Quem tem o cartão Ultravioleta acordou nesta semana com uma novidade no e-mail: o acesso gratuito ao HBO Max chegou ao fim. A mudança, vigente desde 14 de abril, transforma um dos benefícios mais visíveis do pacote premium do Nubank em uma assinatura paga com desconto, e reacende o debate sobre o real valor dos cartões de alta renda no Brasil.
Por que o fim da gratuidade pega tanto o cliente de surpresa?
A retirada de um benefício concreto dói mais do que um reajuste de anuidade, porque o cliente sente a perda no cotidiano, não apenas na fatura. O streaming gratuito era um dos poucos diferenciais do Ultravioleta que qualquer portador usava com facilidade, independentemente de gastar em viagens internacionais ou de ter grandes investimentos no banco.
O impacto financeiro varia conforme o plano escolhido. Para quem quiser manter o Max, os valores negociados pelo Nubank ficam bem abaixo do mercado, mas a gratuidade, que vigorava desde 2024, deixa de existir. Confira o novo cenário de preços para os clientes elegíveis:
- Plano Básico (com anúncios): R$ 11,90 por mês, ante R$ 29,90 no preço público.
- Plano Standard (sem anúncios): R$ 17,90 mensais, frente a R$ 44,90 na tabela geral.
- Mensalidade do Ultravioleta: mantida em R$ 89 para quem não cumpre os critérios de isenção.
- Critério de isenção: gastos acima de R$ 8 mil mensais no crédito ou ao menos R$ 50 mil investidos no Nubank.

Esse é o primeiro corte ou o Ultravioleta já vinha mudando?
Não é o primeiro. Em setembro de 2025, o banco já havia encerrado o cashback com rendimento automático de 200% do CDI, medida que gerou reações intensas entre os usuários de alta renda. A reformulação completa do cartão, em agosto do mesmo ano, trouxe um modelo baseado em pontos e em isenção de IOF em compras internacionais, mas eliminou uma das vantagens mais rentáveis do produto anterior.
A sequência de alterações confirma um padrão claro de revisão de custos, o que leva qualquer titular a questionar quais benefícios ainda resistem. Para ajudar nessa comparação, vale ver o antes e o depois dos principais itens do pacote:
| Benefício | Antes | Agora |
|---|---|---|
| HBO Max / Max | Gratuito (desde 2024) | Pago com desconto |
| Cashback | 200% do CDI automático | 1,25% em compras no crédito |
| Pontos por dólar | Modelo anterior | Até 2,2 pontos por dólar |
| IOF internacional | Cobrado normalmente | Zerado em compras no exterior |
| Salas VIP | Incluídas | 4 acessos gratuitos por ano |
O Ultravioleta ainda tem vantagens que justificam o custo?
Depende do perfil de uso. Para quem viaja com frequência ao exterior, a isenção de IOF em compras internacionais pode representar uma economia relevante, especialmente em gastos elevados em outras moedas. O acúmulo de até 2,2 pontos por dólar, com transferência para programas como LATAM, Azul e Gol, também mantém apelo para quem usa o crédito de forma intensiva.
Segundo informações divulgadas pelo banco , o produto ainda oferece lounge exclusivo no Terminal 3 do Aeroporto de Guarulhos e quatro acessos gratuitos anuais a mais de 1.700 salas VIP. Para o cliente que não utiliza esses serviços, porém, a percepção de custo-benefício muda bastante.
Essa mudança diz algo maior sobre os cartões premium no Brasil?
Diz bastante. O que o Nubank fez com o Ultravioleta ecoa um movimento mais amplo no setor: benefícios gratuitos estão sendo revistos por bancos e fintechs à medida que o custo de manter pacotes premium cresce. A própria fintech não detalhou os motivos da decisão, mencionando apenas ajustes baseados em condições de mercado e no uso dos serviços pelos clientes.
O padrão se repete em outros emissores. O Santander, por exemplo, também alterou recentemente as regras de acesso às salas VIP, impondo gasto mínimo para entrada. A lógica é sempre a mesma: benefícios percebidos como automáticos passam a depender de comportamento financeiro. Para o consumidor, isso exige atenção redobrada ao contrato e uma revisão periódica do pacote contratado.
Vale manter o Ultravioleta ou é hora de reavaliar?
Para quem já cumpre os critérios de isenção da mensalidade, ou seja, gasta R$ 8 mil mensais no crédito ou mantém R$ 50 mil investidos no Nubank, o cartão continua sendo uma opção competitiva dentro do segmento de alta renda. Para quem pagava R$ 89 mensais tendo o streaming como benefício âncora, a conta agora pede revisão. A gestão financeira consciente começa exatamente nesse exercício: entender o que cada produto realmente entrega antes que o banco decida por você.




