Fundada por ordem de Dom Pedro II em 1843, Petrópolis ainda guarda o ar de corte na serra fluminense. A cidade nasceu como refúgio de verão da família imperial e abriga a primeira cervejaria do país, o segundo maior festival alemão do Brasil e a única casa que Santos Dumont construiu para si.
O passado que ainda se vê nas ruas da serra
O imperador escolheu o vale do rio Quitandinha para erguer seu palácio de verão. As ruas foram desenhadas pelo engenheiro alemão Júlio Frederico Köeler, que importou o traçado europeu para o meio da Mata Atlântica. Em 1853, a Cervejaria Bohemia abriu as portas como a primeira do Brasil, conquistou a Corte e hoje funciona como museu interativo da cerveja.
Em 1903, a cidade foi palco da assinatura do Tratado de Petrópolis, que incorporou o Acre ao território brasileiro. Décadas depois, o Palácio Quitandinha foi inaugurado em 1944 como o maior hotel-cassino da América Latina, segundo registros do portal Turispetro da Prefeitura. Esse acervo rendeu à cidade o tombamento federal pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) ainda em 1964.

Reconhecimento federal e ampliação do tombamento
Em março de 2026, o Ministério da Cultura homologou a quarta revisão do tombamento, agora chamado oficialmente Conjunto Urbano-Paisagístico e Unidades Fabris de Petrópolis. Segundo o IPHAN, a área protegida foi ampliada na região central, e as encostas cobertas por Mata Atlântica passaram a integrar oficialmente o patrimônio cultural, com gestão conjunta entre IPHAN, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e prefeitura.
A medida reconheceu o papel estruturador dos rios e da paisagem natural na formação histórica da cidade. O Complexo Fabril de Cascatinha, com pontes de ferro e pórticos, e a vila operária da antiga Fábrica de Tecidos Cometa também entraram para o conjunto protegido.

O que visitar além dos museus na cidade serrana
A serra guarda trilhas, mirantes e um centro histórico que cabe em um final de semana. As principais atrações:
- Museu Imperial: antigo palácio de verão de Dom Pedro II, construído entre 1845 e 1862, com a coroa imperial em exposição. Visitantes usam pantufas para preservar o piso original.
- Catedral de São Pedro de Alcântara: templo em estilo neogótico que abriga o mausoléu da família imperial, com os restos mortais de Dom Pedro II, Teresa Cristina, Princesa Isabel e Conde D’Eu.
- Casa de Santos Dumont: a “Encantada”, única residência que o pai da aviação construiu para si, com escada que só sobe pelo lado direito e o famoso chuveiro de água quente.
- Palácio Quitandinha: ex-cassino de 1944, hoje espaço cultural com o maior salão da América Latina na época da inauguração.
- Cervejaria Bohemia: primeira cervejaria do Brasil, com tour interativo sobre a evolução da cerveja no país.
- Avenida Koeler: principal logradouro do plano urbanístico original, com casarões dos séculos XIX e XX preservados.
A gastronomia mistura herança alemã, italiana e portuguesa, com cervejarias e cafés históricos como protagonistas. Os pratos típicos:
- Trutas da serra: presença certa nos restaurantes-fazenda, preparadas grelhadas, ao molho de alcaparras ou defumadas.
- Eisbein e codornas: pratos da tradição alemã servidos nos festivais e restaurantes do centro histórico.
- Chocolate Katz: fábrica e loja com tradição familiar suíça, presença obrigatória nos roteiros gastronômicos.
- Cervejas artesanais e Bohemia: a Cidade Imperial sedia a Rota Cervejeira da Serra com produtores artesanais e a fábrica histórica de 1853.
Quem busca um roteiro de 1 dia em Petrópolis, a Cidade Imperial, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Trip Partiu, onde o apresentador mostra o passeio com preços e dicas:
Quando ir e o que aproveitar em cada estação
O clima ameno é cartão de visita o ano todo, com altitude média de 800 metros. Cada estação rende um tipo de programa diferente:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar até a cidade imperial
O acesso mais usado é pela BR-040, que sobe a serra a partir do Rio de Janeiro, em cerca de 1h30 de viagem. Quem vem de São Paulo percorre cerca de 500 km, somando trechos da Via Dutra e da BR-040. Belo Horizonte fica a aproximadamente 410 km pela mesma rodovia. O Aeroporto Internacional do Galeão, na capital fluminense, é o terminal mais próximo, a cerca de 80 km do centro histórico.
Vale a viagem até a serra fluminense
Petrópolis guarda um pedaço raro da história brasileira em cada esquina. Poucos lugares oferecem essa combinação de acervo imperial, cervejaria centenária, festival alemão e natureza tombada a uma hora e meia da capital carioca.
Você precisa subir a serra num inverno qualquer e descobrir por que Dom Pedro II abandonava o calor do Rio para passar os verões na cidade que ainda leva o nome dele.




