou o destino na mesma rede internacional do Geoparque Araripe (CE) e do Caminhos dos Cânions do Sul (RS/SC).
Outro pilar reconhecido mundialmente é o legado espiritual. O médium Chico Xavier viveu mais de 40 anos no destino, do final da década de 1950 até seu falecimento em 2002, atraindo visitantes do mundo inteiro até hoje.
O que fazer em Uberaba?
O roteiro mistura paleontologia, agropecuária e espiritualidade em poucos quilômetros. Entre os atrativos turísticos mais procurados, destacam-se:
- Museu dos Dinossauros de Peirópolis: a cerca de 20 km do centro, abriga quase 4 mil fósseis e o Centro de Pesquisas Paleontológicas Llewellyn Ivor Price, com entrada gratuita.
- Parque Fernando Costa: sede da ExpoZebu desde 1941, com pavilhões, leilões e o Sítio Histórico e Cultural ABCZ.
- Memorial Chico Xavier: integrado ao Parque Municipal Mata do Carrinho, conta a trajetória do médium que viveu na cidade.
- Museu do Zebu: dentro do Parque Fernando Costa, reúne troféus, fotos e a história das raças zebuínas no Brasil.
- Igreja de São Domingos: concluída em 1904, com interior decorado e arquitetura inspirada nas catedrais europeias.
- Mercado Municipal: ponto de encontro para queijos, doces, cachaças artesanais e o tradicional pão de queijo mineiro.
Na mesa, a cidade carrega a tradição da cozinha mineira com ingredientes do Triângulo. Entre os pratos típicos mais conhecidos, destacam-se:
- Pão de queijo: receita base do café da manhã uberabense, presente em padarias e restaurantes do centro.
- Feijão tropeiro: clássico mineiro com farinha de mandioca, couve, torresmo e ovo.
- Tutu de feijão com torresmo: prato tradicional servido nas casas que mantêm a culinária do Triângulo Mineiro.
- Doces caseiros: goiabada cascão, doce de leite e geleia de mocotó vendidos no Mercado Municipal e nas feiras de Peirópolis.
Quem ama paleontologia, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Serviço Geológico do Brasil – SGB, que conta com mais de 2,7 mil visualizações, onde Renata Carvalho mostra o Geoparque Uberaba:
Quando ir para Uberaba e o que esperar do clima
O município tem clima tropical de altitude, com invernos secos e verões quentes e chuvosos. A escolha da época muda o tipo de programa: a ExpoZebu, principal evento, acontece entre o final de abril e o início de maio.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Terra de Gigantes
A cidade fica a 481 km de Belo Horizonte e a cerca de 480 km de São Paulo, com acesso pela BR-262 e BR-050. O Aeroporto Mário de Almeida Franco recebe voos regulares conectando o destino às duas capitais. De ônibus, há linhas regulares partindo de Belo Horizonte, São Paulo, Brasília e Goiânia.
O município também fica próximo de outros polos do Triângulo: 100 km de Uberlândia e 100 km de Araxá, formando o principal eixo do agronegócio mineiro.
Conheça a Terra de Gigantes
O destino reúne em um só território fósseis de 80 milhões de anos, a genética bovina mais avançada do planeta e a memória do maior médium brasileiro. São camadas de história que se sobrepõem como os estratos geológicos de Peirópolis, cada uma revelando algo diferente sobre este pedaço do Triângulo Mineiro.
Você precisa cruzar Minas e conhecer Uberaba para entender por que a UNESCO escolheu este chão para contar uma história que começa há 80 milhões de anos.




