Uma atualização na legislação europeia trouxe consequências pesadas para quem possui carros parados na garagem sem proteção. A obrigatoriedade de manter o seguro ativo independe da circulação do veículo em vias públicas.
Por que um carro que não circula precisa de seguro?
A lei estabelece que o risco de um veículo motorizado existe mesmo quando ele está estacionado. Incidentes como curtos-circuitos que geram incêndios ou vazamentos de fluidos químicos podem causar danos a terceiros dentro de propriedades privadas.
Na Espanha, a legislação consolidada pelo Real Decreto Legislativo 8/2004 determina que a responsabilidade civil deve estar coberta. Assim, manter carros parados na garagem sem uma apólice ativa é considerado uma infração administrativa passível de fiscalização rigorosa.
Quais são os valores das multas para quem descumpre a regra?
As sanções financeiras são aplicadas conforme o tipo de veículo e a gravidade da situação. Os valores começam em 601 euros para ciclomotores e podem atingir o patamar de 3.005 euros em casos que envolvam veículos pesados.
Além do prejuízo financeiro, as autoridades podem ordenar o depósito ou o precinto do automóvel por períodos que variam de um a três meses. Em situações de reincidência, o proprietário corre o risco de ficar com o bem retido por até um ano.

No Brasil é obrigatório seguro para carro parado na garagem?
No Brasil, não existe uma regra que obrigue o proprietário a manter seguro privado ativo apenas por ter um carro parado na garagem. O seguro automotivo tradicional é opcional e serve como uma proteção escolhida pelo dono do veículo, principalmente contra roubo, incêndio e danos a terceiros. Mesmo sem uso, o carro pode ficar sem seguro sem que isso gere multa.
O que pode gerar problemas no país não é a falta de seguro, mas sim a irregularidade do veículo. Se ele estiver sem licenciamento ou com débitos obrigatórios, como IPVA, aí sim pode ser multado e até removido. Já o seguro facultativo não faz parte das exigências legais para manter o carro regular no Brasil.
Como a fiscalização identifica veículos sem seguro em garagens?
A Dirección General de Tráfico (DGT) utiliza sistemas integrados que cruzam os dados de registro de veículos com as bases de dados das seguradoras. Mesmo que o automóvel esteja sob uma lona, o sistema detecta a ausência de apólice vinculada ao chassi.
Estima-se que existam mais de 2,6 milhões de veículos nessa situação, conhecidos como carros zumbis. A DGT intensificou o monitoramento para reduzir esse número, que representa cerca de 8% da frota total do país ibérico.
Existe alguma exceção legal para evitar a multa?
A única forma de se isentar legalmente da obrigação de contratar o seguro é realizar a baixa temporária do veículo. Este procedimento deve ser feito oficialmente junto aos órgãos de trânsito competentes, informando que o bem não será utilizado.
Confira os passos necessários para a regularização:
- Solicitar a baixa temporária ou definitiva através da sede eletrônica.
- Comprovar o local de custódia do veículo durante o período de inatividade.
- Quitar taxas administrativas pendentes para validar o processo de suspensão.

O que acontece se o proprietário cancelar a apólice por conta própria?
Cancelar o seguro sem comunicar a baixa oficial não exime o dono do veículo da penalidade. Para o sistema, o carro continua em situação de estacionamento habitual, o que gera a cobrança automática da infração assim que a vigência do seguro expira.
Os custos de reboque e diárias de pátio em caso de apreensão recaem totalmente sobre o proprietário. Por isso, a transparência na comunicação com a Agência Estatal Boletín Oficial del Estado e órgãos de trânsito é a única via segura para evitar dívidas acumuladas.
Como os motoristas da Espanha estão reagindo à nova regra?
A medida gerou surpresa e debates sobre os limites da propriedade privada e a intervenção estatal. Muitos proprietários de modelos de coleção ou carros parados na garagem para restauração foram pegos desprevenidos pela atualização da norma em julho de 2025.
Especialistas recomendam que os brasileiros residentes na região ou com bens no exterior revisem seus contratos imediatamente. A prevenção, através da baixa administrativa ou da manutenção de uma apólice básica, evita que um hábito comum se transforme em uma dívida de milhares de euros.




